Os campeões da Volta festejam no pódio.

Depois de cinco vezes como vice-campeão, o catarinense Márcio May, da equipe Memorial-Santos A, quebrou o tabu e finalmente conquistou o título da Volta Ciclística do Litoral Paranaense. Confirmado como grande favorito após assumir a liderança da prova na tarde de sábado, quando venceu a quarta etapa – os 10 km contra o relógio, domingo May teve apenas o trabalho de se manter próximo ao cascavelense José Aparecido Santos, da Caloi-Suzano, que cruzou a linha de chegada da quinta e última etapa, no mesmo pelotão de May.

A volta ainda serviu para confirmar o bom trabalho de base do ciclismo, com a vitória, na etapa final, do garoto Alex Arseno, da equipe DataRo-Transamérica, que superou no sprint final a Maurício Morandi (Vince/Jamur Bikes/Blumenau), outro jovem talento da categoria Sub-23. A decisão foi no foto-finish, pois ambos cruzaram quase juntos a linha de chegada. O segundo pelotão completou a etapa 6s depois, e era formado por 13 ciclistas, entre eles May e Santos.

Com o título, May confirma a boa fase vivida em 2003, e se apresenta como o melhor ciclista em atividade no Brasil. Nesta temporada já venceu o Troféu Cidade de São Paulo e a Volta de Goiás, além de ter sido o melhor brasileiro na Volta do Chile e na Volta do Rio de Janeiro.

“Estou contente e realizado por conseguir quebrar esse tabu. Mas agradeço o ótimo trabalho da minha equipe. Sem ela seria impossível essa conquista”, festejou May, que comentou ainda o sucesso em 2003. “Este ano tenho alcançado ótimos resultados. Vou curtir muito este título. Mas minha prioridade a partir de agora é intensificar os treinos visando a participação no mundial, da Suíça, e o pan-americano, da República Dominicana”, explicou o campeão, que tenta sua terceira medalha no pan. May foi bronze no pan de Mar del Plata (95) e em Winnipeg (99). “Quem sabe este ano consigo uma medalha também no mundial e outra, de outra cor, no pan”, disse Márcio, revelando o sonho de garantir ao Brasil vaga para uma equipe completa na Olimpíada de Atenas, ano que vem.

Internacional

Nesta edição da Volta do Litoral quem estava comandando o núcleo de comissários era o colombiano Cesar Sánchez. Ele considerou muito boas as condições gerais oferecidas pela organização, como suporte e logística. “Mas faltam alguns detalhes”, sentenciou, completando: “A verba de premiação precisa ser mais consistente”.

Para Cesar Sánchez, faltam pequenos detalhes como uma chegada protegida por 200 metros de isolamento antes e outros cem após a linha, trabalhar melhor as equipes de segurança e outras pequenas imperfeições “que somente a experiência podem trazer”, argumentou o comissário designado pela União Ciclística Internacional (UCI).

“Mas no todo, a organização está de parabéns e em meu relatório a prova vai entrar no calendário do ano que vem como um evento internacional de porte 2.5”, revelou Sánchez, lembrando que para isso há a necessidade de se convidar ao menos cinco equipes do exterior, para oficialização de evento internacional.

O comissário se mostrou ainda muito impressionado com a beleza da paisagem por onde passam as etapas da Volta do Litoral, pela Estrada da Graciosa, a BR-277 e a BR-376, tendo como cenário a Mata Atlântica e a Serra do Mar.

A Volta do Litoral teve patrocínio do Clube DataRo de Ciclismo, com apoio das prefeituras municipais de Curitiba, Guaratuba e Paranaguá, Ecovia e polícias rodoviárias Federal e Estadual.