Mano Menezes chega à Seleção Brasileira com uma escrita surpreendente: nunca fomos campeões mundiais com um treinador que trabalhou quatro anos sucessivos. Parece incrível, mas é verdade. Desde 1958, conquistamos as Copas com trabalhos de tiro curto. Na mesma medida, em apenas cinco oportunidades o treinador que começou o trabalho logo após a Copa chegou ao Mundial seguinte. E em todas o Brasil saiu derrotado.

Em 1958, a Seleção se classificou para a Copa com Oswaldo Brandão, mas foi Vicente Feola quem treinou o time que venceu o Mundial. Por problemas de saúde, Feola saiu e conquistamos o bi com Aymoré Moreira em 1962. Feola voltou e liderou a Seleção até 1966 – e ele foi o primeiro a trabalhar em toda a preparação para uma Copa do Mundo. Mas o Brasil caiu na primeira fase.

Aymoré voltou e não convenceu, e João Saldanha assumiu em 1969 – criou as “feras” e classificou-se com sobras para a Copa do México. Mas problemas políticos o tiraram da rota do tri e Zagallo comandou aquele que é considerado o maior time de todos os tempos. Campeão, Zagallo seguiu até 1974. Ficou em terceiro – e fez um pouco melhor em 1998, ficando com o vice, após mais um período de quatro anos como técnico brasileiro. Foi substituído em 1975 por Brandão, que de novo não chegou à Copa. Na Argentina, Cláudio Coutinho foi terceiro lugar e “campeão moral” e permaneceu até o final de 1979.

Telê Santana assumiu e comandou a Seleção em duas Copas (1982 e 1986), mas em nenhuma iniciou o trabalho. Ele saiu após a “tragédia do Sarriá” e só voltou em 1985, para as Eliminatórias da Copa do México. Entre suas duas passagens, treinaram o Brasil Carlos Alberto Parreira, Edu Coimbra e Evaristo de Macedo.

Com a eliminação de 86, a CBF anunciou uma renovação (como agora). Carlos Alberto Silva foi chamado, mas sucumbiu após perder a medalha de ouro na Olimpíada de 1988. Sebastião Lazaroni foi o técnico na Copa de 1990, perdendo a vaga para outro “renovador”, Paulo Roberto Falcão, que não durou um ano no cargo. Parreira voltou, ganhou o tetra e abriu caminho para Zagallo.

Tensão

A preparação para a Copa de 2002 foi a mais tumultuada. Começou com Vanderlei Luxemburgo, demitido após fracassar nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000. Candinho exerceu um mandato-tampão e Emerson Leão o substituiu. Foi ainda pior, o que abriu caminho para Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do penta.

Após o quinto título, a CBF deu segurança para que Parreira e Dunga fizessem trabalhos de longo prazo. Mas nas Copas ficamos pelo caminho. Caberá a Mano Menezes quebrar a escrita – pois, se ela for mantida, podemos até ganhar em 2014, mas sem ele no banco.