Ontem, no treino, os atleticanos
demonstravam confiança.

Paraná Clube e Atlético fazem hoje uma decisão “atípica”. Pela primeira vez um clube chega à última partida do campeonato paranaense podendo perder por até quatro gols de diferença para mesmo assim dar a volta olímpica. O rubro-negro não só “roubou” a vantagem – o Tricolor chegaria ao título com dois empates – como deixou o rival “desnorteado”.

Na quinta-feira, Kléber e companhia aplicaram um humilhante 6×1, a maior goleada registrada até hoje nos confrontos entre os clubes. Para reverter o quadro e “acordar do pesadelo”, o Paraná precisa fazer 5×0, um placar que nem o mais otimista dos tricolores apostaria em um “bolão”.

O jogo das 15h55, no Estádio Durival Britto, tem outros diferenciais. A competição não empolgou o torcedor paranaense e a média de público foi medíocre. Nem mesmo o “pomposo” prefixo utilizado para diferenciar o torneio das competições anteriores adiantou. O “supercampeonato” foi disputado em pouco mais de duas semanas e a própria intersecção com a Copa do Mundo tratou de afugentar a torcida. Depois de muito tempo, uma final de estadual volta a ser disputada na Vila Capanema, com carga limitada a dez mil ingressos. A última vez ocorrera em 1993, quando o Paraná conquistou o campeonato enfrentando o Matsubara (naquele ano, não havia decisão, pois a fase final era disputada em pontos corridos).

Os tricolores passaram os últimos dias tentando encontrar motivos para a derrocada de um time que vinha mantendo a regularidade e não sofrera, até então, um gol sequer. Os problemas foram discutidos internamente e a conclusão de todos foi simples. “Para resgatarmos a dignidade, precisamos jogar bem e vencer, não importa o placar”, destacou o zagueiro Ageu. Esta passa a ser a missão da equipe de Caio Júnior: deixar de lado o revés da última quinta-feira e garantir os três pontos. O foco é dar a volta por cima, mas sem pensar em marcar cinco gols. “De nada adianta imaginarmos uma goleada. É preciso jogar bem, mas com segurança”, reconhece o capitão Maurílio. Vale a máxima: “Não adianta pensar no quinto gol sem marcar o primeiro, o segundo…”.

Do outro lado, e em absoluta tranqüilidade, os atleticanos foram habilidosos para não deixar transparecer excesso de otimismo em todas as declarações. O estreante técnico Riva de Carli prega a seriedade e mantém o esquema que deu certo durante o jogo de quinta, com o retorno de Adriano à equipe. Sabe que se marcar um gol, inibe qualquer reação do adversário e garante o inédito tricampeonato, confirmando a hegemonia do atual campeão brasileiro em território paranaense.

Tricolor busca vitória para resgatar honra

O Paraná Clube entra em campo hoje com o simples objetivo de resgatar sua honra. A comissão técnica procurou orientar o grupo nos últimos dias para deixar a necessidade de goleada em segundo plano. Caio Júnior não quer vender uma falsa imagem, mesmo acreditando, intimamente, que o quadro pode ser revertido. “Vamos tentar fazer o melhor possível. Só o jogo nos dirá até onde poderemos chegar”, avisa. Para recuperar o título – que não conquista desde 1997 – o tricolor terá que ser, no mínimo, perfeito. Além disso, precisa quebrar um “tabu” de três anos: não vence o Atlético desde 1999, quando fez 1×0, no Couto Pereira, em jogo onde o goleiro Régis defendeu duas penalidades máximas (cobradas por Lucas e Adriano).

Os números – apesar do equilíbrio – são pouco animadores: o Paraná jamais goleou o rubro-negro. Talvez por isso, ninguém acredite num bom público esta tarde. “Não temos nem como pedir o apoio do nosso torcedor. Sei que todos paranistas estão humilhados, assim como nós”, destacou o volante Hélcio. “Mas, temos que voltar a campo e honrar essa camisa. Mostrar que a goleada foi uma fatalidade”. Após ver e rever o teipe do primeiro jogo das finais, Caio Júnior não pensa em alterar o perfil tático. “Vamos fazer alguns ajustes, mas de uma forma geral, o time estava muito bem. Só houve descontrole após o terceiro gol”. As duas alterações são naturais. André e Adriano Chuva retornam. O zagueiro cumpriu suspensão, enquanto o artilheiro recuperou-se de lesão na coxa.

