Histórico saco de pancadas na América do Sul, a Venezuela é, no momento, a maior surpresa do futebol mundial. A equipe sub-20 do país superou o status de time mais fraco do continente e vai disputar neste domingo, às 7 horas (de Brasília), contra a Inglaterra, a final do Mundial da categoria, na Coreia do Sul.

É a primeira decisão da Venezuela em torneios da Fifa. O segredo do sucesso está na preparação realizada pelo elenco, aliada ao surgimento da melhor geração da história e ao regulamento dos campeonatos locais, que obrigam a escalação de novatos em todos os times.

A façanha da Venezuela é tão gigantesca que mesmo do outro lado do mundo, na Ásia, os jovens jogadores têm reiterado o quanto querem amenizar o sofrimento da população do país, que atravessa grave situação econômica. “Temos um compromisso e responsabilidade com nosso país. Temos que dar alegrias ao nosso povo, que muito merece”, disse o goleiro Wuilker Faríñez em vídeo gravado pela federação local.

As alegrias com os garotos da seleção são um oásis no caos vivido no esporte venezuelano. Os problemas do país fizeram com que campeonatos locais de diversas modalidades fossem paralisados por falta de dinheiro. Mesmo com o apoio governamental, os clubes de futebol são fracos e todos os oito representantes da Venezuela na Copa Libertadores e na Copa Sul-Americana caíram na primeira fase.

A seleção é a única do continente a nunca ter se classificado para uma Copa e já não tem mais chances de ir ao Mundial da Rússia, em 2018. A esperança, agora, é para que a geração atual possa mudar esse panorama, como tem feito nesta campanha. Na trilha para a decisão, bateu equipes tradicionais como Alemanha, México e Uruguai.

A participação na final coroa um planejamento iniciado no ano passado, quando a Venezuela foi a primeira a se reunir para disputar o Sul-Americano sub-20, no Equador. No torneio realizado no início de 2017, ficou em terceiro lugar, à frente do Brasil, o quinto, que ficou sem vaga.

A Venezuela levou à sério o Mundial. O elenco foi incorporado à seleção principal para pegar experiência, é comandado pelo mesmo treinador, o ex-goleiro Rafael Dudamel, e disputou amistosos contra times italianos antes de viajar à Coreia do Sul.

Destaques da equipe, como o atacante Peñaranda, do Málaga, da Espanha, e o meia Soteldo, do Huachipato, do Chile, ganharam experiência graças às regras dos torneios venezuelanos. No campeonato local, todos os times precisam ter em campo um jogador com menos de 20 anos. Já na Copa da Venezuela, é obrigatório contar no elenco com atletas menores de 16 anos.