As velhas máximas que acompanham o futebol estão com os dias contados. Ou ao menos, como prega o bom jornalismo, apresentar ‘o outro lado’ de algumas delas. Esse é o ponto de partida dos jornalistas Leonardo Mendes Júnior e Jones Rossi no “Guia Politicamente Incorreto do Futebol”. Carregado de bagagem histórica, o livro – em pré-venda nas maiores livrarias do país – transcende as quatro linhas para conceituar alguns dos principais episódios do esporte mais popular do planeta, e até desmistificar personagens. “É a linha da série ‘guia politicamente incorreto’. Desconstruir o senso comum, tirar da lama personagens malditos, tudo com base histórica, humor e muita provocação”, define Leonardo.

Em um ano de pesquisa, a dupla de profissionais do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) – Leonardo é repórter especial do jornal Gazeta do Povo e Jones é produtor da RPCTV – trata de temas controversos como a Democracia Corintiana, movimento nascido intramuros do Parque São Jorge e onde os jogadores do Corinthians participavam das decisões do clube, e a Copa União de 1987, cujo título foi dividido por Flamengo e Sport. “Existem notas explicativas nas laterais dos capítulos, como no que trata da Democracia Corintiana, onde foram entrevistados personagens como os ex-goleiros Rafael Cammarota (campeão brasileiro em 1985 pelo Coritiba) e Leão”, ressalta Jones Rossi.

Entre os vários personagens de destaque, ou desprestigiados pela história estão Pelé, Maradona, Friedenreich e até Mário Jorge Lobo Zagallo. “O Zagallo teve uma participação muito importante na Copa de 1970, ao implantar um esquema tático mais moderno ao utilizado pelo João Saldanha. Mas pelo contexto político o país vivia plena ditadura militar e existia um ranço ideológico, uma preocupação da imprensa em elogiar a seleção sem elogiar o Zagallo, para não avalizar o regime militar. Ele foi usado de bode expiatório”, analisa Jones. “Absolutamente tudo que está ali é baseado em pesquisa, entrevista, dados, outras obras e no cruzamento disso tudo. Não é obra de ficção nem de auto-ajuda. É jornalismo”, completa Leonardo Mendes Júnior.