Faltou qualidade. Mesmo com o técnico Pintado destacando – raros – momentos de lucidez do time, a diretoria se mostrou mais crítica com o péssimo resultado do Paraná Clube.

Depois de um início de Brasileiro animador, o clube vem patinando rodada a rodada, sem encontrar soluções para um novo crescimento técnico. O presidente José Carlos de Miranda admitiu estar preocupado com o nivelamento da competição.

?Neste Brasileiro, qualquer resultado é normal. Mas é ruim perder um jogo como o de sexta?, comentou o dirigente paranista. Os números são ruins e deixam apreensiva a torcida, que viu seu time liderar a competição por três rodadas e permanecer no primeiro quarto do Brasileiro confortavelmente na zona de classificação da Libertadores. ?Estou preocupado com o desempenho do nosso ataque. Desde aquele 4×4, em Recife, o time marcou poucos gols?, disse Miranda.

Desde o jogo citado pelo presidente, o Paraná disputou cinco jogos, sendo que em três deles ?passou em branco?. Foram dois empates sem gols – contra Corinthians e Fluminense -, além da derrota para o América-RN pelo placar mínimo. Nos outros jogos, o ataque só funcionou no clássico frente ao Atlético. Na vitória magra contra o Sport, o gol ?salvador? veio de um cabeceio do volante Beto. A rigor, o clube vive de uma visível dependência de seu artilheiro.

Nove dos dezesseis gols da equipe foram marcados pelo goleador do Brasil. Para os jogadores, o time ainda não encontrou uma ?fórmula? ideal para transformar a Vila Capanema num diferencial a seu favor. No Brasileiro, venceu só dois dos cinco jogos que fez em casa. Mas o problema não é pontual. O capitão Beto recorda que na Libertadores e também no Paranaense o tricolor teve dificuldades jogando em seus domínios. ?Perdemos jogos decisivos e um título. Temos que encontrar o quanto antes um jeito de atuar em casa que nos permita ter um rendimento melhor?, afirmou.

Muito desse ?jeito? de jogar passa pela qualidade do meio-de-campo. Depois de inúmeras tentativas, fica evidente a falta de um meia-armador capaz de articular a equipe, ditar o ritmo de jogo e ?alimentar? os atacantes. ?O problema, é encontrar alguém assim no mercado?, admitiu o presidente Miranda. A maioria dos meias do atual elenco têm perfil de atacantes, como Vinícius Pacheco, Vandinho, Joelson e Éverton. O único armador seria Renan, que teve sua chance contra o América de Natal, mas deixou a desejar, como praticamente todo o time.