Foto: Orlando Kissner/Tribuna
Paulo André, que fala inglês,
vem sendo uma ligação entre
o treinador e os companheiros.

Se depender dos jogadores do Atlético, o técnico Lothar Matthäus passou no teste do primeiro jogo à frente da equipe. Natural que eles elogiassem o ?professor? na estréia no rubro-negro, mas a rasgação de seda foi bem maior do que os brasileiros anteriores receberam quando estiveram no comando. Nem a dificuldade inicial de comunicação foi problema para o elenco, que se virou apelando para o tradutor ou em inglês para assimilar o que o alemão queria para a partida contra o Galo Maringá.

?Está aprovado. Eu fiquei muito feliz em ver um cara que você assistiu na televisão jogando Copa e sendo um ídolo, passando o conhecimento dele para nós?, vibrou o atacante Dagoberto. Mesmo vindo de outra cultura e com outros hábitos, na hora do jogo ninguém sentiu dificuldades no relacionamento com Matthäus. ?Mudou pouca coisa. O futebol tem uma linguagem mundial e fácil de ser entendida. Algumas frases de motivação e atenção são diferentes das usadas no Brasil, mas os gestos são fáceis de serem entendidos?, opinou o zagueiro Paulo André.

Como disse o zagueiro, mesmo vindo da Alemanha, os hábitos tradicionais do Brasil se mantiveram. ?A gente fez a preleção antes de sair daqui do CT com o tradutor. O Vinícius (Eutrópio, assistente) também colaborou bastante na parte tática, mas ele pára, fala, explica de novo se a gente não entender?, revelou Paulo. O volante Alan Bahia concorda com o companheiro. ?Ele é um treinador que passa bastante confiança, gosta do futebol alegre, já foi jogador e isso deixa as coisas mais fáceis porque nós entendemos a língua do boleiro?, destacou.

A língua, que poderia ser o maior entrave na comunicação, parece estar sendo superada sem grandes problemas. ?Eu falo bem inglês, entendo bem e quando é particular ele fala comigo em inglês e a gente se entende e, às vezes, quando o tradutor não está por perto, ele fala comigo para que eu passe alguma informação para alguém?, disse Paulo André, que tem se transformado no principal elo entre o treinador e os jogadores.

Além do zagueiro, o meia Simão também fala inglês e tem conversado mais de perto com Matthäus nesses primeiros dias de CT do Caju. Enquanto vai aprendendo o português, o treinador conta com o auxiliar-técnico Jost Vieth para o dia-a-dia e Klaus Junginger para as entrevistas coletivas após as partidas.

David vai pro futebol polonês

O meia David está sendo negociado pelo Atlético com o Pogón, da Polônia. A diretoria ainda não dá como certa a saída do jogador, mas ele já começou a se despedir dos companheiros. Entre hoje e amanhã ele deverá se apresentar ao time polonês, que está realizando uma pré-temporada no interior de São Paulo. Mais um brasileiro entre os clubes daquele país, David terá como companheiros jogadores como Cleisson e Batata e será comandado por José Carlos Serrão.

?É uma boa proposta para mim, estou muito satisfeito e espero que tudo corra bem. Apareceu esta oportunidade, todo jogador quer jogar fora, na Europa, principalmente, e vou meter a cara e espero que surjam outras portas por lá?, revelou David. De acordo com ele, o acerto está sendo feito com prazo até dezembro deste ano. ?Devo ficar lá até o final do campeonato e depois eu retorno para o Atlético para terminar de cumprir o meu contrato?, revelou.

Esta não é a primeira vez que ele jogará no Velho Mundo. ?Joguei seis meses na Suíça, no Yverdon, tive boas participações e a experiência é muito boa. Você conhece um outro lado do futebol e você só tem a ganhar?, disse. Para ele, essas boas atuações, que também aconteceram no Náutico, não se repetiram na Baixada devido a falta de sequência. ?Você pega mais confiança e, aos poucos, você vai melhorando. Por onde passei, fui titular o ano inteiro. Aqui, você entra numa partida, entra em outra e acaba não tendo o mesmo rendimento?, finalizou.

Gabiru

Enquanto isso, as aventuras do meia Adriano continuam. A diretoria do Atlético não bate o martelo, mas Gabiru já fala como jogador do Internacional. Os dirigentes colorados anunciaram a compra de 55% dos direitos federativos do atleta de 28 anos, mas como não dá para se confiar muito nas negociações envolvendo Adriano com seus enrolados procuradores, é melhor esperar mais um pouco.