Santos – O técnico Vanderlei Luxemburgo poderá escalar cinco jogadores que atuaram na última quarta-feira, contra a LDU, em Quito, no Equador, para enfrentar o Criciúma no domingo. Isso, entretanto, não o preocupa. “A base do time ficou aqui em recuperação e não queria que todos sofressem esse desgaste de viajar doze horas para ir, mais doze para voltar e atuar naquela altitude (2.800m)”. Ele acredita que os atletas escolhidos estarão recuperados até a hora do jogo.

Luxemburgo ainda não definiu o time porque espera o teste que será feito no volante Fabinho para saber se ele terá condições de jogar. No treino de quinta-feira o atleta sentiu uma fisgada na coxa e é dúvida.

Se não tiver condição de jogo, Zé Elias deverá ser o primeiro volante e Preto Casagrande fará a dupla de marcação de meio-de-campo com ele.

O esquema tático também não está definido e Luxemburgo não descarta a possibilidade de escalar três zagueiros nessa partida. Mas disse que só falaria a respeito do time depois do treino previsto para esta manhã no CT Rei Pelé. Mauro, Leonardo, André Luís, Zé Elias e Preto Casagrande deverão ser os jogadores que atuaram em Quito e serão aproveitados.

Nervosismo

O clima no CT Rei Pelé não anda bom. Luxemburgo tem sido ríspido com alguns jornalistas, Robinho não escondia a tensão ao dar entrevista à imprensa. O treinador deixou de responder uma pergunta sobre o retorno do zagueiro Antônio Carlos e disse que só falaria sobre o jogo contra o Criciúma.

Mas o maior incidente foi registrado com Zé Elias, que entendeu ser irônica a primeira pergunta sobre sua expulsão. “Só falam que eu sou nervoso, que sou violento. Podem falar, mas o que não admito é ironia, que é uma falta de respeito ao profissional.”

Violento?

Zé Elias se considera um jogador normal. “São onze anos como profissional e que sempre joguei assim”, disse ele, ressaltando que “às vezes acontece de chegar atrasado num lance, ter de fazer falta para parar jogadores habilidosos”. Quanto à falta que provocou sua expulsão no jogo conta a LDU na quarta-feira, comentou que foi necessária. “Tive de parar a jogada, senão o rapaz ia para dentro do gol.”

Ele encara isso tudo como normal em seu trabalho. “Tenho de fazer determinadas coisas, pois nunca vi volante e zagueiro serem bonzinhos iguais os centroavantes, e sempre fui valorizado por isso”. Admite ser um jogador duro: “não adianta mentir para vocês, sou duro mesmo, mas não violento.”

Segundo Zé Elias, “tem jogador que entra para machucar, para quebrar alguém e, em onze anos de carreira, nunca machuquei alguém, fui expulso umas cinco vezes; é só olhar os números e ver”.

Nessa longa carreira, já teve de responder muitas vezes a perguntas sobre violência e disse que não se importa. “O que não gosto é de determinadas ironias, que são uma coisa chata; gosto de respeitar todo mundo e gostaria de ter o mesmo respeito.” E ele concluiu: “Gosto de chegar em casa, colocar a cabeça no travesseiro, olhar para meu filho e saber que sou um cara honesto”.

Robinho: permanência garantida até o fim do ano

Santos –

“Meu futuro a Deus pertence”, disse ontem o atacante, depois de repetidas vezes responder a perguntas sobre sua saída do Santos.

“Até o final do ano, estou aqui no Santos para jogar; pode ser que eu dispute a Libertadores, pode ser que eu fique até 2008”, disse ele, acrescentando: “Muita coisa pode acontecer, mas estou bem, com a cabeça tranqüila, só voltada para o Brasileiro”. Informou que não assinou pré-contrato com qualquer clube europeu, mas não negou que possa haver um compromisso assinado com o Atlético de Madrid: “Meu procurador e meu pai é que resolvem essas questões, eu só quero jogar futebol.”

Robinho admitiu que “as propostas estão chegando, fico feliz com isso e, se houver uma boa para o Santos e para minha família vamos sentar e conversar”. Ele estava nervoso no começo da entrevista e só abriu seu largo sorriso uma vez, quando um jornalista perguntou sobre quantas propostas já haviam sido feitas.

“Chegaram algumas, umas concretas, no papel, e outras só foram especulação. Espero que cada vez cheguem mais propostas, para escolher melhor meu futuro.”

Jogar no Corinthians, o maior rival do Santos? “Não imagino isso não”, respondeu ele, completando: “o Corinthians é uma grande equipe, tenho respeito, mas meu pensamento é jogar bem aqui no Santos”. Ele entende que, ao contrário de perturbar sua cabeça, as propostas estão deixando-o tranqüilo: “elas estão vindo porque estou jogando bem e isso dá tranqüilidade porque não precisa mudar; as propostas existem por causa do meu futebol e espero que continuem chegando”.

Mesmo comentando sua vontade de permanecer no Santos, Robinho não esconde o desejo de jogar na Europa: “esse é o meu objetivo e quero jogar num time em que possa aparecer também para os brasileiros, disputar títulos e voltar à seleção brasileira”.

A última informação publicada pela imprensa espanhola é de que Robinho já tem pré-contrato com o Atlético de Madrid, assim como foi divulgado semanas atrás de que teria assinado pré-contrato com o Benfica. Os portugueses querem o atacante a partir de janeiro e os espanhóis estariam concordando em levá-lo a partir de julho, depois da Libertadores.

O presidente Marcelo Teixeira não fala mais em transação com Robinho, mas não esconde que seu sonho é conquistar a Libertadores para levar o Santos novamente a disputar o título mundial. Esse pode ser o maior obstáculo para a saída de Robinho em janeiro.