Em um grande jogo disputado na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata (região metropolitana do Recife), a Itália sofreu diante do surpreendente Japão nesta quarta-feira, mas arrancou uma suada vitória pelo amplo placar de 4 a 3, pela segunda rodada do Grupo A da Copa das Confederações. Com um gol contra e outro de pênalti, o time europeu venceu de virada, após levar 2 a 0 no primeiro tempo, e garantiu a classificação antecipada para a semifinal.

O resultado do melhor jogo da competição até agora assegurou também a classificação do Brasil à próxima fase. Mais cedo, a seleção de Luiz Felipe Scolari havia superado o México por 2 a 0, em Fortaleza. Com as duas vitórias desta quarta, brasileiros e italianos chegaram aos seis pontos na tabela de classificação e não podem mais ser alcançados por Japão e México, já eliminados.

Pela definição atual da chave, o Brasil segue na primeira colocação, por levar vantagem no saldo de gols (5 a 2). Desta forma, joga por um empate contra a própria Itália na próxima rodada, no sábado, às 16 horas, na Arena Fonte Nova, em Salvador, para assegurar a primeira posição, o que poderá evitar um eventual confronto contra a Espanha na semifinal.

Enquanto brasileiros e italianos jogam na Bahia, mexicanos e japoneses vão se enfrentar no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, no mesmo sábado e no mesmo horário, apenas para cumprir tabela.

O JOGO – A Itália esteve longe de repetir nesta quarta o desempenho consistente apresentado contra o México na estreia. Mérito da postura surpreendente do Japão, que adiantou a marcação no início e fez pressão sobre o gol de Buffon. O placar quase foi aberto logo aos 5 minutos, quando Maeda cabeceou com perigo na pequena área. O goleiro caiu firme para fazer a defesa. Aos 17, Buffon voltou a ser decisivo ao espalmar finalização de Kagawa.

Mas, em apenas dois minutos, o goleiro se tornou o vilão da equipe no primeiro tempo. A exemplo da falha do zagueiro Barzagli, responsável pelo pênalti que gerou o gol do México na estreia, Buffon fez falta boba dentro da área ao tentar consertar uma péssima recuada de De Sciglio. Honda converteu a penalidade aos 21.

O gol esfriou o time italiano, que dava os seus primeiros sinais de reação na partida. Preocupado, o técnico Cesare Prandelli resolveu antecipar a primeira mudança na equipe. Trocou Aquilani por Giovinco, no meio de campo, aos 29 minutos. Mas demorou para ver os resultados da alteração.

Enquanto a Itália tentava se acertar em campo, o Japão corria para o ataque. E chegou ao segundo gol em mais uma falha da defesa rival. Chiellini furou ao tentar cabeçada na área e a bola sobrou para Kagawa. O craque do time girou rápido e bateu no canto, aos 32 minutos. A torcida pernambucana já gritava “olé” em favor dos japoneses.

Foi só depois de levar o segundo gol que os italianos entraram no jogo. Os europeus passaram a valorizar a posse de bola no meio de campo e ameaçavam a defesa japonesa em lances pontuais. O gol acabou surgindo em lance de bola parada. Aos 40 minutos, Pirlo cobrou escanteio na área e De Rossi acertou a cabeça.

Mais motivada, a Itália esteve perto de buscar o empate antes do intervalo. Diante da assustada defesa japonesa, a equipe cresceu nos minutos finais. E, aos 46 minutos, carimbou a trave esquerda do goleiro Kawashima em chute rasteiro de Giaccherini.

Nem o intervalo e nem a chuva abateram o ímpeto italiano. Na volta para o segundo tempo, o Japão até tentou repetir o ritmo do início da partida, mas acabou indo do céu ao inferno em apenas sete minutos. Aos 4, Giaccherini avançou pela esquerda, entrou na área e cruzou rasteiro na área. Uchida se antecipou a Balotelli e mandou contra as próprias redes.

Na sequência, o árbitro anotou pênalti questionável em favor da Itália quando Giovinco deu chute despretensioso e a bola desviou de forma não intencional na mão de Hasebe. Balotelli foi para a cobrança e cravou a virada no placar: 3 a 2.

Mas a reviravolta na partida não desanimou o Japão. Apoiados pela torcida, os asiáticos devolveram a igualdade no marcador aos 23 minutos. Endo cobrou falta na área e Okazaki surgiu na primeira trave para vencer Buffon de cabeça.

Cada vez mais embalados, os japoneses incendiaram os últimos minutos da partida. Diante da empolgação das arquibancadas, o Japão passou a trocar passes no meio de campo, colocando os italianos na roda. Aos 36 minutos, acertaram a trave e o travessão na mesma jogada. A Itália aceitava a pressão declarada do rival para reagir em contra-ataque.

O bote veio aos 40 minutos em investida fatal de Marchisio pela direita. Pegando a zaga japonesa de surpresa, ele entrou na área e cruzou rasteiro para Giovinco só empurrar para as redes. O Japão ainda tentava reagir na base do desespero e, após carimbar o travessão novamente, mandou para o gol aos 42. Mas o árbitro anulou o lance ao marcar impedimento de Yoshida, acabando com as chances de classificação do time asiático.

FICHA TÉCNICA

ITÁLIA 4 x 3 JAPÃO

ITÁLIA – Buffon; Maggio (Abate), Barzagli, Chiellini e De Sciglio; De Rossi, Pirlo, Montolivo, Aquilani (Giovinco) e Giaccherini (Marchisio); Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli.

JAPÃO – Kawashima; Uchida (Sakai), Konno, Yoshida e Nagatomo; Hasebe (Nakamura), Endo, Honda, Kagawa; Okazaki e Maeda (Havenaar). Técnico: Alberto Zaccheroni.

GOLS – Honda (pênalti), aos 20, Kagawa, aos 32, e De Rossi, aos 40 minutos do primeiro tempo; Uchida (contra), aos 4, Balotelli (pênalti), aos 7, e Okazaki, aos 23, e Giovinco, aos 40 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Buffon e De Rossi (Itália); Hasebe e Sakai (Japão).

ÁRBITRO – Diego Abal (Fifa/Argentina).

RENDA – Não disponível.

PÚBLICO – 40.489 pagantes.

LOCAL – Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE).