Arce, estrela do Libertad.

Assunção –

Clubes com problemas financeiros, ingressos caros e torcida fugindo dos estádios. As dificuldades tão comuns no Brasil não são diferentes das do Paraguai, que vive um dos momentos mais delicados de sua história esportiva. Os dois principais clubes do país estão decadentes, e a grande esperança é um ?emergente?, uma espécie de São Caetano que fala guarani.

É o Libertad, clube antigo (completou 90 anos em 2003), mas que sempre ficou relegado ao segundo plano, longe da importância e dos títulos de Olimpia e Cerro Porteño. Depois de uma mudança de diretoria, e da entrada de ricos empresários ao comando do clube, a história mudou, e atualmente a equipe é bicampeã nacional – além de liderar o atual Torneio Apertura.

O centro de treinamentos da equipe, localizado no centro de Assunção, impressiona pelo belo estádio. Pequeno (para apenas 3.500 pessoas), o campo tem estrutura invejável para jogadores, torcedores e imprensa. Quando pode, o Libertad joga nesse estádio, usado pelo Coritiba no treinamento de domingo.

O clube é o único do país a conseguir combater a ?diáspora? dos principais jogadores. Em uma tacada ousada, tirou Guido Alvarenga do Olimpia (onde era o ídolo e principal jogador) e repatriou Arce, que rejeitou as propostas do Japão e do Brasil – o Cori era o principal interessado – para voltar para casa. O lateral tem o maior salário do futebol paraguaio: ele recebe 25 mil dólares por mês, aproximadamente 75 mil reais.

Só que tal hegemonia não se reflete nas arquibancadas. Na rodada do final de semana, apenas 851 pessoas assistiram ao jogo do Libertad com o Sport Colombia (vitória do líder do campeonato por 4×1). E foi o terceiro maior público da rodada, que chegou a ter apenas 330 pagantes em Tacuary x Sportivo Luqueño. A salvação da lavoura foi o clássico Olimpia x Cerro, que levou 17 mil pessoas ao Defensores del Chaco.

O jogo aumentou sensivelmente a média de público do campeonato, que mesmo assim patina perto das duas mil pessoas por partida (no momento, são 2.049). O total de torcedores que foram aos jogos, 90.159, é pouco maior do que o público de um clássico no Maracanã no atual campeonato carioca, que por sinal tem cobertura destacada na imprensa local – assim como o Gauchão, por causa da presença do goleiro Tavarelli no Grêmio.

O problema da torcida é o de sempre: falta de dinheiro. O país vive crise econômica, e o poder aquisitivo da população cai sensivelmente a cada ano. O ingresso mais barato nos estádios custa, em média, dez mil guaranis, o equivalente a cinco reais. Para eles, é como se cobrassem cinqüenta.