Apesar do apelo regional e da tradição acumulada em uma centena ou mais anos de disputas, como é o caso do Paranaense, que em 2014 chega a sua edição de número 100, os Estaduais seguem não sendo um produto viável do ponto de vista do negócio. Se para os clubes da capital o atrativo comercial é restrito, para os clubes do interior o cenário apresentado é ainda pior. Nesse sentido, Londrina e Operário passaram a adotar mecanismos para buscar um incremento de receita, e desde o início da semana integram o Movimento por um Futebol Melhor.

O conceito do negócio visa o processo de fidelização das torcidas. A ideia é que com a associação os clubes possam contar com uma receita fixa ao longo do ano. Em contrapartida, o sistema, que também conta com a participação de grandes empresas, oferece uma série de benefícios aos torcedores, como descontos em produtos de vários segmentos – já que essencialmente o torcedor é um cliente consumidor- e que podem superar, inclusive, o valor da mensalidade. Desta maneira, de acordo com o movimento, o futebol brasileiro ganha maiores condições de se desenvolver mais.

‘A saída do futebol financeiramente é o torcedor. Com o futebol brasileiro pouco atrativo hoje a gente não tem como apostar nos tipos de receita tradicionais. Num ano que você tem dificuldades em conseguir patrocínios, com as empresas retraídas e os investimentos totalmente voltados para a Copa do Mundo uma alternativa viável é você recorrer ao torcedor. Principalmente às equipes menores, que não tem acesso aos maiores contratos, a dificuldade financeira é muito grande, e essa é uma maneira de ter receita de uma maneira mais constante’, avalia Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria.

Lançado ano passado inicialmente por 15 clubes e grandes multinacionais, em 2014 o Movimento por um Futebol Melhor ampliou de 158 mil para quase 700 mil sócios-torcedores na carteira dos clubes – que com a adesão de Operário e Londrina já chegam a casa dos 45 clubes. Em termos de receita, de 2013 para cá foram gerados mais de R$ 100 milhões aos times.

E, no interior do Estado, onde o número de ‘torcedores forasteiros’, que torcem por clubes de outras praças esportivas, o potencial de negócio é alto. Em 2013, o Estádio do Café chegou a comportar 30 mil torcedores londrinenses, embalados pela possibilidade real da equipe alcançar a fase final do Paranaense. Com a adesão ao movimento, a expectativa é que tanto o Londrina quanto o Operário consigam ampliar sua base associativa, de 330 e 401 sócios-torcedores, respectivamente.

* O repórter viajou a convite da Ambev.