Os organizadores dos Jogos Militares asseguravam que a competição, encerrada neste domingo, seria tão ou mais expressiva que o Pan do Rio de Janeiro, em 2007, por receber atletas do mundo inteiro e não apenas do continente americano. Mas o evento, diferentemente do Pan, não mobilizou tanto os cariocas, apesar de os ingressos teriam sido distribuídos gratuitamente.

Especialmente nos esportes de menor apelo, o público era formado, em sua grande maioria, por integrantes das delegações que iam prestigiar os atletas do seu país. Nas modalidades mais badaladas como vôlei, basquete e judô, foi incomum ver as arquibancadas lotadas, principalmente em dias úteis.

Em um recente programa semanal de rádio, Café com a Presidenta, Dilma Rousseff disse que os Jogos Militares devem ajudar o País a organizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Então, há dois alertas para os Jogos Olímpicos, pois problemas ocorreram em dois locais que vão abrigar competições daqui a cinco anos.

Na arena multiuso da Barra, na zona oeste, faltou luz durante o jogo de basquete masculino entre Catar e Estados Unidos, disputado na última sexta-feira. O duelo, válido pelas quartas de final, foi interrompido por 15 minutos, o que irritou as duas equipes. Somente neste ano, o Engenhão, outro palco dos Jogos de 2016, sofreu apagão em três partidas de futebol.

Em outro caso, a alemã Sandra Hornung, campeã de tiro na prova de pistola 25 metros dos Jogos Militares, elogiou a estrutura do Centro Nacional de Tiro Esportivo, em Deodoro, mas fez uma crítica. Segundo ela, o estande que abrigou a sua disputa tem problema acústico, o que atrapalha o desempenho do atleta. “Os tiros ecoam alto”, reclamou Sandra. A Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) informou que já havia detectado tal “deficiência” no estande de 25 metros e reforçou que isso vai ser corrigido até a Olimpíada.

Entre os acertos na organização da competição, o trânsito na cidade não deu um nó, ao contrário do que se esperava, ainda mais com a circulação de mais de 5 mil atletas, e todos os competidores ouvidos pela Agência Estado elogiaram o nível técnico das equipes, a qualidade de várias instalações e as acomodações.

Outro ponto positivo foi a ação da Força Aérea Brasileira (FAB) de buscar atletas de vários países africanos para disputar os Jogos. Sem essa solidariedade, muitos africanos não teriam condições de participar da “festa”.

TROPA DE ALUGUEL – Reforçado por muitos competidores de alto rendimento que assinaram contrato temporário com as Forças Armadas para disputar os Jogos, o Brasil conseguiu pela primeira vez ficar em primeiro lugar no quadro geral de medalhas. Terminou com 45 de ouro, 33 de prata, e 36 de bronze. A China encerrou os Jogos na segunda colocação e a Itália, em terceiro.