Nem mesmo um erro no percurso tirou o brilho do show do catarinense Márcio May, da equipe Memorial-Santos, na etapa de contra-relógio individual da 3.ª edição da Volta Internacional do Rio de Janeiro de Ciclismo. Ontem, em Cabo Frio, ele foi o mais rápido na prova (válida pela 2.ª fase), onde o atleta pedala sozinho, buscando estabelecer o menor tempo possível. Com o resultado, Márcio assumiu a liderança do evento, empatado com o paulista Luis Amorim, da Scott Fadenp.

Ele completou os 30 quilômetros do percurso em 37min03seg, dois segundos mais baixo do que Luisão, que vinha sendo o grande nome neste tipo de disputa.

O vencedor só não teve um desempenho melhor porque errou o caminho na ida, próximo ao km 10. “Perdi uns 20 segundos, no mínimo. Vinha chutado e passei direto na curva. Estava a 58 km por hora. Tive de dar um cavalo de pau para voltar. Com o erro, tive de embalar novamente”, afirmou o ciclista de 31 anos, que foi o campeão da Volta do Rio em 2002 e o melhor brasileiro ano passado.

Com o grande desempenho de ontem, May confirmou o favoritismo e pode ratificar essa condição na etapa de hoje, a mais dura da competição, entre Cachoeira de Macabu e Nova Friburgo.

A prova, com 113 km, terá várias subidas, com os ciclistas largando a 40 metros acima do nível do mar e chegando a nada menos que 800. Uma dificuldade que pode ser aliada de May, um atleta que sobe muito bem montanhas.

Vaga olímpica

Até agora, a volta já teve 164,3 km. Márcio e Luisão somam 4h16min58seg, mas o atleta de São José dos Campos pegou a camisa amarela de líder, por incríveis 85 milésimos (desempate na soma do prólogo e da contra-relógio). A Volta do Rio é uma das três competições mais importantes do ciclismo nas Américas. Tem nível 2.3 na avaliação da UCI (União Ciclística Internacional) e é a última disputa na América Latina para que os brasileiros somem pontos, visando os Jogos Olímpicos de Atenas.

Atualmente o Brasil é o 29.º colocado e precisa estar entre os 30 melhores para assegurar uma equipe de três atletas.