Motivadores não são personagens novos no futebol brasileiro. O primeiro “psicológo” do País a trabalhar com uma equipe começou por cima, na Seleção Brasileira campeã do mundo de 1958. João Carvalhais, especialista em testes psicotécnicos, ajudou o chefe da delegação Paulo Machado de Carvalho no início da preparação. Teria sido melhor não ter colaborado, pois segundo o “especialista”, Garrincha não teria condições sequer de dirigir um ônibus em São Paulo. Foi mais eficiente a ação de Paulo Machado, que animou os tensos jogadores ao dizer que a camisa azul a ser usada na final da Copa tinha a cor “do manto de Nossa Senhora Aparecida”.

No passado era assim, tudo muito empírico, com jogadores e dirigentes na base da conversa para motivar os atletas. Carlito Rocha (presidente do Botafogo), Modesto Roma (presidente do Santos) e João Saldanha (jornalista, técnico do Botafogo e da Seleção) eram mestres em cativar os “boleiros” e conseguir vitórias. No futebol paranaense, técnicos como Borba Filho e Geraldo Damasceno também sabiam trazer o elenco para si, com bom papo e táticas simples. Sem falar em Hélio Alves, o Feiticeiro, que deixou saudades em vários times do Estado.

A Psicologia do Esporte, a rigor, só foi usada com eficiência no Campeonato Brasileiro de 1978. João Serapião de Aguiar fez um trabalho de longo prazo no Guarani (que não dispensou, ao mesmo tempo, os “trabalhos” de um tal Caboclo Guarantã) que desaguou na conquista do título. Mais de vinte anos depois, Serapião ajudou o Atlético na chegada à Libertadores de 2000 e no título paranaense do mesmo ano – sempre em parceria com Oswaldo Alvarez.

Percebendo o sucesso do trabalho pelo menos em médio prazo, o Furacão apostou na paulista Suzy Fleury, para muitos uma personagem decisiva na conquista do título brasileiro de 2001. Ela veio a pedido do técnico Geninho – enquanto, no mesmo período, Regina Brandão fazia algo semelhante na Seleção que seria campeã da Copa-2002 com Luiz Felipe Scolari. Oito anos antes, Evandro Mota esteve ao lado de Carlos Alberto Parreira na conquista do tetra – e, mais tarde, fez uma “tabelinha” com Abel Braga no Coritiba, no Paraná Clube e no Internacional campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2006.

O mais recente “guru” do futebol paranaense é Gilberto Gaertner, que tem uma parceria de longa data com Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei masculino. Ele fez várias intervenções no Paraná Clube, desde salvações no Torneio da Morte até a ajuda para a chegada na Copa Libertadores.