Buenos Aires, Argentina – O ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, estaria à beira de uma pancreatite. A afirmação é de seu médico pessoal, Alfredo Cahe. ?O problema é que da hepatite tóxica à pancreatite é um só passo?, alertou Cahe ao jornal Perfil, neste fim de semana.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas – órgão situado atrás do estômago e que influencia na digestão – que, em alguns casos, pode trazer complicações sérias e até levar à morte.

O comentário do médico aumentou as especulações sobre o verdadeiro estado de saúde do ex-jogador, internado às pressas na sexta-feira na clínica Los Arcos, no bairro portenho de Palermo. Desde aquele dia, os comunicados médicos sobre Maradona foram lacônicos e ambíguos. De forma simultânea, cresceram os rumores de que o ex-astro estaria com a saúde gravemente abalada e de que os médicos do hospital especulavam sobre a necessidade de um transplante hepático.

No sábado, o último comunicado médico da clínica Los Arcos (o próximo comunicado está previsto para hoje) afirmava que o estado do ex-astro era ?estável?.

Mas, uma linha abaixo indicava que os resultados dos exames hepáticos ?não estão dentro dos parâmetros normais?.

O ex-manager de Maradona, o polêmico Guillermo Coppola – acusado por parentes do ex-astro e analistas esportivos como o homem que estimulou ?El Diez? à uma vida de gandaia e que também quase o levou à ruína financeira – declarou que a vida de seu ex-amigo é um cenário de situações extremas. ?Da mesma forma que joga futebol com toda a garra, quando come, o faz com voracidade. A mesma coisa aconteceu com a droga, e agora é com o álcool. É uma personalidade compulsiva.? Segundo Coppola, Maradona é ?ingovernável?.

Excessos

No dia 28 de março, Maradona foi internado com uma hepatite tóxica provocada por excessivo consumo de bebidas alcoólicas. Ele permaneceu na Clínica Güemes durante 13 dias. Na madrugada da quarta-feira da semana passada, Maradona, após horas de pressão sobre a diretoria da clínica, conseguiu a alta. Dali, foi para uma chácara no município de Ezeiza, na grande Buenos Aires, levado pela namorada, Verónica Ojeda. A ex-esposa de Maradona, Claudia Villafañe, e as filhas Dalma e Gianinna não concordaram, pois preferiam que o ex-jogador continuasse internado.

Maradona não atendeu os conselhos familiares e – segundo informações extra-oficiais -passou dois dias de farra com os amigos na chácara. Na sexta-feira de madrugada, teve dores abdominais intensas. Uma ambulância – que Cahe, precavidamente, havia colocado na porteira da chácara, de plantão – o levou a um hospital público em Ezeiza.

Testemunhas citadas pelo jornal Perfil sustentam que na ocasião, Cahe – o controvertido médico que cuida da saúde de Maradona há 30 anos – achou que era o fim. ?Diego está indo embora?, teria dito o médico, angustiado. Horas depois, Maradona foi levado à clínica Los Arcos. A expectativa é que permaneça ali durante esta semana.