Depois de conseguir duas vitórias e duas derrotas nos quatro primeiros compromissos da temporada de 2014, o técnico do Atlético, Miguel Ángel Portugal ainda está em busca da melhor formação do time para a sequência da Libertadores da América. O setor ofensivo foi o mais modificado até agora e, em relação a temporada de 2013, quando teve o melhor ataque do Campeonato Brasileiro com 65 gols marcados, o Furacão está com seu poder de fogo diminuído neste início de ano. O atacante Adriano, principal reforço contratado em 2014, está visivelmente desconfortável com as poucas participações que teve nas duas últimas partidas e espera ser mais que mera peça de marketing para o clube neste ano.

Na derrota para o Vélez Sarisfield, na Argentina, mesmo com as dificuldades ofensivas do Atlético, o Imperador entrou aos 37 minutos da etapa final quando o time argentino já vencia por 2×0. O jogador, que ainda não está na sua melhor forma física e sente a falta de ritmo de jogo, não gostou de, pela segunda vez, ter participado pouco de uma partida. Antes de a bola rolar, Adriano avisou que estava pronto para ajudar o Furacão por pelo menos 45 minutos.

Entretanto, ele foi preterido pelo técnico Miguel Ángel Portugal, que preferiu colocar os atacantes Bruno Mendes e Mosquito antes dos 20 minutos da etapa final, ao invés de confiar no faro de gol do Imperador, que ficou em campo por pouco mais de 10 minutos, conseguiu uma cabeçada sem perigo e não ajudou o time atleticano a reverter a vantagem. O treinador se defendeu após o jogo e explicou que a volta do Imperador aos gramados terá que acontecer com tranquilidade.

Até agora, o único jogador que tem cadeira cativa no setor ofensivo é Éderson, que marcou dois dos quatro gols do Atlético na Libertadores, ambos em cobrança de penalidades, nas duas partidas contra o Sporting Cristal, do Peru, pela fase preliminar do torneio. Os outros dois gols do Furacão na competição foram anotados por jogadores defensivos. O zagueiro Manoel marcou contra os peruanos e o volante Paulinho Dias fez o gol da vitória sobre o The Strongest, na Vila Capanema, na estreia da fase de grupos.

Nas quatro partidas realizadas até agora, algumas formações foram testadas, mas nenhuma ainda surtiu o efeito esperado pelo treinador. Além da falta de poder de fogo dos atacantes, o Furacão sente, em 2014, a falta de um camisa 10. No ano passado, a dupla de armadores formada por Paulo Baier e Everton rendeu o esperado e conduziu o Atlético à vaga na Libertadores e ao vice-campeonato da Copa do Brasil. A efetividade ofensiva foi tão grande em 2013 que, dos 65 gols marcados pelo Rubro-Negro no Brasileirão, nada menos do que 53 (81%) foram anotados por jogadores de frente. A esperança para a retomada do bom momento do ataque pode estar em Adriano ou em formatações táticas mais coesas, que Miguel Ángel Portugal terá que aplicar a partir de agora.