Juliano Moro festeja o título
de 2001 em Cascavel.

A equipe Amir Nasr confirmou na manhã de ontem volta do piloto gaúcho Juliano Moro ao Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3. Detentor do título de 2001, ele vai participar das 15.ª e 16.ª etapas, amanhã e domingo, no Autódromo Internacional de Cascavel, substituindo Thiago Medeiros, suspenso pela Confederação Brasileira de Automobilismo. Moro vai pilotar o carro com o número 1 que trouxe para o time com o título do ano passado.

“É sempre bom voltar a uma categoria como a F-3, mas vai ser uma volta um pouco complicada. Eu estou sem ritmo”, admite o gaúcho. Ele começou o ano disputando o Europeu de Fórmula 3000. Participou das etapas de Vallelunga, Pergusa, Monza e Spa-Francorchamps pela I.S.R. Charouz, mas viu-se obrigado a abandonar a competição por conta das dificuldades na obtenção de patrocínio, agravadas após a alta da cotação do dólar no Brasil.

As reações do carro serão um desafio para Moro nos primeiros treinos em Cascavel. “No ano passado, a categoria tinha pneus Firestone. Hoje, usa os Pirelli, que são mais macios. Vou ter que me adaptar ao carro. Por outro lado, não vou ter a pressão pelos resultados”, diz. Ele espera ajudar o brasiliense Zeca Cardoso, seu companheiro, e o maranhense Daniel Scandian, da co-irmã Brasília Racing, na busca por bons acertos e resultados.

A pista de Cascavel traz boas recordações a Juliano. Afinal, foi lá que ele conquistou o título do ano passado, terminando a 11.ª e penúltima etapa do Sul-Americano na quarta colocação. A corrida foi disputada sob chuva forte e marcou a primeira vitória de Nelson Ângelo Piquet na categoria. Jaime Melo Júnior, piloto de Cascavel que voltava à categoria para uma participação especial pela Avallone, e Medeiros, já na Amir Nasr, completaram o pódio.

Entrosamento

Juliano Moro tem uma ligação forte com a Amir Nasr. Em 1996, depois de conquistar o título brasileiro da Fórmula Ford na última temporada de existência da categoria-escola no País, ele fez pela Brasília Racing sua estréia na Fórmula 3. Era a última etapa do Sul-Americano, em Curitiba, e o gaúcho surpreendeu com a conquista da vitória. Em sua segunda participação na categoria, já em 1997, nas ruas da uruguaia Piriápolis, também pela Brasília, também venceu.

Ainda em 1997, a terceira participação de Moro na Fórmula 3, nas ruas de Florianópolis, foi menos produtiva – bateu e abandonou. Sua chegada efetiva à categoria se deu em 2000, pela Amir Nasr. Ele ganhou uma corrida, em Oberá, na Argentina, e terminou a temporada em terceiro lugar. Vitor Meira foi o campeão. Em 2001, com cinco vitórias nas 12 etapas da temporada, o gaúcho foi campeão com uma etapa de antecipação, em Cascavel.

Amir Nasr, chefe da equipe, sente-se aliviado por poder contar com Moro nas provas em Cascavel. “Foi muito difícil para nós assimilar a punição ao Thiago, o campeonato está numa fase decisiva em que precisamos marcar pontos. Ele é um piloto que está em forma, atuando regulamente, tem feito um bom trabalho no time e encontrar alguém do nível dele seria complicado. Poder contar com Juliano para essa missão foi muito oportuno para nós”, considera.

A opção de substituir Medeiros por um piloto de alto nível não decorre unicamente da necessidade de marcar pontos. Amir enumera os compromissos da equipe com os patrocinadores, como CEB, BRB e Drugovich. “Somos muito gratos ao Juliano, nunca é fácil encontrar um substituto à altura às pressas. E eu admiro a coragem dele em enfrentar essa responsabilidade depois de tanto tempo sem ter contato com a Fórmula 3. É um grande garoto”, diz.