São Paulo – O promotor Rogério Leão Zagallo, da 5ª Vara do Júri, ofereceu denúncia por homicídio doloso qualificado contra Nairo Ferreira de Souza e Paulo Forte, presidente e médico do São Caetano, respectivamente, por suposta responsabilidade pela morte do zagueiro Serginho, ocorrida em 27 de outubro do ano passado.

Em documento de 20 laudas encaminhado ao juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, o promotor sustenta que o clube sabia do problema cardíaco do jogador e que deveria afastá-lo dos campos desde fevereiro mas, mesmo assim, o manteve em ação. Segundo Zagallo, o fato de deixá-lo jogando por ser titular do time, apesar das recomendações médicas, caracteriza homicídio doloso por motivo torpe, um crime hediondo cuja pena vai de 12 a 30 anos de prisão.

"O clube submeteu o jogador a mais de 50 jogos, em três campeonatos (Paulista, Brasileiro e Copa Sul-Americana), desrespeitando as normas da medicina. O clube usufruiu de uma pessoa quando ela deveria ter sido afastada da prática esportiva. E esse desrespeito às indicações médicas fez com que o jogador viesse a morrer", afirmou o promotor, ontem.

A denúncia apresentada por Zagallo veio após três meses de inquérito comandado pelo delegado Guaracy Moreira Filho, do 34.º DP. Em depoimento, médicos do Instituto do Coração (Incor), onde Serginho fez exames em fevereiro e junho, relataram ter recomendado explicitamente o afastamento tanto ao jogador quanto a Paulo Forte.

Defesa

Nairo e Forte, por meio de seus advogados, negam terem sido informados da gravidade do problema. O médico do clube admite ter acompanhado Serginho na realização dos exames e ter sido informado de uma anormalidade, mas diz que o Incor jamais pediu a aposentadoria do atleta.

"Vejo a denúncia com grande espanto", diz o advogado do presidente do clube, Luís Fernando Pacheco. "De um lado, a tipificação legal, para mim, juridicamente, é um absurdo. De outro, não existe indício algum no processo que diga que o Nairo tivesse ciência da situação do atleta."

Na denúncia, Zagallo lista 14 testemunhas, sendo 12 médicos, uma jornalista e Helaine Cunha, viúva de Serginho. O juiz Zorzi Rocha deve se manifestar nos próximos dias. Caso aceite a denúncia, inicia-se o processo e os réus serão citados imediatamente, mas, conforme Zagallo, não há chances do julgamento terminar ainda este ano. Se o juiz recusar a denúncia a promotoria pode recorrer da decisão.