A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não deu aval para que o São Paulo participasse da Copa da Paz, neste mês, na Coréia do Sul. O clube, um de seus filiados, perdeu a oportunidade de brigar por US$ 2 milhões e de mostrar seus jogadores no exterior. A entidade alegou que não poderia alterar datas do campeonato brasileiro e nem sequer permitiu que o São Paulo continuasse disputando o Nacional com um time misto, para levar uma equipe à Ásia prejudicaria o nível do Brasileiro, disseram dirigentes. Mas tirar os principais jogadores dos clubes e diminuir o interesse das partidas não são empecilhos quando estão em jogo benefícios para a CBF. Essa é uma das razões pelas quais o São Paulo tanto reclama e por que trabalha contra a reeleição de Ricardo Teixeira. “Como o torneio não é deles, eles não liberam, mas quando é para tirar os atletas para a Copa das Confederações, que foi realizada num momento impróprio, eles não querem nem saber, não interessa se o Brasileiro está em andamento, se os clubes fizeram investimentos e vão ser prejudicados”, lamentou o presidente são-paulino, Marcelo Portugal Gouvêa. A Copa da Paz tiraria a equipe do País por cerca de dez dias e a Copa Ouro, torneio sem nenhuma relevância, vai desfalcar o São Paulo de Kaká e Julio Batista por aproximadamente três semanas. A CBF, no entanto, recebe polpudas cotas para levar a seleção a competições fora do País e, por isso, não abre mão desse tipo de convite.

No mês passado, o São Paulo ficou sem o atacante Luís Fabiano e o meia Ricardinho, que, machucado, deve ficar mais um mês fora. Ambos estavam na França para a Copa das Confederações. “Assim não adianta montar uma grande equipe. Os clubes deveriam ser ouvidos”, reiterou Gouvêa. Como exemplo de desorganização, o dirigente lembra que pediu liberação à CBF para mandar a equipe à Copa da Paz em janeiro e só recebeu resposta em junho. “Tudo é feito em cima da hora.”

Na opinião do são-paulino, o brasileiro fica esvaziado durante competições como a Copa Ouro por causa da bagunça da CBF e do calendário do País. Se houvesse planejamento, em sua visão, seria possível que a seleção disputasse torneios sem prejudicar as competições nacionais. “Era só compatibilizar o calendário, como ocorre na Europa.” As competições na Europa são paralisadas quando as seleções participam de eliminatórias, torneios ou fazem amistosos.

Prejuízo

Além de deixar de receber o dinheiro da Copa da Paz o São Paulo ainda tem de negociar com os organizadores um modo de não precisar pagar a multa pela desistência. Pelé, que participou da organização do torneio, manifestou, terça-feira, aborrecimento com a ausência do clube paulista.

São Paulo confirma assédio inglês a Kaká

 

O presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, afirmou ontem que um grupo de empresários ingleses o contatou e disse ter interesse em iniciar negociações para levar o meia Kaká à Europa. Eles não disseram, ao dirigente, qual é o clube disposto a bancar a contratação do jogador, mas prometeram entregar uma proposta oficial nos próximos dias.

“O grupo de ingleses falou que tem interesse no Kaká e eu disse, então, que esperaria uma posição deles. Ficaram de fazer uma proposta até o fim da semana”, explicou Marcelo Portugal Gouvêa.

Essa é a primeira vez no ano que abordam o presidente de maneira mais concreta para conversar sobre Kaká. E, se o interesse for confirmado, será a primeira oferta real pelo são-paulino. O fato não significa, no entanto, que Marcelo Portugal Gouvêa irá liberar seu atleta mais famoso. A idéia é não levar o assunto para a frente caso os valores sejam inferiores a US$ 10 milhões. A multa rescisória do contrato dele é de US$ 20 milhões.

O atleta vem comentando, reiteradamente, que não quer tirar seu foco de atenção do Campeonato Brasileiro e que, ao contrário do que muitos pensam, não tem essa obsessão por deixar o País tão cedo. “Estou há 13 anos no clube, amo o São Paulo, não sei se há ou não proposta, mas acho que não há”, desabafou Kaká. “Já me venderam para várias equipes”, ironizou.

Seu empresário, Wagner Ribeiro, não foi informado pela diretoria são-paulina sobre o assédio dos ingleses, mas aposta que o negócio não vai evoluir. “Acho difícil, quando os clubes ingleses querem contratar alguém, eles vêm com o dinheiro e levam.” Informações desencontradas – Marcelo Portugal Gouvêa reafirmou que, até agora, recebeu apenas sondagens a respeito de Luís Fabiano e nenhuma proposta oficial.

O Barcelona, da Espanha, tem interesse em sua contratação, pois pode perder seu principal atacante, o holandês Patrick Kluivert. Ao contrário do que disse o presidente, Luís Fabiano se pronunciou sobre o tema e disse acreditar haver, sim, proposta da Europa. “Acho que tem proposta, mas não estou preocupado com isso, estou procurando ficar afastado do assunto, não quero que isso me atrapalhe. Minha cabeça tem de estar 100% no campo.”