Ainda sem repetir o brilho da temporada passada na atual, Bruno Soares chega a Wimbledon como um dos favoritos ao título que nunca ganhou na carreira. Não é por acaso. Ele o parceiro Jamie Murray vêm embalados por dois títulos seguidos conquistados sobre a grama, em Stuttgart e em Queen’s. Se não bastasse o grande momento no ano, Soares ainda terá o apoio maciço da torcida britânica por jogar ao lado de um dos tenistas da casa.

O irmão mais velho de Andy Murray buscou a parceria com Bruno Soares para encerrar o incômodo jejum de títulos de Grand Slam. E, juntos, alcançaram o objetivo com os troféus do Aberto da Austrália e do US Open, no ano passado. Agora é a vez de realizar o sonho de vencer diante da torcida. “Ganhar em Wimbledon é um sonho antigo dele”, admite o brasileiro, em entrevista exclusiva ao Estado.

Por isso, a dupla não mediu esforços para chegar em grande fase em Londres. “Nunca chegamos tão bem preparados, tão confiantes para jogar em Wimbledon”, disse o duplista. Confira abaixo a entrevista completa concedida às vésperas do Grand Slam, que terá início nesta segunda-feira.

Como você avalia sua temporada até agora?

A temporada até agora está boa. Foram três títulos. Dois títulos de ATP 500, algumas outras boas campanhas, mas tivemos algumas derrotas que machucaram um pouco, torneios e situações que sentimos que estávamos jogando super bem, melhor até do que os adversários, mas acabamos levando uma virada, perdendo jogo no detalhe, com match point até. Mas isso faz parte. O ano é feito destes altos e baixos. O mais importante é que estamos jogando um nível de tênis muito legal. Se continuarmos assim até o fim do ano, tenho certeza de que poderemos conquistar um Grand Slam, um Masters 1000.

É a primeira vez que você chega em Wimbledon com dois títulos seguidos na grama. Como é chegar ao torneio como um dos principais favoritos ao título?

É a primeira vez que venho para cá com dois títulos na grama. Mas já cheguei aqui como um dos favoritos ao título. O mais importante é a confiança com que chegamos aqui, por termos conquistado estes títulos. E também traduzir isto em resultado: trazer este favoritismo para dentro da quadra.

Você passou a receber um tratamento diferente no torneio após iniciar a parceria com Jamie Murray?

O tratamento diferente é o carinho maior do pessoal daqui, pelo fato de estar jogando ao lado do Jamie. O pessoal vem conversar, bater foto, dizer que torce pela gente. É o mesmo carinho que os meus parceiros recebem quando vão ao Brasil. Isso é muito bacana! Claro que, quando estamos em quadra, ter a torcida a favor é sempre muito legal.

Como está a expectativa do parceiro? Vencer em Wimbledon é um sonho antigo dele, certo?

Acho que nunca chegamos tão bem preparados, tão confiantes em Wimbledon. Sem dúvida nenhuma, ganhar em Wimbledon é um sonho antigo dele. Apesar de a gente ter conquistado dois Grand Slams, tenho certeza de que ganhar Wimbledon para ele é diferente. Ele mora a cinco minutos daqui do clube.

Você sente alguma pressão em razão do favoritismo neste ano?

Não sinto nenhuma pressão a mais pelo favoritismo. Isso é uma coisa normal. Nos últimos anos, a gente já vem lidando com esta favoritismo. Vem sempre estando entre os cabeças de chave. Faz parte do nosso dia a dia. Já somos maduros o suficiente para lidar bem com este tipo de pressão.

O topo do ranking é uma meta para Wimbledon?

É uma meta, sim. Mas temos que ir passo a passo. O ranking é resultado de uma série de coisas, entre elas os resultados dos torneios. Então, o que faz chegar lá é a consistência ao longo do ano. Acho que a meta número 1 no momento é tentar ganhar Wimbledon. E se isso vier com o topo do ranking já, será muito legal. Se não vier, será um passo enorme para alcançarmos isso. O mais importante de tudo, quando pensamos em ranking, é manter a consistência.