Foto: Valquir Aureliano

Ney Franco desembarcou ontem em Curitiba com a missão de impedir a queda do Furacão pra Segundona.

O salvador da pátria chegou. O mineiro Ney Franco, 41 anos, ex-Ipatinga e Flamengo, deve ser anunciado oficialmente hoje como o técnico que terá a missão de tirar o Atlético da beira da zona de rebaixamento.

Sem emprego desde que foi dispensado pelo Flamengo, no final de julho, Ney foi contatado pelo Atlético às 15h – logo após o anúncio oficial da demissão de Antônio Lopes. Ao desembarcar no Aeroporto Afonso Pena, pouco antes das 19h, o técnico foi recepcionado apenas pela imprensa paranaense. Ele reiterou que o acordo com o clube não estava firmado, mas confirmou que viria para acertar detalhes da contratação. De qualquer forma, deu a entender que a assinatura de contrato estava muito próxima. ?Fiquei lisonjeado com o convite. O Atlético tem uma das três melhores estruturas do futebol brasileiro e tem condições de deixar a situação em que se encontra?, falou.

Ney perguntou aos jornalistas como anda jogando o colombiano Ferreira – a quem elegeu como melhor meio-campista do Brasileiro de 2006 – e não escondeu a decepção ao saber que Alex Mineiro só estará à disposição no final do campeonato. Por outro lado, de cara terá um pepino para descascar – o reencontro com o volante Claiton, a quem afastou enquanto dirigia o Flamengo.

Meia hora e um café depois, o técnico encontrou-se com o presidente do conselho gestor atleticano, João Augusto Fleury da Rocha, que demorou a chegar ao aeroporto por estar preso no trânsito. Fiel ao estilo ?ensaboado? da direção do clube, o cartola não quis antecipar a contratação. ?Nesse momento em que estamos sem treinador, precisamos da consultoria de um dos grandes técnicos do País. Ele quis conhecer a estrutura do clube e viemos recepcioná-lo?, falou.

Questionado se Ney tinha o perfil para dirigir o Atlético, Fleury devolveu com outra pergunta. ?Por que não? É um treinador de primeira linha, e o Atlético, um clube de 1.ª divisão. Ele foi convidado a dialogar sobre a melhor saída para o Atlético como aspirante a treinador de clubes de ponta?. Sobre a mudança no comando, o presidente rubro-negro disse que é uma prova de que a diretoria ?não está parada? na tentativa de tirar o Furacão da posição desconfortável no Brasileiro.

O técnico deve trazer a tiracolo o auxiliar Moacir Pereira, com quem trabalhou no Flamengo.

Uma ?bomba? a menos

Clewerson Bregenski

A bomba arremessada no campo por um torcedor, no jogo do último sábado, contra o Figueirense, foi registrada na súmula pelo árbitro Paulo César Oliveira. Nela, inclusive, constam o fato de o goleiro atleticano, Julian Viáfara, necessitar de atendimento médico, em virtude da forte explosão, e de o artefato ter arrancado um pedaço do gramado.

Em contrapartida, o árbitro relatou também que o torcedor infrator foi identificado e detido e que a Polícia Militar emitiu boletim de ocorrência sobre o fato. Segundo os advogados do clube, ele teria sido apontado por outros atleticanos que assistiam ao jogo no mesmo setor da Arena.

Tal atitude pode amenizar a situação e até salvar o clube de alguma punição. De acordo com o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, se o Atlético apresentar o boletim de ocorrência, demonstrando que tomou providências diante do incidente, não deverá sequer ser denunciado ao STJD e, portanto, não correrá o risco de perder mandos de jogos.

Diretoria rubro-negra faz uma ?limpa?

Os maus resultados em campo ocasionaram uma demissão em massa no Atlético. No início da tarde de ontem, o clube anunciou o afastamento do técnico Antônio Lopes, do filho dele, Lopes Júnior (auxiliar técnico) e também do diretor de futebol Oscar Yamato. A motivação alegada para a demissão é por ?critérios técnicos?, segundo nota inserida no site do Rubro-Negro. Ney Franco, ex-Flamengo, esteve no início da noite de ontem em Curitiba para conversar com a diretoria atleticana e acertar sua permanência.

Lopes chegou ao Atlético em junho, para dar seqüência ao trabalho iniciado por Oswaldo Alvarez (Vadão) que deixou o clube, na 10.ª posição, depois da vexatória derrota por 3 a 0, para o Goiás (10/6), em plena Arena. O Delegado assumiu o time na 6.ª rodada, na partida contra o Fluminense. Em pouco mais de dois meses de trabalho, obteve uma campanha muito abaixo da expectativa. Em 15 jogos pelo Brasileirão conseguiu apenas três vitórias, sete empates e cinco derrotas, com um aproveitamento de apenas 35,5%.

