Em Salvador, a maior cidade negra fora da África, o Uruguai, a primeira seleção a aceitar negros em sua equipe, e a Nigéria, nação mais populosa africana, se enfrentam nesta quinta-feira, às 19 horas, na Arena Fonte Nova, em uma partida que deve decidir um dos classificados do Grupo B para a semifinal da Copa das Confederações. O jogo decisivo ocorre justamente em um momento que a Fifa fala que pretende punir mais severamente os atos racistas nos estádios. “Será apenas uma partida de futebol, com negros e brancos nas equipes. Nunca tive qualquer tipo de problema com o racismo”, explicou o lateral-esquerdo uruguaio Cáceres.

Na Copa América de 1916, o Uruguai tinha dois jogadores negros em seu quadro. Foi campeão, com grande atuação de Isabelino Gradín e Juan Delgado. O Chile, derrotado na estreia por 4 a 0, chegou a pedir a anulação da partida por causa da presença de negros. Isso tudo naquela época. Já a Nigéria é a maior nação negra do mundo, com 170 milhões de habitantes e uma matriz cultural que se mantém viva nas ruas de Salvador. Os nigerianos acham que podem, inclusive, contar com o apoio da torcida local.

Na capital da Bahia, por causa de décadas de exploração africana através da escravidão, a presença de negros é muito forte. “Estamos muito felizes de estar em Salvador. A população afrodescendente aqui no Brasil é muito grande, mas não sei se as pessoas vão conseguir fazer algo tangível para ajudar nossa seleção. De qualquer maneira, nós estamos muito felizes. Vamos chegar e nos divertir”, avisou o técnico Stephen Keshi.

Ele prefere não adiantar a escalação, mas o mais provável é que use os mesmos titulares que estrearam contra o Taiti, na goleada por 6 a 1. Por causa desse resultado, a Nigéria sabe que até um empate pode ser útil, pois o adversário foi derrotado pela Espanha na primeira rodada e isso faria com que os uruguaios tivessem obrigação de golear o Taiti na última partida do Grupo B, levando-se em conta que a Espanha também venceria os africanos na terceira rodada.

Para o jogo, os nigerianos evitam analisar individualmente os rivais desta quinta na Arena Fonte Nova, mas sabem que o Uruguai tem um grande poder de fogo no ataque. “Pessoalmente nós não vamos ter uma questão especial com os atacantes, temos 11 jogadores, os reservas, e vamos enfrentar o Uruguai da melhor maneira possível”, disse o goleiro Vincent Enyeama. “Nós vamos nos focar nem no Cavani, nem no Suárez, pois o Uruguai tem ótimos jogadores. A combinação deles que é difícil”.

Do lado uruguaio, o atacante Cavani lembra que o apoio da torcida para os nigerianos não será um fator de desequilíbrio. “Neste tipo de competição não conta tanto ter a torcida a favor ou contra. Precisamos apenas manter a concentração”, afirmou. O jogador, que formará dupla com Suárez e terá Forlán como meia para facilitar a criação, acha que o Uruguai pode reeditar as boas atuações que levaram praticamente o mesmo grupo a chegar nas semifinais da Copa do Mundo de 2010 e a vencer a Copa América no ano seguinte em plena Argentina. “A experiência conta muito nesse tipo de competição. O grupo já fez partidas decisivas e temos de pensar na vitória”, concluiu.