Foto: Valquir Aureliano/O Estado
Em entrevista coletiva,
ontem, Dagoberto disse
que está à disposição.

Após saber da decisão da Justiça do Trabalho, Dagoberto procurou a imprensa para expor sua posição. Na sede da Massa Sports, empresa que gerencia sua carreira e é apontada pelo Atlético como pivô da crise, o jogador conversou com a reportagem do Paraná-Online.
Dagoberto se diz triste e preocupado com a decisão e acusa o clube de impedi-lo de exercer sua profissão. Porém, afirma que está pronto para cumprir seu contrato e voltar a defender o Furacão em campo.

Paraná-Online: Você ficou surpreso com a decisão da Justiça?
Dagoberto: Com certeza fiquei. Mas estamos em um Brasil onde se pode esperar tudo. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu.

Paraná-Online: Na sentença, o juiz considerou que você queria se beneficiar da redução da multa rescisória. Para isso, ele levou em conta uma proposta do Hamburgo, que não teria sido aceita por você…
Dagoberto: Não houve acerto entre o Hamburgo e o Atlético. Eu iria me beneficiar de quê? Infelizmente, nós não chegamos a um denominador. Eu só queria a valorização. Quero deixar bem claro que quem sempre falou que eu iria sair foi o Atlético. Nunca falei nada disso. Daí eles tomaram essas atitudes.

Paraná-Online: Você pretende recorrer da decisão?
Dagoberto: Aconteceram tantas coisas que estão frescas ainda… Isso vai de analisar também.

Paraná-Online: Como fica sua situação a partir de agora?
Dagoberto: Tenho contrato, sou empregado e estou fazendo o que me pedem. Não tem nada o que reclamar de mim lá dentro. Sempre deixei bem claro que quero jogar. Quem sabe agora, eles ganhando, me coloquem para jogar. Não sei.

Paraná-Online: Você espera ficar no Atlético até o fim do contrato?
Dagoberto: Se machucar o tornozelo e ficar 13 dias parado, vou ter que renovar com o clube. O juiz abriu isso. O Atlético ganhou, tranqüilo… Mas o que fico mais preocupado é com isso. Agora, você vai ter que pensar duas vezes antes de ir numa jogada, para não se machucar e ter que renovar depois. Isso são coisas que acontecem. Machucar é a coisa mais normal que tem. É um jogo de contato. Infelizmente, aconteceu isso e todo jogador que se machucar vai ter que assinar com o clube. Agora penso: será que meu contrato vai acabar mesmo em março de 2008? Amanhã ou depois posso me machucar de novo. Mas agora, se eu me machucar, tenho que renovar com o clube. É uma coisa ridícula.

Paraná-Online: Você se arrepende de não ter aceitado as propostas do Atlético?
Dagoberto: Não me arrependo de nada. Tudo o que faço na minha vida, penso antes, para depois não me arrepender. Faço com a certeza absoluta que estou fazendo bem feito. Poderia ser um caminho totalmente diferente. Por que minha multa estava tão baixa? Porque meu salário é baixo. Falam que eu poderia ser vendido por 20 milhões. Mas minha realidade dentro do clube, como é? É isso que sempre questionei. Nós não chegamos a um denominador e fui me defender. Fui buscar os meus direitos. Nunca fiz nada contra o Atlético.

Paraná-Online: Em outra entrevista, você disse que houve muita ?trairagem?…
Dagoberto: Houve muita coisa mesmo. Fazia seis meses que eu não via minha sobrinha, que nasceu há pouco tempo. Estava saindo de casa e os caras chegaram com intimação para mim. Não sou nenhum bandido. Sempre tratei todo mundo de uma maneira legal. Mas me tratam como se eu fosse um infantil, e não sou.

Paraná-Online: Houve alguma negociação com outros clubes durante essa disputa?
Dagoberto: Vem bastante proposta porque todo mundo sabe como está a situação. Mas não tem nada de concreto.

Paraná-Online: Falaram que você já teria um pré-contrato assinado com o São Paulo…
Dagoberto: Falaram tanta coisa, que eu estaria até vendido para fora do país. Mas não tem nada, não.

Paraná-Online: Se amanhã o treinador te chamar para jogar, você está pronto?
Dagoberto: Sempre estive pronto. Estou recuperado há muito tempo, mas me impediram de jogar por questões do presidente, do Petraglia. Acatei, como acatei todas as coisas, e sempre trabalhei. Ninguém pode falar nada de mim. Se tive os problemas que tive, foi defendendo o Atlético. Foi dando carrinho, voltando para ajudar. Infelizmente, a valorização que tive foi essa.

Paraná-Online: Alguém da comissão técnica já te procurou, para dizer se pretendem te escalar?
Dagoberto: Não. Sigo fazendo trabalho físico. Contrataram um cara lá, que me falou que no dia que me chamarem para integrar o grupo novamente, ele está fora do Atlético. Chamaram ele só para me acompanhar. Estou fazendo três horas de manhã e três horas à tarde de físico, trabalhando como sempre trabalhei.