Os resultados em casa – grande arma do Rubro-Negro -também complicaram a vida do treinador. Em sete jogos com o apoio da torcida, venceu apenas o Juventude e Flamengo – times que estão na zona do rebaixamento – e empatou outras cinco. Sob o comando de Lopes, o Furacão praticamente deu adeus à Copa Sul-Americana ao perder para o Vasco, na Arena, por 4 a 2 , na semana passada.

O cargo de Antônio Lopes balançou logo após essa derrota, quando começou uma movimentação pedindo a saída do treinador. Na verdade, ele não vinha agradando a torcida há algum tempo, graças a escalações defensivas e substituições equivocadas. Porém, tinha o respaldo da diretoria atleticana.

O jogo do último sábado, contra o Figueirense, foi a gota d?água. O Delegado substituiu Netinho, que naquele momento era o melhor jogador, e deixou em campo a dupla de atacantes Dinei e Marcelo, que nada produziu. Na ocasião, cerca de 7 mil torcedores entoaram o grito de ?Fora, Antônio Lopes?.

Após mais um empate com sabor de derrota, o Delegado disse, na entrevista coletiva, que precisava de mais tempo para trabalhar e defendeu Dinei – jogador mais contestado pela torcida e comentaristas esportivos. Ele elogiou o atacante e afirmou que Dinei permaneceria jogando como titular na equipe. Provavelmente, foram essas palavras que selaram a terceira passagem de Lopes frente ao Atlético. Ele comandou o Furacão em 2000 e também em 2005, quando obteve o inédito vice-campeonato da Copa Libertadores.

Lopes Júnior chegou junto com Antônio Lopes. Já Yamato deu as caras no CT do Caju poucos dias antes. O nome dos dois possuía grande restrição perante a torcida atleticana, pois ambos trabalharam no rival Coritiba, exatamente no ano em que o Alviverde foi rebaixado.

Mais dois atacantes podem pintar na área

Após a venda de Denis Marques para o Japão e da operação na face de Alex Mineiro, que permanecerá em recuperação até novembro, o ataque atleticano perdeu qualidade e o faro de gol. A nova dupla Marcelo e Dinei não tem se apresentado bem e sequer tem aproveitado as chances que aparecem. Os dois juntos marcaram apenas cinco gols no Brasileirão, até o momento. Diante dessa carência, ontem surgiu a notícia de que podem pintar dois especialistas no CT do Caju. Roger Rodrigues da Silva, 22 anos, e Geílson de Carvalho Soares, 23.

Roger está na Ponte Preta, onde iniciou sua carreira, e disputou alguns jogos pela Série B. Fez parte do plantel do São Paulo em 2005, na conquista do título mundial e depois jogou no Palmeiras. O atacante está por empréstimo na Macaca até o final deste ano e seus direitos federativos pertencem ao Tricolor paulista até dezembro de 2010. A informação de que ele pode vir para o Atlético procede, pois o clima do jogador com a torcida e dirigentes campineiros é de insatisfação. Ele atuou em seis partidas e não marcou nenhum gol. Além disso, segundo a imprensa local, Roger conseguiu ser expulso em duas oportunidades. Em uma delas agrediu um dos assistentes com uma peitada e pegou quatro jogos de suspensão. Na outra, jogou um copo plástico em um torcedor do time visitante e pegou mais quatro partidas.

A outra sondagem já tem identificação com o Rubro-Negro. Geílson de Carvalho Soares jogou no juvenil do Furacão em 2000 para depois tornar-se profissional e ganhar o mundo. Em seu currículo constam as equipes do Mixto (MT), Mirassol (SP), Albirex Nigata (Japão), Internacional e Santos, onde atuou de 2004 a 2006. Neste ano jogou no Al Hazm, da Arábia Saudita.

Rusgas do passado

Caso seja confirmado como novo técnico do Atlético, Ney Franco já chega com um problema para resolver. Ainda no comando do Flamengo, em junho, o treinador afastou o volante Claiton da equipe e tal decisão gerou protestos do jogador, que não gostou de ser o bode expiatório da fase ruim pela qual o Urubu passava. O volante foi afastado após a goleada aplicada pelo Figueirense, por 4 a 0.

Sem espaço no Flamengo, Claiton acertou sua transferência para o Atlético em troca do volante Cristian, em julho.

Claiton, até o momento, teve atuações irregulares no Furacão e ainda busca uma vaga no time titular do Atlético. E agora reencontra seu desafeto no comando da equipe.

Mudança caseira

Alberto Maculan assume a diretoria de futebol no lugar de Oscar Yamato. Maculan está há vários anos no Furacão e conhece o clube como ninguém. Inclusive, no ano em que o Rubro-Negro foi campeão brasileiro (2001), era ele quem desempenhava a função de diretor de futebol.

Atualmente, o dirigente era apontado como o responsável por administrar as obras de conclusão da Arena.