Mulher não entende nada de futebol. Este pensamento machista ainda aparece num meio profissional tipicamente masculino como o que envolve o futebol. Mas radialistas e jornalistas do sexo feminino encararam o desafio e cada vez mais conquistam seu espaço nos meios de comunicação especializados em notícias esportivas no Paraná. Não há mais surpresa quando elas, que hoje comemoram seu Dia Internacional, surgem na telinha, no rádio ou na mídia impressa.

A pioneira na cobertura de esportes no Paraná foi Sônia Nassar. Soninha, como era carinhosamente chamada pelos colegas, foi exemplo de dedicação profissional e independência, apesar do imenso preconceito existente na época. Quebrou sucessivas barreiras trabalhando na Tribuna durante quase três décadas, até morrer em 2001, pouco antes de ver o time do coração (o Atlético) conquistar seu primeiro título brasileiro. No ano seguinte, o presidente do Rubro-Negro, Marcos Coelho, fez uma homenagem pública para a jornalista, na prestação de contas pela conquista do Brasileirão.

O clube a homenageou batizando com seu nome a sala de imprensa do Centro de Treinamento do Caju.

A jornalista Mônica Santanna, correspondente da Folha de S. Paulo no Paraná durante quatro anos, fazia a cobertura de todos os jogos e, sobretudo, os vestiários, principalmente quando vinham jogar aqui os times de São Paulo. ?Cobria diariamente os três clubes da capital, sendo que um deles tinha que ter destaque. É claro que não dava conta e sempre contava com o apoio dos colegas setoristas, principalmente os radialistas?, lembra.

Mônica também foi assessora de imprensa do Atlético. ?Comecei a trabalhar somente para divulgar a Arena da Baixada, em 1998, mas as questões do dia-a-dia me levaram para a assessoria do clube em todos os aspectos. Foi muito difícil, porque ninguém dava crédito por ser mulher e por achar que não entendia de nada. Muitos não sabiam do meu trabalho realizado na Folha, exceto um ou outro. Muitos profissionais que não trabalhavam no dia-a-dia (jornalistas e radialistas) queriam ?peitar? situações e não tinham nenhum escrúpulo em me xingar e gritar. Aliás, recurso muito utilizado. Nesse meio, todos adoram gritar para fazer valer sua opinião?, relembra.

A jornalista conta um episódio marcante e constrangedor na carreira. Foi em 2000, durante um jogo entre Atlético e Grêmio: ?Veio um radialista, de Porto Alegre, cujo nome não me recordo, para transmitir a partida. Chegou em cima da hora e foi testar o link para a transmissão e não funcionava – tinha um quadro na Arena com todas as ligações. Ele tentou e nada. Alguém tinha esquecido de pedir a abertura do link e o moço não conseguiu transmitir a partida. Ele me xingou, berrou e depois chorou porque tinha patrocínio envolvido na história. Enfim… ele continua trabalhando até hoje, pois o vi na Copa do Mundo?, conta.

Desbravando as ondas das rádios

A jornalista Joyce Carvalho, já é uma ?veterana?, que soma oito anos de carreira na comunicação esportiva, em TV e rádio – os últimos três na Rádio Transamérica. Ela conta que neste período a presença da mulher no esporte deixou de ser exceção. ?Uma vez, num jogo do Paraná, todas as repórteres de TV e jornal eram mulheres. Não vejo qualquer preconceito atualmente. Só falta desbravar o rádio?, diz. Para Joyce, que pretende fazer especialização acadêmica em esporte, esta proliferação feminina já leva muitas meninas a estudar jornalismo pensando em seguir carreira na imprensa esportiva – algo incomum anos atrás.

Novata no meio esportivo, Diana Vieira, de 22 anos, estréia no próximo sábado na apresentação do ?Programa Esporte B2?, na Rádio Clube AM. Única mulher no meio de uma equipe masculina de 16 profissionais da rádio, Diana conta que resolveu enfrentar o desafio. ?Foi uma oportunidade profissional que não poderia desperdiçar?. Além de âncora do programa Diana também vai fazer entrevistas com profissionais do esporte. ?Tenho acompanhado diariamente as notícias do esporte. E acho que o público com o tempo vai se acostumar com minha presença. Na equipe fui muito bem recebida?.

Além delas, Ruthe Precoma, Ana Tereza Motta, Janaína Xavier, Janaína Castilho, Tatiana Ribeiro, Ana Luzia Mikos, Ana Zimermann, Andrea Sydorak e várias outras profissionais fizeram mais que emprestar charme e beleza ao dia-a-dia da cobertura esportiva: provaram que mulher sabe muito de futebol, entre outros esportes.