Custou US$ 1 milhão a marmelada da Ferrari no GP da Áustria. O Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) multou ontem a equipe italiana depois de ouvir seus pilotos, Michael Schumacher e Rubens Barrichello, e o diretor-esportivo Jean Todt, em Paris. A ordem do time para que houvesse inversão de posições na corrida de 12 de maio não foi o motivo da multa, mas sim a quebra de protocolo na cerimônia de pódio.

São Paulo – É a mais alta multa já aplicada a uma equipe na Fórmula 1. Pela sentença divulgada, a Ferrari teve de pagar metade imediatamente. Os outros US$ 500 mil só serão cobrados se o time “repetir ofensa similar nos próximos 12 meses”, de acordo com o comunicado da entidade.

A FIA reconheceu sua impossibilidade de punir as ordens de equipe. O Conselho disse que “condena a forma como foram conduzidas” as coisas pela Ferrari, mas acha “impossível punir os pilotos, que são obrigados por contrato a obedecer suas equipes”. O texto diz também que na F-1 os times “têm permissão para decretar a ordem de chegada de seus pilotos de acordo com seus interesses no campeonato”.

Assim, Schumacher, Barrichello e a Ferrari ficaram com seus pontos obtidos em Zeltweg. O pódio foi o argumento usado para a aplicação da multa. O Conselho Mundial alegou que Barrichello, piloto brasileiro, ficou no degrau mais alto ao som do Hino Alemão, que Schumacher subiu depois quando tocava o Hino da Itália, e que Michael tirou o troféu das mãos do chanceler austríaco para passá-lo ao companheiro de equipe. “É dever das equipes assegurar que seus pilotos obedeçam aos procedimentos do pódio para não deixar as autoridades nacionais em situação embaraçosa”, disse a FIA, informando que o artigo 170 do Regulamento Esportivo foi desrespeitado.

Bernie Ecclestone, o chefão comercial da F-1, disse que a multa foi bem aplicada porque Schumacher “foi meio burro” no pódio. “Acho que ele ficou com medo da reação do público. Quanto à Ferrari, creio que fizeram bem em não tirar os pontos. Jogo de equipe acontece até em corridas de bicicleta. Esse tipo de tática não vai mudar, porque a F-1 também é uma competição entre times”, falou.

Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, aceitou a punição, que equivale a 0,33% do orçamento anual do time, calculado em US$ 302,4 milhões de acordo com a revista “Eurobusiness”. “Respeitamos a FIA, como sempre. Estamos de acordo. O pódio é um momento sério, que compõe a imagem da F-1”, disse o dirigente.

Para Max Mosley, presidente da FIA, a questão das ordens de equipe precisa ser mais discutida. “O que aconteceu na Áustria foi muito ruim. Devemos escrever regras para impedir esse tipo de coisa? Como punir? Honestamente, não temos soluções para isso. É por este motivo que vamos abrir um espaço em nosso site para que o público dê sugestões”, prometeu o advogado inglês.

O recordista de multas

São Paulo

– As duas maiores multas aplicadas pela FIA a uma equipe de F-1 antes da punição de ontem à Ferrari também tiveram Michael Schumacher como protagonista. Em 1994, a entidade multou a Benetton, ex-equipe do alemão, duas vezes em US$ 500 mil.

Na primeira, Schumacher foi multado porque desrespeitou uma bandeira preta em Silverstone, no GP da Inglaterra, recusando-se a aceitar a desclassificação na corrida. Ele havia ultrapassado Damon Hill na volta de apresentação e teria de cumprir um stop & go. A Benetton o mandou ficar na pista, até que ele recebeu a bandeira preta. Mas não deixou a prova. Ele pagou o stop & go, voltou à pista e chegou em segundo. No dia seguinte, a FIA, além de multar o time em meio milhão de dólares, suspendeu Michael por dois GPs.

A segunda multa gorda aplicada à Benetton foi relativa à desclassificação de Schumacher do GP da Bélgica. Ele ganhou a corrida, mas horas depois foi eliminado porque a prancha de madeira sob o assoalho tinha um desgaste maior que o permitido. Como a Benetton recorreu e depois perdeu de novo, levou mais US$ 500 mil de multa. (FG)

Bancos “levam? 35% da Ferrari

Milão

(AE-DOW JONES) – A Fiat SpA venderá uma participação de 35% de sua unidade de carros esportivos de luxo Ferrari para o banco italiano Mediobanca, por 870 milhões de euros (US$ 863,5 milhões). A venda possibilitará à deficitária montadora registrar 750 milhões de euros em ganhos de capital no primeiro semestre de 2002.

O acordo avalia a Ferrari em 2,4 bilhões de euros (US$ 2,38 bilhões), ou cerca de 40% acima do que foi estimado pelos analistas. Mas a Fiat tem a opção de comprar a participação de volta pelo mesmo preço num prazo de 12 meses.