O técnico Paulo Campos sabe que o Paraná Clube não pode mais errar. Mesmo tendo feito um bom jogo frente ao São Paulo, isso não serve de conforto. Na penúltima colocação, o Tricolor corre em busca de regularidade para não permitir o distanciamento dos demais “concorrentes” na luta contra o rebaixamento. Mesmo após a goleada sobre o Cruzeiro, o time não conseguiu sustentar o bom momento e foi, na seqüência, eliminado da Copa Sul-Americana e na última rodada perdeu mais uma partida em casa.

A qualidade do adversário fez a diferença, mas o técnico reclamou muito da desatenção no lance do primeiro gol do São Paulo. “Tudo mundo foi à frente. Assim não dá”, disparou. Para atingir a estabilidade necessária para somar os pontos que lhe assegurem a permanência na primeira divisão, o treinador quer mais eficiência do setor de marcação. Além disso, busca melhorar o “poder de fogo” da equipe. Para isso, aposta na volta de Canindé, o jogador mais criativo do elenco paranista.

“Ele pode fazer a diferença”, comentou. No jogo em Belo Horizonte – com Canindé em campo – a bola chegou várias vezes na área adversária. “Além da condição individual, há o aspecto coletivo, pois ele e o Cristian têm um bom entrosamento”. A dupla ficará responsável pela articulação do meio-de-campo, com Messias e Beto encarregados da proteção à zaga. O treinador analisou detalhadamente a Ponte Preta, que foi completamente envolvida pelo Coritiba, na última quinta-feira. “Eles têm uma característica de se fechar e jogar no erro do adversário. Mas, em casa, talvez mudem de estratégia”, alertou.

Porém, a imprensa de Campinas tem criticado seguidamente a Ponte por sua postura extremamente defensiva. “Eles vêm de seqüência ruim e devem ser mais ousados. Independente do que acontecer, temos que ter um plano de jogo bem definido”, disse Campos. Como trabalhou pela manhã, ainda sem saber da real condição de Beto, o técnico testou Éverton César no meio-de-campo. “O importante é que o grupo esteja mobilizado, independente de quem começará jogando”. Além de Canindé, o treinador confirmou ainda a volta de Fernando Lombardi à zaga e a entrada de Vicente na lateral-esquerda.

Tudo certo. Beto enfrenta a Ponte Preta

Valeu o “choro”. Após o pedido de esclarecimento feito pelo Paraná Clube, a Confederação Brasileira de Futebol confirmou que o volante Beto tem somente dois cartões amarelos e, portanto, com condições legais de enfrentar a Ponte Preta no jogo de amanhã – às 16h, no Moisés Lucarelli. Além do documento expedido pelo departamento técnico da entidade, o Tricolor recebeu uma retificação da súmula, onde o árbitro carioca Edílson Soares da Silva, agora de forma clara, confirma ter apresentando o segundo cartão amarelo ao jogador e, em conseqüência disso, o vermelho.

O descumprimento dos árbitros às normas definidas pela CBF através da RDI 05/2004 tem dado muita dor de cabeça ao diretor do departamento de arbitragem, Armando Marques. Esta não é a primeira vez que súmulas são preenchidas de forma confusa. Foi o caso de Edílson Soares da Silva, que em seu relatório não deixa explícita a aplicação do segundo amarelo a Beto. Cita, inclusive, que o volante puxou Basílio pela camisa, quando este ia em direção ao gol. Como na papeleta (um resumo de advertências e expulsões), único documento que fica em posse do clube, Beto aparece como jogador advertido e também expulso, houve dúvida justificável do departamento de futebol do Paraná.

“Tudo seria facilitado se os documentos fossem mais claros. Nesta papeleta, deveria haver campos distintos para a inclusão de atletas expulsos de forma direta e aqueles que receberam cartão vermelho em decorrência do segundo amarelo. Mas, para que facilitar?”, reclamou o superintendente de futebol Ricardo Machado Lima. Pela nova norma, quando o jogador que já tinha sido advertido recebe o vermelho direto (sem o segundo amarelo), o cartão anterior é computado. Resumindo: se um jogador “pendurado” recebe amarelo e depois o vermelho, terá que cumprir dois jogos de suspensão automática. Um pela série de três amarelos e outro pela expulsão.

Já para o atleta que é expulso em decorrência de dois amarelos, a advertência não é computada, como sempre ocorreu. Assim, para evitar dúvidas, os árbitros devem ser muito claros no preenchimento de seus relatórios. Recentemente, o árbitro paulista Romildo Correa também teve que se justificar por não ter relatado de forma correta a expulsão do zagueiro Miranda, do Coritiba. Agora, caso parecido se repetiu com Beto. Como a documentação solicitada pelo departamento de futebol paranista chegou a tempo, Beto estará em campo amanhã. Um problema a menos para Paulo Campos, que já será obrigado a mexer na lateral-esquerda, pois Edinho está suspenso.