O chefe do departamento médico da seleção brasileira, José Luiz Runco, explicou neste sábado que a decisão de deixar a Granja Comary, em Teresópolis (RJ), onde a equipe se concentra, foi tomada por Neymar. O atacante saiu da região serrana do Rio no início desta tarde, aproximadamente apenas dez horas depois de chegar ao local após fraturar uma das vértebras durante a vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia, sexta-feira, no Castelão, pelas quartas de final da Copa do Mundo.

“Sempre que um jogador se vê obrigado a não competir por problemas de ordem médica, a definição dessa questão é do atleta. O Neymar pediu para ficar em casa, onde se sente mais confortável, ao lado da sua família. Ele vai poder estar com o grupo, se a dor que ele sentir permitir, nos momentos em que os atletas estiverem mais junto, como nos jogos”, explicou, em entrevista coletiva.

Neymar se contundiu após levar uma joelhada de Zuñiga nos minutos finais do jogo contra a Colômbia. O astro, então, precisou ser substituído imediatamente da partida e deixou o campo chorando, na maca. Do estádio, Neymar seguiu para um hospital em Fortaleza para avaliar a gravidade da lesão. Com a detecção da fratura em uma das vértebras, os médicos da seleção confirmaram que o atacante não tem mais condições de defender o Brasil na Copa.

Mesmo assim, Neymar voltou para a Granja Comary, na última madrugada, sendo transportado em uma ambulância, enquanto os seus companheiros chegaram ao local no ônibus da equipe. Aproximadamente 12 horas depois, ele embarcou em um helicóptero e deixou o local, seguindo para sua residência no Guarujá, no litoral paulista.

Runco defendeu a decisão de levar Neymar até Teresópolis e explicou que ela foi sua. “A decisão foi minha. Na primeira noite, seria importante ele estar conosco. Passei a decisão, o pai dele ficou satisfeito. Ele ficou confortável na ambulância. Descansou aqui, andou de cadeiras de rodas. Voltou com toda tranquilidade. A logística foi boa para ele e para o grupo também”, disse.

O médico revelou que Neymar passou a noite ao lado do seu pai e não reclamou de incômodo. “Também trouxemos o pai, porque era importante ter alguém da família ao seu lado. Ele usou ansiolítico para relaxar e não me chamou durante a noite. Disse que incomodou um pouco, mas que também deu uma dormidinha. A face dele melhorou de ontem para hoje. Não está tão desgastado quanto no momento do trauma”, afirmou.

Runco também destacou que não existem restrições caso Neymar queira ir ao Mineirão assistir o jogo entre Brasil e Alemanha, na próxima terça-feira, pelas semifinais da Copa. Porém, ressaltou que tudo dependerá das dores que o jogador estiver sentindo.

“Depende do quadro de dor. Se estiver sem dor, nada é proibido. Não vai comprometer a recuperação, a consolidação da fratura. Precisará estar sentado, em posição confortável. Não vejo problema. Só o tempo dirá”, concluiu o médico da seleção.