O técnico Gilson Kleina vai completar 150 jogos no comando da Ponte Preta diante do São Paulo, neste sábado, a partir das 19 horas, no estádio do Morumbi, na capital paulista, pela 23.ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para alguns críticos, uma derrota ou até mesmo uma atuação abaixo do nível podem determinar a sua saída do cargo. O próprio treinador lembrou disso na entrevista coletiva nesta sexta-feira, após o treino final, e citou a coincidência em relação ao adversário.

“Naquela vez a gente também precisava vencer e conseguimos. Agora é igual. Estou satisfeito porque senti muito empenho dos jogadores nesta parada que tivemos. Vai ser um jogo difícil, mas estamos prontos para dar o máximo”, afirmou o técnico, em tom nostálgico e até gerando certa desconfiança.

Na sua primeira passagem pela Ponte Preta, Gilson Kleina também passou apuros antes de um jogo diante do São Paulo, pelo Campeonato Paulista de 2011. Ele tinha perdido nas duas rodadas iniciais para dois adversários do interior: 2 a 1 para o Mirassol, fora, e em casa para o Mogi Mirim. A terceira derrota seria fatal, mas o time campineiro venceu o São Paulo em pleno Morumb, por 1 a 0, com gol do meia Tiago Luis – atualmente no Goiás.

“Aquilo foi uma nova etapa na minha vida com a Ponte Preta. Espero que isso se repita”, lembrou Gilson Kleina. Depois do susto, ele disputou 115 jogos pelo clube, levando o time à semifinal do Paulistão e depois confirmou na Série B o acesso para o Brasileirão. Em 2012 trocou a Ponte Preta pelo Palmeiras, em setembro, em uma mudança que lhe valeu adjetivos de mercenário e traidor. Voltou ao time campineiro em março passado, durante o Paulistão.

MISTÉRIO TOTAL – Nesta sexta-feira, Gilson Kleina abriu o recreativo para a imprensa, mas manteve segredo total na escalação do time. Só adiantou como ele deve se comportar no Morumbi. “O time deles (São Paulo) vai entrar sob pressão da torcida e vai vir para cima. O lado emocional vai pesar porque precisaremos manter a concentração total. Nós temos que ter inteligência para aproveitar esta situação e impor nosso jogo”, revelou. Ou seja, o objetivo é marcar bem, com força, e depois ter ousadia para usar a velocidade e marcar gols. “A vitória vai dar um impulso para quem ganhar. Nós vamos buscar estes três pontos”, prometeu. A Ponte Preta soma 27 pontos, contra 23 do São Paulo.

Apesar dos treinos fechados durante toda a semana, algumas mudanças e ajustes são quase unânimes. O volante Naldo e o lateral-esquerdo Danilo Barcelos voltam porque não participaram da derrota para o Atlético Mineiro por 2 a 1. O primeiro estava suspenso e o segundo tem vínculo com o clube de Belo Horizonte.

Naldo vai atuar como um terceiro zagueiro tendo ao lado dois volantes: Fernando Bob e Elton. A ligação ao ataque vai ser desempenhada por Emerson Sheik. Uma função que Renato Cajá também pode desempenhar, porém ainda sem ritmo de jogo. Mas o meia ficará como opção no banco de reservas e com chances de entrar durante o jogo.

No ataque existe uma dúvida porque Lucca sofreu uma entorse no tornozelo direito no treino da última quarta-feira e não treinou na quinta e nem nesta sexta. Ele também voltaria após suspensão automática. Se não atuar, Léo Gamalho pode ocupar a vaga. Lucca é o artilheiro do time com 10 gols no Brasileirão e 20 na temporada, enquanto que o centroavante divide a artilharia da Copa do Brasil, com cinco gols pelo Goiás, ao lado do paraguaio Lucas Barrios, do Grêmio, e Rafael Sóbis, do Cruzeiro, que está suspenso e não atuará na partida final.

A surpresa no ataque é o jovem Felipe Saraiva, de apenas 19 anos, que no ano passado, curiosamente, esteve emprestado na base do São Paulo. Ele vinha entrando aos poucos durante os jogos e parece pronto para enfrentar um grande desafio. “Estou tranquilo, porque mantenho o foco”, comentou com a tranquilidade de um jogador experiente.