Pela primeira vez no ano, o grid de largada de um GP não terá um carro da Ferrari na primeira fila. Os pneus Michelin foram decisivos ontem em Mônaco e garantiram a pole-position para Juan Pablo Montoya, da Williams, na sétima etapa do Mundial de Fórmula 1.

Mônaco

-Ao seu lado, na primeira fila, outro piloto calçado pela borracha francesa: David Coulthard, da McLaren. Michael Schumacher, o primeiro Bridgestone do grid, ficou em terceiro. Rubens Barrichello, seu companheiro, em quinto. Entre os dez primeiros colocados, só os dois da Ferrari usam os pneus japoneses.

A classificação nas ruas de Monte Carlo confirmou a tendência demonstrada desde os primeiros treinos no Principado, quinta-feira. A Michelin preparou um composto muito macio que atende àquilo que é mais importante em Mônaco: tracionar bem nas saídas de curvas. Jarno Trulli, da Renault, fez o melhor tempo nos primeiros treinos livres e repetiu a dose ontem de manhã. No final, ficou em sétimo no grid. Mas o recado já havia sido dado: a Michelin iria dar muito trabalho aos carros vermelhos.

“Eu sempre disse que a situação na F-1 pode mudar muito rapidamente”, disse Schumacher, justificando indiretamente a ordem da equipe no GP da Áustria, duas semanas atrás. “Espero que a gente seja competitivo na corrida. Se não formos, vamos tentar somar o máximo de pontos que pudermos.” A Ferrari largava com pelo menos um carro na primeira fila desde o GP da Itália do ano passado. Foram nove GPs seguidos. O último grid sem um de seus pilotos na frente fora o da Bélgica, em 1.º de setembro.

Montoya, vice-líder do campeonato com 27 pontos (Schumacher tem 54), fez a quinta pole de sua carreira e a segunda no ano a outra fora em Interlagos. Foi o único a andar abaixo de 1min17s, com o tempo de 1min16s676, média de 158,224 km/h. Também registrou a maior velocidade absoluta do dia, 295,4 km/h, na saída do Túnel.

“O carro estava muito bom e não dá para negar que os pneus ajudaram. Eu ainda dei sorte de conseguir uma volta limpa no final, o que é sempre muito difícil aqui”, falou Juan Pablo. Sua diferença para Coulthard foi de 0s392. O escocês, pole em Mônaco no ano passado, conseguiu sua melhor posição de largada no ano. O máximo que ele tinha conseguido, numa temporada ruim da McLaren, foram dois quartos lugares, na Austrália e no Brasil.

Barrichello, em quinto lugar, teve de abortar uma de suas voltas rápidas quando encontrou Coulthard pela frente. Schumacher, da mesma forma, acabou sendo atrapalhado por Montoya em uma de suas tentativas. Tráfego em Monte Carlo é sempre um problema. Por isso mesmo, a pole do colombiano acabou surpreendendo. Ele fez sua melhor volta na última saída dos boxes, quando o movimento na pista era intenso.

O GP de Mônaco começa hoje às 9h (de Brasília) e terá 78 voltas. A meteorologia afastou qualquer possibilidade de chuva e o domingo será ensolarado e quente, como ontem. Os outros dois brasileiros da F-1, que usam pneus Bridgestone como Barrichello, acabaram não conseguindo bons resultados: Felipe Massa larga em 13.º com a Sauber e Enrique Bernoldi ficou em 15.º com a Arrows. A Williams não largava na pole em Mônaco desde 1997, com Frentzen. A equipe não tem dado sorte no Principado. Sua última vitória aconteceu em 1983, com Keke Rosberg.

Dirani vence quinta etapa

Numa corrida sensacional, com três líderes, muitas ultrapassagens, brigas por posições e acidentes, Danilo Dirani venceu o quinta etapa da Fórmula-3 Sul-Americana, disputada ontem no Autódromo Internacional de Curitiba (AIC), em Pinhais, na Região Metropolitana da capital. Com o resultado, Dirani, que conquistou sua primeira vitória na categoria e assumiu a liderança do campeonato com 65 pontos contra 61 de Nelsinho Piquet que terminou na sexta posição. Angelo Serafim terminou em segundo e Luc Baumer (3.º) fez sua estréia em pódios na F-3.

Hoje, a partir das 12h, acontece a sexta etapa do campeonato. O grid de largada, que seria definido na manhã de ontem, foi transferido para hoje (das 8h45 às 9h15), em virtude da forte chuva que atingiu o AIC.

A quinta etapa porém foi recheada de lances emocionantes. “Fiquei meio confuso na largada, mas quando deu a luz verde saí e ganhei algumas posições, pois estava em nono”, contou Dirani.

Logo na largada aconteceram penalizações a Thiago Medeiros e Nelsinho Piquet (1.º e 2.º no grid). De acordo com a direção de prova, os dois queimaram a largada e foram punidos com 10 segundos no box. Thiago fez excelente corrida de recuperação e terminou no quarto lugar, enquanto Nelsinho, depois de cumprir a penalização, rodou e acabou na sexta posição.

Com a punição aos dois primeiros, Daniel Scandian assumiu liderança, mas poucas voltas depois abandonou com problemas no câmbio. Dirani assumiu a liderança e mostrou maturidade, segurando a pressão de Serafim.

Para Luc Baumer, estreante em pódios da F-3, o terceiro lugar foi resultado do trabalho de toda a equipe. “Estou muito contente com meu primeiro pódio na categoria e na temporada. Tive sorte de não me envolver em acidentes”, disse Luc.

Na F-3 Light, Daniel Landi conquistou sua segunda vitória consecutiva. Depois de vencer na Argentina sob bandeira amarela, ele disse que desta vez a emoção foi muito maior. “Deu para arrepiar”, disse Landi, que assumiu a vice-liderança da F-3 Light. Duda Azevedo foi o segundo, com Fábio Souza chegando em terceiro.