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Wiliam é um dos mais visados
pela torcida tricolor.

O momento é de apreensão. A segunda derrota no campeonato paranaense devolveu a pressão ao elenco tricolor. A comissão técnica tenta não perder o controle do grupo, mas a reação do torcedor – por mais que menos de mil paranistas tenham ido ao Pinheirão, no domingo – é um exemplo da realidade do clube. Assombrado pelos recentes fracassos, o Paraná Clube busca afirmação em uma competição na qual ele já foi referência.

Pentacampeão na década passada, o Tricolor "atropelava" equipes menores. A rigor, o clube entrava em campo para golear. O respeito se perdeu após as pífias atuações nas temporadas 2003/2004. Ameaçado pela degola nas últimas edições do Estadual, o Paraná agora joga de igual para igual contra os times do interior. Pior do que isso: independente do local onde o jogo é realizado. Em anos anteriores, a reclamação era a tabela da competição.

Agora, com dois insucessos em três jogos em casa, essa teoria cai por terra. Situação agravada pelo fato de o Tricolor ter segurado a base defensiva que disputou o campeonato brasileiro. Agora, o discurso fica por conta da empolgação dos adversários, que fazem de cada jogo contra equipes da Capital uma "final de Copa do Mundo". O torcedor já "marcou" jogadores como Wiliam e André Chu, os principais alvos das vaias e xingamentos – ao lado dos dirigentes e do técnico Paulo Campos.

"É uma questão nacional. É só ver o que está acontecendo nos vários estaduais", ponderou o presidente José Carlos de Miranda. "Os times do interior sabem que essa é a grande vitrine e estão, na sua maioria, se preparando desde outubro do ano passado". O dirigente preferiu não aprofundar críticas aos jogadores do Paraná, pois sabe que muitos estão ainda buscando o condicionamento ideal e outros estão visivelmente sem ritmo e entrosamento.

Para Miranda, a seqüência de quatro jogos serviu para que o grupo sentisse o peso da competição. Paulo Campos prefere apostar nesta semana livre para treinos, sem rodada intermediária, para poder melhorar o rendimento da equipe. "Até aqui, o tempo para trabalhos táticos foi mínimo e isso pesa. Não mudo minha meta, que é assegurar uma vaga à semifinal. Temos mais 10 jogos para somar os pontos necessários", finalizou.

"Estrangeiro" seria solução para lateral

O Paraná Clube busca um "estrangeiro" para resolver um problema quase crônico na lateral-direita. Há tempos o clube não consegue emplacar um jogador na posição. Teve bons momentos com Valentim e Etto, nas últimas temporadas, mas sempre num entra-e-sai de atletas neste setor. A aposta agora é Giuliano, 27 anos, ex-Ituano e Vasco da Gama. O jogador esteve recentemente no futebol polonês e grego e se apresenta amanhã, para assinar contrato e iniciar treinamentos.

A diretoria, mesmo anunciando o jogador, deixou claro que o acerto só será efetivado caso a transferência de sua documentação ocorra rapidamente. "Precisamos de atletas que venham e resolvam o problema. Caso o processo se arraste por muitas semanas, o interesse deixa de existir", confirmou o presidente José Carlos de Miranda. O empresário que viabilizou a transação assegura que o registro do atleta na CBF ocorrerá sem maiores problemas.

Giuliano Marinho dos Santos, na Polônia, já atuou pelo SPN Wiedzew e recentemente esteve no Pogon Szczecin. "Temos boas referências do jogador e nossa busca é por qualidade, mas a preço acessível à nossa realidade", explicou o vice de futebol José Domingos. Diante dessa política – e com borderôs inexpressivos, que levam o clube a pagar para jogar -, os reforços "de peso" já foram contratados: Flávio, Émerson e Renaldo. "Agora, vamos acreditar em jovens revelações ou atletas em busca de projeção nacional", disse o presidente Miranda.

"Não vamos mudar nossa programação", assegurou. "Temos alguns atletas que precisam ser observados. Não adianta só ficar enchendo a prateleira". O Tricolor conta no seu grupo com três jogadores ainda em período de testes, o meia Rodrigo – filho de Júnior, lateral do Flamengo e da seleção – e os atacantes Ednei e Giba. Este, se apresentou ontem e veio do Sertãozinho (SP).