Foi uma cena que Fábio Costa jamais esquecerá: mesmo tendo falhado no segundo gol do Nacional, os 20 mil torcedores que lotaram a Vila Belmiro gritavam seu nome, incentivando-o. “Fiquei mais emocionado naquela hora do que na conquista do título brasileiro”, disse, nesta quinta-feira, o jogador, que conhece bem as dificuldades que passa um goleiro depois de uma falha. “Pela cultura do futebol, quando o goleiro erra, tem uma cobrança muito grande em cima e naquele momento senti uma compensação por parte da torcida.”

Um outro gesto serviu também para levantar seu moral naquela hora difícil. O time uruguaio estava armando a barreira para a cobrança de uma falta quando Léo olhou para trás e viu Fábio Costa ajoelhado, desconsolado. “Como estavam acertando a barreira ainda, atravessei o campo para dar uma força a ele, que nos salvou em tantas oportunidades”, comentou o lateral-esquerdo.

“Eu estava chorando”, admitiu Fábio Costa, revelando que, ao contrário do que muitos pensam, é muito emotivo e demonstra seus sentimentos. “Foi tudo muito emocionante e não é vergonha alguma um homem chorar.”

Mesmo com toda essa reação, deixou o gramado para o intervalo visivelmente abatido, mas encontrou força junto ao técnico Emerson Leão e com os demais companheiros para seguir adiante.

No segundo tempo, não teve trabalho. Os uruguaios tentavam segurar a vitória e até mesmo o empate, pois queriam a disputa por pênaltis.

Quando o jogo acabou, correu para tirar seus jogadores de perto do juiz argentino Hector Baldassi. “Eles estavam revoltados com a arbitragem e não adiantava nada ficar reclamando, pois o jogo já tinha acabado”, disse Fábio Costa.

Com o fim das reclamações, Hector e Fábio conversaram um pouco. O juiz perguntou quantos pênaltis ele defenderia e a resposta foi “dois e, se eles cobrarem mais ou menos, pego três”. O goleiro conta que o juiz riu e que disse que iria cumprimentá-lo se defendesse dois. Na terceira cobrança, o árbitro voltou a perguntar. “E esse, você defende?” Fábio Costa disse apenas que ia tentar. Na quarta cobrança, disse ao argentino. “Esse eu vou defender”. E defendeu, garantindo a vaga para a próxima fase da Copa Libertadores da América e consolidando a sua posição como um dos grandes goleiros da história do Santos.

Leão não sai

Sobre uma possível proposta do São Paulo, Emerson Leão preferiu evitar polêmicas. O técnico garantiu que não foi procurado pelo clube do Morumbi. “Às vezes recebemos algumas ligações no futebol, mas a diretoria do São Paulo não teria a falta de ética de me procurar em um momento decisivo da Libertadores”, explicou.