Meia pode ser o penúltimo reforço.

O mau tempo quase atrapalhou a chegada do meia-atacante Marcelo Passos, novo reforço do Paraná Clube para a seqüência do Brasileirão. Seu vôo atrasou e apenas no final da tarde ele conseguiu se apresentar. Passou pelos exames médicos de rotina e assinou contrato, prometendo muito empenho para ajudar o Tricolor a sair das últimas colocações.
Aos 33 anos, aposta na sua experiência para conquistar seu espaço no time, que hoje já tem o setor ofensivo bem definido. Marcelo Passos de Oliveira é natural de Guarujá-SP e começou no Santos. Contemporâneo de Axel nas categorias de base do Peixe, reencontrou o amigo e outros ex-companheiros, como Beto e Sinval. ?Vi o Paraná em alguns jogos e o time está evoluindo?, analisou.
Marcelo passou por quase uma dezena de clubes brasileiros e teve um grande momento no Santos, nas temporadas 1994/95. ?Fui artilheiro e disputamos o título brasileiro em 95?, lembrou. Já vestiu as camisas de Goiás, Flamengo, Sport, Náutico, Fortaleza e América-RN. Por cinco anos esteve no exterior (Emirados Árabes, Catar, Portugal, Israel e China). No mundo árabe, enfrentou algumas vezes o técnico Paulo Campos e este conhecimento lhe valeu a indicação para o Paraná.
?Sei que o clube, recentemente, colocou na vitrine jogadores já rodados. Por isso, agradeço a confiança da diretoria e da comissão técnica e não vou decepcionar?, afirmou. Com o jogador, Paulo Campos ganha nova opção para o meio-de-campo e para o ataque. ?Precisávamos de variações. Ele vem para nos ajudar e não quer dizer que será titular. Mas, com ele, posso usar só um volante ou só um atacante, dependendo da situação?, comentou Campos.

Paraná Clube aposta em Cristian

O novo “talismã” do Paraná Clube tem um jeitão diferenciado. Não curte pagode, tem estilo “esquisito” de se vestir e uma pontaria certeira quando o assunto é bola parada. Cristian virou a referência do meio-de-campo paranista e, de quebra, tem aberto o caminho para vitórias expressivas – e decisivas – nessa luta do tricolor contra o rebaixamento. Passaram-se somente cinqüenta dias desde a sua estréia. Nesse período, foram quinze jogos e seis gols, conferindo-lhe a marca de principal ídolo do clube.

“Quando garoto, me espelhava no Marcelinho”, comentou. “Não bato na bola como ele, que tem muitas variações.” O gaúcho de Uruguaiana diz ter dois estilos de cobrança distintos. “Tenho optado por bater no canto direito e tenho sido feliz”, disse. Cristian já fez quatro gols em cobranças de faltas, num aproveitamento invejável. Nos últimos tempos, o Paraná só teve um cobrador com esta precisão há dois anos, quando Maurílio “salvou” o clube da degola. Dois anos depois, novamente em situação delicada, o tricolor aposta nos gols e na versatilidade de Cristian para sair do sufoco.

Logo na sua estréia, frente ao Paysandu (2×0), o meia mostrou qualidade. Não fez gol, mas transformou o meio-de-campo, que até então era marcado pela falta de dinamismo. Mesmo com o jogador em campo, o Paraná não escapou de seu pior momento na competição, sofrendo seis derrotas consecutivas. Mesmo assim, o meia deixou sua marca contra Internacional e Santos. Só que a sua habilidade nas faltas só começou a aflorar a partir da goleada sobre o Vitória (4×1), na segunda rodada do returno.

No jogo seguinte, contra o Flamengo, o Paraná perdeu. Mas Cristian fez o gol mais bonito do jogo. Ao melhor estilo “Zico”, mandou a bola no ângulo de Júlio César, em pleno Maracanã. “Só que até então o time não vinha convencendo. Agora, é diferente”, comemora o meia. Cristian voltou a balançar as redes mandando a bola no canto direito de Artur (Cruzeiro) e Lauro (Ponte Preta). “O jeito é treinar muito para surpreender os goleiros. O bom cobrador deve ter algumas variações bem ensaiadas”, avisou.

Cristian, mesmo sendo franzino, prefere faltas não tão próximas à área. “Para o meu jeito de bater, o local onde ocorreu a infração em Campinas é o ideal. A média distância – não aquelas sobre a risca da área – tenho um ângulo melhor.” Nesses lances, o meia ainda recorre ao auxílio de companheiros, que passam sobre a bola para desviar a atenção do goleiro. “Como também temos outros cobradores, como o Canindé e o Fernando – além do Messias para o chute forte – o goleiro sempre fica na dúvida”, destacou. “O fato de as barreiras não se adiantarem como antes, também ajuda”.

Paulo Campos prevê equilíbrio

Paulo Campos imagina seu time jogando à frente, mas com o mesmo equilíbrio demonstrado nas recentes vitórias fora de casa. “Não podemos deixar nos levar pelo entusiasmo. Muito menos pela ansiedade”, frisou o treinador, que hoje começa a montar o time para o jogo decisivo frente ao Guarani. Sabe que o duelo é “de seis pontos”, mas lembra que será um jogo “complicado”, onde a torcida paranista pode fazer a diferença.

“Não tenho dúvida que vamos receber o apoio intenso. O torcedor quer ver seu time lutando e isso nunca vai faltar a uma equipe por mim dirigida. Garra e disposição estarão sempre presentes. Quero meu time suando sangue, se necessário”, avisou. Mesmo animado pela vitória em Campinas, não deixou de ressaltar alguns deslizes cometidos, como a imprecisão nas finalizações. “Poderíamos ter feito mais gols. Naquele jogo não nos fez falta, mas estas oportunidades não podem ser desperdiçadas por pura falta de concentração.”

O treinador lembrou que Guarani e Paraná têm estilo de jogo muito parecidos. “Taticamente, são equipes quase idênticas, com dois volantes, dois meias de criatividade e dois atacantes”, disse. “Tenho certeza que eles não vão se expor e nós também não. Resumindo, será um jogo muito equilibrado.” A partir de hoje, Campos começa a montar o time, mas só sexta-feira saberá se poderá contar com Fernando Lombardi e Beto.

Zagueiro e meia serão julgados no Rio, por suas expulsões contra Criciúma e Santos, respectivamente. O clube já encaminhou a seu advogado as fitas dos jogos, acreditando na absolvição de ambos. Messias, no DM, é dúvida.