O Brasil perdeu nesta sexta-feira uma de suas maiores atletas. Aos 78 anos, Maria Esther Bueno faleceu em decorrência de um câncer. Ela estava internada há dias em um hospital de São Paulo, e acabou não resistindo. Com ela parte um capítulo grandioso do esporte brasileiro. Campeã sete vezes em simples de torneios do Grand Slam de tênis, Maria Esther não recebeu nem um pouco do que merecia em homenagens e reconhecimento em vida. Agora, fica a memória de uma esportista única.

Em um esporte já com pouca visibilidade no Brasil, o leitor pode imaginar como era nos anos 1950. Nos “anos dourados”, apenas o futebol atraía os holofotes – naquele tempo, basquete e turfe eram os únicos com mais espaço. E foi neste período que a jovem Maria Esther surgiu para o cenário mundial do tênis. Começou a jogar em 1950, e nove anos mais tarde conquistou pela primeira vez o Torneio de Wimbledon, o mais importante do mundo. Conseguiu a proeza de ser campeã de um Grand Slam quase 40 anos antes de Gustavo Kuerten em Roland Garros.

E Maria Esther ainda venceu em Londres mais duas vezes, em 1960 e 1964. Foi por três anos a primeira colocada do ranking mundial do tênis feminino. E ainda ganhou por quatro oportunidades o Aberto dos Estados Unidos, outro torneio do Grand Slam (1959, 63, 64 e 66). Foi campeã também em duplas, aí conquistando os quatro grandes torneios do tênis: Wimbledon (58, 60, 63, 65 e 66), US Open, (60, 62, 66 e 68), Roland Garros (60) e Aberto da Austrália (60).

Ao todo, foram 589 títulos internacionais, uma marca que dificilmente será atingida por outro tenista brasileiro – a ponto de ela entrar no Hall da Fama Mundial do tênis em 1978 (Guga também está lá, entrou em 2012). Ao encerrar a carreira, viveu praticamente incógnita em São Paulo por anos, até a explosão do esporte no País. Mesmo assim, o reconhecimento foi pouco. A única homenagem relevante em vida no Brasil foi o batismo da quadra central do Parque Olímpico do Rio de Janeiro, onde aconteceram as finais do tênis na Olimpíada de 2016.

Recentemente, Maria Esther virou comentarista da TV Globo, do SporTV e da rede inglesa BBC. Ano passado, ela retirou um tumor do lábio, mas a doença se alojou na garganta e o quadro se agravou em abril, após penosas sessões de radioterapia. Nos últimos meses, o câncer havia se espalhado por outras partes do corpo, até a crise que a levou na noite desta sexta-feira. Todas as homenagens serão poucas para a maior tenista do Brasil. E, porque não, a maior atleta do Brasil.