Para o grupo, há uma certeza: o Paraná não voltará a ser tão passivo. Além do excessivo número de passes errados, o tricolor terminou o clássico de quinta-feira goleado e “ferido”, literalmente. A maior virilidade dos jogadores atleticanos ocasionou duas lesões até certo ponto graves. Xandão e Luciano estão com os tornozelos muito inchados e dificilmente se recuperarão a tempo de integrar a delegação que segue para série de amistosos na Ucrânia na próxima semana. “Eles tiveram mais atitude. Estavam mobilizados”, reconhece Ageu. A falta de “pegada” do time paranista é confirmado nos números: o Atlético fez três vezes mais faltas do que o Paraná. “Sempre tivemos um time combativo. Não sei o que aconteceu naquele jogo, mas não irá se repetir”, assegura o zagueiro paranista. (IC)

Riva altera formação, mas mantém esquema

Rodrigo Sell

O técnico do Atlético, Riva Carli, vai ser mais cauteloso na partida final do supercampeonato paranaense. Com uma vantagem para lá de confortável, o treinador está pensando acima de tudo em garantir o título mesmo que não apresente o mesmo futebol vistoso do primeiro jogo. O esquema, no entanto, vai ser o mesmo, só que desta vez com Adriano no lugar de Adauto, que foi vetado para a partida.

Sai o aparente 4-3-3 e entra o aparente 4-4-2. Isso não deve ser interpretado como uma forma de jogar mais recuada. Assim como Cocito colou em Luciano, desta vez a presa deverá ser Adriano Chuva. A armação, feita na Arena por Alex Mineiro, passa aos pés de Adriano, voltando após cumprir suspensão. As mexidas de Riva deverão deixar o time menos vulnerável no meio já que terá dois marcadores: Flávio Luís e Vital. Ou seja, o mesmo 3-5-2 do título brasileiro, mas fugindo da marcação adversária.

Segundo Riva, a opção para a partida de hoje se deve ao bom trabalho de bola imposto pelo Paraná Clube no início da 1.ª partida. “Eles trabalharam bem a bola e nós estamos procurando evitar que eles repitam isso amanhã (hoje)”, explica. Apesar da vantagem, o técnico quer que o Furacão neutralize a criação do adversário. “Nós demos muito espaço para eles tocarem e isso não pode acontecer mais”, aponta.

A receita para não deixar o Paraná jogar é marcar forte a saída de bola. Além de marcação individual sobre Maurílio e Chuva, Flávio Luís e Vital também ajudarão a neutralizar investidas do tricolor. Como o time da Vila tem que buscar o gol, o rubro-negro tentará surpreender no contra-ataque, utilizando para isso os zagueiros, que se converterão em avançados caso a situação permita.

Arbitragem

Apesar de já ter sido vetado pelo Atlético, o árbitro Héber Roberto Lopes deverá contar com a confiança rubro-negra na condução do jogo de hoje. Pelo menos é o que prega a diretoria. A bandeira da paz foi hasteada ontem pelo diretor Alberto Maculan. “O Atlético não vetou, mas pôs restrições”, declarou o dirigente. Como forma de apoiar o pleito de Lopes a uma vaga no quadro da Fifa, o clube irá dar um voto de confiança ao árbitro para que ele se torne o primeiro paranaense a ocupar esse posto. “O clube apóia sua indicação e deseja boa sorte amanhã (hoje)”, continuou. A manifestação, inclusive, seria dada por escrito ontem ao árbitro.

SUPERCAMPEONATO PARANAENSE

FINAL

PARANÁ CLUBE x ATLÉTICO

Local:

Durival Britto (Curitiba).

Horário:

15h55.

Árbitro:

Héber Roberto Lopes.

Assistentes

: Roberto Braatz e Vágner Vicentim.

PARANÁ

Neneca; Luís Paulo, André, Ageu e Fabinho; Hélcio, César Romero, Marquinhos e Alexandre; Maurílio e Adriano Chuva. Técnico: Caio Júnior.

ATLÉTICO

Flávio; Alessandro, Gustavo, Ígor e Fabiano; Cocito, Flávio Luís, Reginaldo Vital e Adriano; Alex Mineiro e Kléber. Técnico: Riva de Carli.