O silêncio ainda tem lugar na reta dos boxes de Interlagos.

Enquanto a velocidade da F-1 limita-se aos poucos quilômetros por hora do vai e vem das empilhadeiras, a quatro dias do GP Brasil, a tranquilidade ainda permite que operários façam os últimos ajustes no “S” do Senna.

A partir deste ano, a curva que leva o nome do tricampeão deixa de ter grama e caixa de brita na área de escape, agora com asfalto pintado com tinta antiderrapante, o que permite que os carros passem por ali caso errem o traçado da pista após a reta dos boxes.

Sem os motores dos carros ligados, o que vai acontecer apenas na quinta-feira, o autódromo também já abriu os portões para centenas de mecânicos, dezenas de caixas e um guindaste de 50 metros de altura hoje.

O equipamento foi usado nesta tarde para erguer a estrutura do pódio que, agora, viaja o mundo e precisou ser instalado em Interlagos.

E, entre máquinas e ajustes finais na pista, um senhor caminhava, silencioso, na área dos boxes.

Todo vestido de branco, a passos que pareciam estar sendo contados, ele apenas observava. Não tocava em nada. Não tirava fotos. Não tinha sequer um celular para filmar a movimentação das equipes. E é assim há 18 anos, diz.

“Desde a morte do Senna, venho para uma missão, ele é o motivo de eu estar aqui”, afirma Darcy Francisco dos Santos, 65.

Ele não quer ficar famoso. A princípio, conversa, mas não quer conceder entrevista. Fala dos “sinais celestiais”, sem citar religião.

Darcy conta que já trabalhou com publicidade, mas, desde 1995, vai a Interlagos somente às quartas-feiras do GP Brasil, quando “não atrapalha”, para ver de perto uma de suas paixões (a F-1) e “levar um pouco de Deus”.

E assim continua a caminhada, sob o sol na tarde paulistana. Praticamente sem ser notado. Enquanto a F-1 em São Paulo ainda é silenciosa.