Reginaldo de Castro/CPB
Clodoaldo festeja seu
segundo ouro em Atenas.

Atenas – Clodoaldo “mandou o braço”, como ele gosta de dizer – “Nada muito estudado não. Não gosto muito de pensar, meu negócio é mandar o braço” – e ganhou, ontem, a sua segunda medalha de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Atenas – já havia levado o prêmio maior nos 100m livre domingo.

A prova de ontem foi a dos 200m livre, que Clodoaldo fechou em 2m55s75, deixando para trás o espanhol Richard Oribe (3m02s25) e o japonês Yuji Hanada (3m05s65). O brasileiro disputará, ainda, mais cinco provas e pode bater recorde de medalhas de ouro.

Na prova de ontem, Clodoaldo partiu tarde do bloco 4, mas quando chegou ao meio da piscina já tinha colocado vantagem sobre o japonês Hanada, que continuou a persegui-lo de perto. Muito consistente, no entanto, o brasileiro bateu os 50, os 100 e os 150 na frente. Depois, foi só administrar a vantagem e desfrutar do segundo ouro.

“Rapaz, quando eu estava na última meia piscina, olhei para um lado e não vi ninguém. Olhei para o outro e a mesma coisa. Aí pensei: ninguém me segura”, comentou Clodoaldo.

Na verdade, na prova de ontem, Clodoaldo só correu um risco: ser atingido na cabeça pelo celular de um fotógrafo oficial do Comitê Paraolímpico Internacional, que circulava em local privilegiado, no teto do ginásio. O aparelho caiu algo como um metro e meio à frente da cabeça do brasileiro, que se preparava para bater e levar o ouro.

Mais três atletas brasileiros caíram na água ontem. André Meneghetti ficou em oitavo lugar na final dos 100m borboleta. Genesi Silva foi o sexto colocado nos 200m livre. E Edenia Garcia também ficou na sexta posição nos 200m livre.

O público de Atenas, apesar da volta às aulas, continua prestigiando os Jogos – principalmente as provas de natação. E quem estava no ginásio ontem ficou emocionado com a premiação do garoto russo Igor Platinikov, que ganhou o ouro e bateu o recorde mundial dos 100m na prova mais crítica da natação paraolímpica. Igor não tem os dois braços. Na chegada, bate no ladrilho com a cabeça.

Tenório convoca os deficientes

Atenas

– Antônio Tenório, 33 anos, é um gigante. Não enxerga nada desde os 19 anos, mas não se abala. Na segunda-feira, ele derrotou o chinês Run Ming no tatame do Hall Olímpico Anno Liossia, em Atenas, e conquistou o bicampeonato olímpico – já havia sido ouro em Atlanta/96.

Ontem, desfrutando o primeiro dia de folga em Atenas -“Gente, virei torcedor, contem comigo”-, ele fez questão de passar o seu recado. Não para os atletas paraolímpicos, que estão dando um show em Atenas e não precisam de elogios gratuitos, mas para aqueles que consideram que a vida acabou porque sofreram um acidente, ficaram presos a uma cadeira de rodas ou perderam a visão.

Capitalizando os pódios

Atenas

– As Paraolimpíadas estão no meio. Se encerram terça-feira, mas quem já ganhou medalha sabe: é a hora de capitalizar o sucesso e tentar melhorar as coisas. Afinal, daqui a pouco os holofotes vão se apagar e virão os próximos duros quatro anos do ciclo olímpico de Pequim.

Ontem os principais medalhistas tinham um discurso ensaiado. Falavam da alegria da conquista, mas lembravam que a batalha está apenas no começo. “Que isso (a atenção da mídia, o apoio prometido) não fique só aqui. Nosso movimento precisa de muito mais. Precisamos de ajuda para a próxima Olimpíada e para o Pan-Americano”, disse Ádria, a estrela da equipe brasileira que está em Atenas.