Vital só vai saber na hora
do jogo se começa ou cede
a vaga para Márcio Egídio.

O primeiro passo foi dado, mas o segundo já é mais difícil. O Coritiba enfrenta hoje, às 20h30, o Náutico, no Estádio Eládio de Barros Carvalho (Aflitos), no jogo de ida da segunda fase da Copa do Brasil.

Por estar melhor no ranking da CBF, o Coxa tem a vantagem de jogar em casa e também a possibilidade de conquistar a vaga em apenas uma partida, caso vença por dois gols de diferença. Mas se contra o CFZ, na primeira fase, o time pensava claramente nesta hipótese, agora o respeito transcende a ousadia.
Isso porque, mesmo estando há longo tempo longe da primeira divisão (o Timbu disputou a Série A pela última vez em 1994), o Náutico é uma das equipes mais tradicionais do Nordeste. "Nós vamos enfrentar um clube grande. Temos que ter muito respeito", resume o atacante Marciano (ver matéria). "A cada fase, as dificuldades vão aumentando. E agora vamos ter um grande desafio. Nem dá para comparar com o CFZ", reconhece o capitão Reginaldo Nascimento.
Os jogadores do Coritiba estão ?sentindo o clima? do jogo desde a noite de segunda, quando chegaram a Recife. Eles viram que, para o Náutico, a Copa do Brasil é a grande chance de recuperar o clube, que sofre com as temporadas seguidas na segunda divisão. "Vamos ter que jogar com muita atenção. Neste tipo de partida, toda jogada pode ser decisiva", afirma o meia Reginaldo Vital.
Ele é um dos jogadores que espera a definição do técnico Antônio Lopes. O Delegado faz mistério na equipe que vai entrar em campo nos Aflitos. Ele pensa na possibilidade de sacar Vital e colocar Márcio Egídio, que teve bom rendimento nas duas últimas partidas do paranaense (as vitórias sobre Adap e Roma). Além de jogar bem, Egídio ajudou na marcação e fez o time melhorar. Ele deixa aberta até possibilidades mais surpreendentes, como a manutenção de Jackson e a entrada de Rubens Júnior. "Nós temos que colocar tudo para analisar e pensar o que vai ser melhor para o Coritiba", resume o treinador, campeão da Copa do Brasil em 1992 com o Internacional.
A entrada de Egídio deixaria o time com mais poder de marcação, o que faltou na partida contra a Adap. "Se o professor Lopes me der uma oportunidade, vou fazer de tudo para ajudar o Coritiba", assegura o volante. Com Reginaldo Vital mantido, permanece a estrutura ofensiva do meio, que ganha ainda mais força com o retorno de Marquinhos, que não jogou as duas últimas partidas. "Quero avaliar bem, ver como o Náutico vai jogar para depois decidir", escapa Lopes.

Marciano volta ao Nordeste com moral

Pela primeira vez desde que deixou o Nordeste, Marciano viajou para sua região de origem. E chega com o status que deixou – artilheiro do campeonato paranaense com sete gols, o atacante tornou-se rapidamente um dos principais jogadores do Coritiba, e agora é uma das esperanças da equipe no jogo desta noite contra o Náutico. Pelos pés do "Intergalático" passa uma possível vitória e até mesmo a classificação antecipada alviverde.
Por ser ?da terra? (mesmo não sendo pernambucano), Marciano sabe como são as coisas nos Aflitos. "Lá eles partem para cima mesmo. Se depender da torcida, que faz muita pressão, o Náutico vai sair desde o início do jogo para o ataque. Por isso precisamos ter muito cuidado com os primeiros minutos da partida. Depois, esta pressão pode passar para o nosso lado", comenta o atacante, que será o único representante nordestino no time titular do Coritiba.
Marciano sabe que a responsabilidade aumenta a cada gol que faz. Contra a Adap, foram dois, matando a saudade que ele mesmo dissera sentir nos jogos anteriores. "Claro que a artilharia é muito boa, mas isso não interessa nada se o Coritiba não vencer", afirma o atacante, que chegou a ser cobrado pelos erros de finalização. "Ainda não estou no melhor da minha forma", justifica.
A forma de corrigir os defeitos está na ponta da língua. "Eu não posso parar de treinar e tentar me aperfeiçoar. E aqui no Coritiba a gente trabalha muito, e com isso nós temos condições de evoluir a cada partida", comenta Marciano, que está confiante em um bom rendimento do Coxa em Recife. "Será muito complicado, mas vamos tentar vencer. E se eu puder ajudar marcando gols, vou fazer a minha parte", resume o atacante.

Vantagem no confronto é dos pernambucanos

O Coritiba pouco enfrentou o Náutico, e o time pernambucano não está muito presente na memória do torcedor alviverde. Melhor, pois o retrospecto de confrontos entre as duas equipes é favorável ao adversário. Além da vantagem recifense, os jogos foram sempre de muitos gols. Pelo menos o Coxa pode dizer que o alvirrubro foi um dos times que caíram durante a campanha do título brasileiro de 1985.
Em seis partidas oficiais entre Náutico e Coritiba, o Timbu venceu quatro vezes, o Coxa apenas uma e houve um empate. Os paranaenses marcaram oito gols e os pernambucanos doze – a média é de 3,33 gols por partida. Outra má notícia – o Cori nunca venceu jogando em Recife (três derrotas e um empate).
A única vitória aconteceu no Campeonato Brasileiro de 1985, ano em que o Coxa conquistou seu título. Foi em 3 de março, por 2×0, com gols de Índio e Édson. O time, já treinado por Ênio Andrade, começava a arrancada para a classificação na primeira fase da competição. Mas a última partida entre as equipes, também no Brasileiro de 85 (em 10/04), teve vitória do Náutico, também por 2×0 (gols de Baiano e Neto).

COPA DO BRASIL
2ª Fase – Jogo de Ida
Em campo
Local: Eládio de Barros Carvalho (Recife-PE)
Horário: 20h30
Árbitro: Jorge Luiz da Silva (AL)
Assistentes: Albino Andrade Albert Júnior (PE) e Alcides Augusto de Lira Júnior (PE)

Náutico X Coritiba

Náutico
Nílson; Bruno Carvalho, Gérson, Batata e Marquinhos; Gallo (Williams), Luciano, Marco Aurélio (Diego) e Aílton; Kuki e Almir Sergipe. Técnico: Mauro Galvão

Coritiba
Fernando; Rafinha, Miranda, Alexandre e Ricardinho; Reginaldo Nascimento, Reginaldo Vital (Márcio Egídio), Luís Carlos Capixaba e Marquinhos; Luís Carlos e Marciano. Técnico: Antônio Lopes