Júlio Piza conversa com Dagoberto e
Ilan, que formam a nova dupla de frente.

O Atlético descartou, ontem, os nomes de Tite (ex-São Caetano), Paulo Bonamigo (Atlético/MG) e Levir Culpi (Botafogo) para o comando da equipe e parte agora em busca de um treinador “agregador”. Dentro deste perfil, o nome mais cotado passa a ser o de Marco Aurélio, que já trabalhou na Ponte Preta, Palmeiras e Cruzeiro. Como o técnico interino Júlio Piza vai ficar à frente do time até domingo, o Rubro-Negro mantém a cautela na busca do substituto de Mário Sérgio.

“A nossa pretensão é trazer um agregador de campo, que seja muito menos impositivo por sua posição do que pelo diálogo, que já tenha títulos e se encaixe na nossa disponibilidade financeira”, aponta João Augusto Fleury da Rocha, presidente do Furacão. Segundo ele, o clube ainda está à procura de um nome que se encaixe nesse perfil, mas cita Marco Aurélio como exemplo. “Veja esse Marco Aurélio, ninguém conhecia antes de treinar o Cruzeiro e ele foi campeão lá”, apontou, sem confirmar essa possibilidade.

Para o dirigente, o maior pecado de Mário Sérgio foi conversar pouco com os jogadores. “Eu quero um cara com capacidade de diálogo com o grupo. Faltou isso na comissão que se afastou”, revelou. Além de Marco Aurélio, o clube trabalha com mais um nome no momento. Desde a saída de Mário Sérgio, mas de dez treinadores foram oferecidos, mas nenhum deles interessou ao clube.

Quanto a alguns nomes já sondados, Fleury confirmou que houve interesse em Vanderlei Luxemburgo e Tite, mas o alto salário afastou ambos. “Nós chegamos a pensar neles, mas, logo, ?dis-pensamos?”, brincou. No caso do técnico Gaúcho, o salário não seria nem o empecilho, mas os auxiliares que viriam junto não se enquadrariam na filosofia salarial e profissional do Rubro-Negro. Os outros nomes tentados, Paulo Bonamigo e Levir Culpi, não gostaram da proposta e preferiram continuar em seus atuais clubes.

Piza mantém base de Mário Sérgio

O técnico interino do Atlético, Júlio Piza, começou ontem a moldar a equipe para a estréia no campeonato brasileiro contra o São Paulo, amanhã, no Morumbi. Sem muito tempo para treinar, ele tratou de manter a base deixada pelo demissionário Mário Sérgio. No entanto, ele terá os desfalques do zagueiro Rogério Correia, do meia Fernandinho e do atacante Washington.

“Esperamos fazer uma boa partida contra o São Paulo, uma equipe que está montada e bem na Libertadores, mas o Atlético tem uma boa condição de fazer uma grande partida lá”, aposta o treinador. Segundo ele, o time muda pouco pelas condições que ele tem para trabalhar. “Tem que deixar bem claro que o Mário deixou uma equipe preparadíssima. O que vai mudar é pouca coisa”, explica.

No primeiro treino com bola, a postura já foi outra. O treino começou mais cedo (às 15h30), houve menos tempo para as rodinhas de bobo e a conversa prevaleceu. Piza reuniu os titulares no centro do campo 2 e passou as instruções. Em seguida, foram os jogadores que falaram. Contra o São Paulo, Piza não fez mistério e manteve o 3-5-2 com Diego; Alessandro Lopes, Marinho e Ígor; William, Alan Bahia, Ramalho, Jádson e Marcão; Ilan e Dagoberto.

Alessandro troca de Atlético reclamando muito

O lateral-direito Alessandro foi negociado com o Atlético/MG e deixou ontem o CT do Caju disparando contra o ex-técnico Mário Sérgio. Afastado do elenco principal pelo treinador demissionário, ele cansou de esperar uma oportunidade de voltar a jogar e acertou a transferência para o Galo. O jogador era um dos poucos campeões brasileiros de 2001 remanescentes no elenco rubro-negro. Além dele, o meia Adriano também deve sair e seu destino mais provável é o Palmeiras.

“Estou muito triste pela perda do título para o nosso rival e todo mundo sabe de quem foi a culpa, não é? Para mim, a culpa foi do treinador”, desabafou Alessandro. A maior mágoa de Alessandro contra Mário Sérgio foi ter recusado propostas no início da temporada para abraçar o projeto do ex-treinador atleticano. Além de ter sido sacado do time num bom momento para experiências na posição, foi afastado do elenco e perdeu a chance de voltar a disputar um lugar na seleção.

Sem perspectiva, ele negociou com o Galo e acertou tudo. Ontem, a diretoria ainda tentou persuadir o jogador a mudar de idéia, alegando a chegada de um novo treinador, mas sua posição já estava tomada. “Senti que não ia jogar mais e não poderia ficar tanto tempo sem jogar. Fico triste com a saída, mas agradeço a muita gente aqui. Não queria sair nessa situação”, disse.

De acordo com ele, essas conversas começaram há quase 20 dias. “Eles me ligaram. A proposta é boa para mim, o meu empresário acertou tudo com o Petraglia (Mário Celso, presidente do conselho deliberativo), que deu carta branca. Aceitei a proposta e prefiro ir para lá”, apontou. Ainda não estão definidas as bases da negociação. O jogador tem contrato com o Furacão somente até o dia 31 de dezembro deste ano. Ele não soube responder se vai por empréstimo ou em definitivo.

Gabiru

Outro que não deve mais vestir a camisa atleticana é o meia Adriano. O Palmeiras voltou a demonstrar interesse no jogador e uma negociação entre Petraglia e Marcel Figer (que é parceiro do Atlético nos direitos federativos do jogador) pode colocá-lo no clube paulista. Em troca, o clube da Baixada receberia um jogador do empresário, que pode ser até o atacante Canindé, pretendido também pelo Paraná Clube.