Paraná-Online: Se voltar a jogar, você tem motivação para se dedicar totalmente ao Atlético?
Dagoberto: Várias vezes estava em discussões e sempre procurei render meu máximo. Vou jogar da mesma maneira, tranqüilo. Você tem que ser inteligente e separar as coisas. Eu sei separar muito bem.

Paraná-Online: Você teme uma reação da torcida se for escalado?
Dagoberto: Não. Sempre respeitei o Atlético e tenho que fazer meu papel dentro de campo.

Clube leva a melhor na Justiça

O Atlético venceu, em primeira instância, a batalha jurídica com o atacante Dagoberto. Na manhã de ontem, o juiz Paulo Ricardo Pozzolo, da 8.ª Vara do Trabalho de Curitiba, proferiu sentença favorável ao clube na ação movida contra o jogador.

A decisão confirma a prorrogação do contrato de Dagoberto com o Atlético por 250 dias. O fim do compromisso do atleta com o Furacão estava previsto para 23 de julho de 2007. Agora, o vínculo termina apenas no dia 29 de março de 2008.

O período se refere aos dias que o jogador ficou afastado dos gramados, devido a uma grave contusão no joelho, em 2004.

O foco central da disputa é a multa rescisória prevista no documento. Inicialmente fixada em R$ 27,3 milhões, ela sofre uma redução progressiva, que de acordo com a Lei Pelé chega a 80% no último ano de vigência do contrato. Assim, o valor cairia para R$ 5,4 milhões em julho deste ano e Dagoberto estaria livre para defender qualquer equipe brasileira que pagasse esse valor ao Atlético.

A decisão judicial adia a redução de 80% da multa para março do ano que vem. Por enquanto, ela continua em R$ 16,3 milhões, valor previsto para o quarto ano do compromisso. Para transferência internacional, a multa é de 25 milhões de dólares (R$ 53,6 milhões).

O juiz também julgou improcedente a reconvenção ajuizada por Dagoberto.

O jogador pedia a anulação da cláusula penal (que prevê a multa rescisória) e uma indenização por suposto dano moral.

Dagoberto ainda pode recorrer da decisão. O prazo é de oito dias.

Enquanto isso, o jogador vive a expectativa de voltar a jogar pelo Atlético. Desde o dia 5 de agosto, ele vem treinando separado do time principal. O  Vadão já manifestou o desejo de voltar a escalá-lo. Além do Brasileiro, Dagoberto também está inscrito na Copa Sul-Americana.

Jurisprudência aberta

A decisão da Justiça sobre o caso Dagoberto pode ter reflexos em todo o Brasil. Segundo especialistas em direito esportivo e do Trabalho ouvidos pela Tribuna, a sentença proferida pelo juiz Paulo Ricardo Pozzolo cria uma importante jurisprudência, que pode afetar a relação entre clubes e atletas profissionais.

O advogado Domingos Moro ressalta que a prorrogação do contrato do jogador com o Atlético é um fato inédito. ?Isso vai trazer conseqüências muito grandes. Ela abre precedentes para uma série de situações quanto ao prazo contratual dos atletas. Abre uma perspectiva para que todos os clubes possam prorrogar o vínculo dos jogadores contundidos. E para os atletas solicitarem a renovação também?, afirma.

Para Augusto Mafuz, a decisão abre um precedente a favor do atleta. ?O juiz concluiu que a renovação independe da Lei Pelé. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) permite a prorrogação em benefício do jogador?, diz o advogado e jornalista (veja coluna na página 22).

Segundo Domingos Moro, o fato de o juiz ter embasado a sentença na CLT torna difícil a reversão da decisão. ?Sendo na esfera trabalhista, ela é uma decisão robusta, mais forte?, acredita.

Vadão define o time hoje

Após ganhar a segunda-feira de folga, o elenco do Atlético volta hoje ao CT do Caju. O técnico Vadão começa a definir hoje o time que enfrenta o Nacional, do Uruguai, amanhã.

Em busca de uma vaga nas semifinais da Copa Sul-Americana, o Furacão espera contar com o time completo na Baixada. O goleiro Cléber, que ficou fora das duas últimas partidas por uma contusão muscular, deve voltar à equipe titular, assim como o lateral Jancarlos.

A vitória por 2 a 1 em Montevidéu, na semana passada, dá ao Atlético a vantagem de garantir a classificação mesmo com uma derrota por 1 a 0. Triunfo do Nacional por 2 a 1 leva a decisão para os pênaltis. O time uruguaio fica com a vaga se vencer por uma vantagem de dois gols, ou marcando mais de três (3 a 2, 4 a 3…).

Ingressos

A Arena vai estar completamente lotada amanhã. Durante todo o dia de ontem, filas imensas se formaram ao redor do estádio rubro-negro. Mesmo com grande movimento, ainda restam ingressos para alguns setores. As meias entradas para idosos, menores e estudantes estão esgotadas.