Na 4.ª Divisão do Campeonato Paulista, um antigo ídolo da torcida atleticana está embarcando em um dos mais ousados projetos do futebol brasileiro. Ricardo Pinto estreou no último domingo (22 de julho) como técnico do Red Bull Brasil. Mais uma ofensiva da multinacional austríaca que fabrica a famosa bebida energética e vêm revolucionando o marketing esportivo.

Depois de patrocinar corridas aéreas, desafios de motocross, equipes de Fórmula 1, pilotos e atletas de esportes radicais, a Red Bull decidiu atacar também no futebol brasileiro.

Em maio, a empresa lançou seu novo time, que tem sede em Vinhedo, próximo a Campinas e 78 quilômetros distante da capital São Paulo e sonha em peitar os grandes a partir de 2012, quando planeja chegar à 1.ª Divisão do Paulista.

Experiência no futebol não falta à Red Bull, que já possui dois times. O de Salzburg, na Áustria, é o atual campeão nacional. O de Nova York tenta se firmar como uma das principais forças da MLS, a liga profissional dos Estados Unidos.

Ricardo Pinto entrou nessa história na semana anterior. Na 4.ª-feira, dia 16, ele deixou o Lemense, que também disputa a 4.ª Divisão do Paulistão, para substituir Paulo Sérgio no comando do Red Bull. Um desafio que pode dar asas à carreira de treinador do ex-goleiro do Furacão.

A organização foi a primeira coisa que chamou a atenção de Ricardo. “A estrutura aqui é brincadeira. Coisa de 1.ª Divisão”, elogia. A qualidade do elenco, ele pôde conhecer cinco dias depois. Precisando de um empate para passar à segunda fase da competição paulista, o Red Bull goleou o Primavera por 8 a 0.

Quem roubou a cena na estréia de Ricardo Pinto foi outro velho conhecido dos paranaenses. O atacante Maurílio, ex-Paraná, marcou três gols, logo em sua primeira partida pelo Red Bull.

Aos 38 anos, ele chegou para ser uma das estrelas do time, ao lado do volante Gilmar Fubá, 32, ex-Corinthians. “O elenco é muito bom e tem condições de brigar pelo acesso”, aposta Ricardo.

O próximo jogo está marcado para amanhã, contra o Brasilis, de Águas de Lindóia. O adversário do Red Bull também está invicto na competição, com 9 vitórias e 3 empates. Mas o técnico já projeta vôos mais altos dentro do próprio clube.

“Podemos crescer. O plano é ir subindo, construir um centro de treinamentos e chegar o mais rápido possível na elite do Paulista. A idéia é montar um time à altura da estrutura, que é incrível”, afirma.

Para Ricardo Pinto, porém, esse é apenas mais um estágio no caminho rumo a seu principal desafio. “Tenho alguns sonhos. Quem sabe no futuro voltar ao Atlético como treinador. É uma possibilidade que existe, mas preciso estar muito bem preparado. O trabalho que venho fazendo é praticamente uma pré-temporada para um dia poder voltar”, sonha o ex-goleiro e um dos ídolos do Rubro-Negro na metade dos anos 90s.