Neymar está com a seleção brasileira na Argentina, a mais de 2300 km de Santos, mas a sua possível saída para a Europa é o assunto que domina a Vila Belmiro. Em sua primeira entrevista após a conquista da Libertadores, o técnico Muricy Ramalho falou pouco sobre o retorno do time ao Campeonato Brasileiro e sobre o jogo com o Figueirense na quarta, e se estendeu mais ao ser questionado sobre o futuro do jovem atacante.

O treinador mostrou-se preocupado não apenas com o prejuízo que a saída do craque representaria para as pretensões do clube, mas também com o futuro da carreira do jogador. “Estão falando que pode ser o Real Madrid e eu não sei se ele se daria bem lá, porque não teria a liberdade que tem aqui. O Real é um time totalmente tático. Não sei como Neymar se encaixaria. Aqui no Santos ele está numa grande vitrine. No Real, será apenas mais um”, afirmou.

Muricy também desaconselhou uma eventual ida para o futebol inglês. “O futebol de lá é duro, de muita marcação e pancada. Claro que Neymar é um craque, mas precisa tomar cuidado com a carreira. Minha opinião é que ele deve ficar no Santos até a Copa do Mundo”, acrescentou.

Na segunda-feira, o presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro revelou ter recebido proposta de cinco clubes dispostos a depositar a multa de 45 milhões de euros (mais de R$ 102 milhões) para iniciar a negociação com o jovem atacante.

Preocupado, Muricy também revelou estar com medo de perder outros jogadores até o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro. “Ninguém sabe o que vai acontecer. Sei que os nossos jogadores estão muito valorizados. Todos os dias são feitas consultas. Enquanto a janela estiver aberta, ninguém pode falar nada. Não sabemos quem vai permanecer. A qualquer momento, alguém decide sair e vai mesmo, porque quem manda é jogador e não o clube. Se o clube contrata e não sai ninguém, fica com excesso de jogadores e compromete as finanças, e, se esperar demais, pode não conseguir as reposições ideais”, ponderou Muricy.

Ele aprova a contratação de jogadores como Zé Roberto, Diego e Cleiton Xavier, mas sabe que são reforços que exigem altos salários. “Todos querem jogar aqui e dizem que amam o Santos, mas também amam o bolso”, ironizou o comandante santista.