A bomba explodiu de vez. Veio à tona ontem o depoimento de Nelsinho Piquet à FIA confessando que bateu seu carro de propósito no GP de Cingapura do ano passado, para favorecer seu companheiro Fernando Alonso e garantir à Renault sua primeira vitória no ano. A motivação do brasileiro: agradar os chefes e garantir a permanência no time no ano seguinte, o que acabou acontecendo.

O depoimento de Piquet Jr. foi tomado no dia 30 de julho, quatro dias depois de sua última corrida pela Renault, na Hungria. No texto, de 16 parágrafos, Nelsinho diz que contou tudo a um amigo da família, Felipe Vargas, que depois teria contado ao seu pai, o tricampeão mundial Nelson Piquet.

Após a demissão do filho, teria sido Piquet o responsável por comunicar os fatos à FIA, que então abriu as investigações. No depoimento, Nelsinho alega que vivia num “estado emocional frágil’, por não saber se a Renault iria renovar seu contrato, ou não.

E conta que algumas horas antes da corrida foi chamado por Flavio Briatore, chefe da equipe, e Pat Symonds, diretor-técnico, que pediram a ele que batesse deliberadamente entre as voltas 13 e 14 exatamente na curva 17, onde não havia guindaste para a remoção do carro. Era a “estratégia da batida”, para ajudar o piloto espanhol.

Isso causaria a entrada do safety-car no momento em que Alonso, que largaria em 15º, já tivesse feito seu primeiro pit stop. Os demais entrariam nos boxes e ele ganharia várias posições. Foi exatamente o que aconteceu.

Nelsinho diz que bateu de propósito, que ninguém mais no time sabia da armação, que não se falou sobre a permanência na equipe caso cumprisse a ordem, mas que achava que isso acabaria acontecendo.

Aconteceu também. Seu contrato foi renovado. O brasileiro contou que recebeu um discreto “obrigado’ de Briatore após a corrida, e que nunca mais se falou no assunto internamente.

A FIA não se pronunciou ontem, nem Briatore, chamado a Paris para dar explicações ao presidente da montadora, o brasileiro Carlos Ghosn. A Renault pode processar o piloto. Alonso desconversou e se disse “surpreso’. Nesse clima, hoje, começam os treinos para o GP da Itália, em Monza.