Foto: Átila Alberti/Tribuna

 Antes de tomar "chá de cadeira" no aeroporto, o elenco coxa fez um animado rachão na manhã de ontem no CT da Graciosa.

Um clube de futebol tem seus jogos inesquecíveis. Quase sempre são vitórias incríveis, que levaram a equipe a títulos marcantes. Às vezes, aparecem algumas derrotas, quando em decisões ou em partidas que levavam a finais.

Em 96 anos de história, os torcedores do Coritiba lembram dos títulos estaduais, do Torneio do Povo, do brasileiro de 1985, da vitória sobre o Criciúma que levou o time para a Libertadores de 2004.

Mas hoje o Coxa tem uma partida que será, com qualquer resultado, inesquecível. Às 16h, no Anacleto Campanella, o Coritiba enfrenta o São Caetano no jogo mais importante da temporada – e, pela situação, o mais importante dos últimos tempos. Uma vitória é fundamental para o ?plano? de saída da zona de rebaixamento, e a conseqüente fuga da degola. Uma derrota soterra muitas das chances de escapar, e com uma combinação de resultados pode rebaixar o Cori ainda esta tarde.

O momento alviverde é delicado, e os jogadores não escondem a apreensão. ?Eu nunca pensei que ia passar por essa situação aqui no Coritiba?, confessa o zagueiro Flávio, criado nas categorias de base do clube. ?Quando você chega nessa situação é que vê que tudo é possível?, completa, com uma ponta de preocupação. Ele, assim como seus companheiros, sabem da necessidade de tirar a equipe do sufoco -tanto para o Coxa quanto para eles próprios. Tanto que eles não aceitaram receber prêmios pela fuga do rebaixamento, colocando a própria honra em jogo.

Mais um sinal captado pelo técnico Márcio Araújo, que está confiando na reação do elenco ao perigo. ?Não preciso ficar falando com eles sobre o risco. Eles já sabem?, confirma. ?Como temos muitos garotos no elenco, o melhor é tratar assim, pensando no que teremos de bom quando sairmos da zona de rebaixamento?, argumenta o meia Luís Carlos Capixaba, um dos ?experientes? do grupo – em campo estarão cinco jogadores com mais de 30 anos, além dos ?rodados? Flávio e Caio.

Márcio Araújo usou a semana para muito treinamento e muita conversa. ?Tudo que nós falamos está sendo aproveitado?, diz o treinador, que não perde o discurso. ?Nesses últimos dias, eu tenho mais falado que ouvido. E os jogadores estão mais ouvindo que falando?, brinca, para depois falar sério. ?O trabalho que está sendo feito aqui passa por todo mundo. Desde a Flávia (Focaccia, psicóloga) até todos da comissão técnica. E os jogadores estão mostrando profissionalismo, inteligência e comprometimento com o nosso objetivo?, comenta.

Além de ter a presença forte de diretores e da comissão, os jogadores não descartam a participação da torcida – ao menos 1.500 coxas estarão no Anacleto Campanella. ?É a prova mais forte da confiança que se tem neste grupo?, diz Márcio Araújo. ?Eles, assim como nós, não aceitam que o Coritiba passe por essa situação tão complicada. E nós vamos fazer de tudo para tirar a equipe dessa?, concorda Reginaldo Nascimento. ?Nossa vida é o Coritiba, não paramos de pensar no clube. E vamos mostrar isso contra o São Caetano?, finaliza o meia Jackson.

Araújo escala o Coxa com formação variável

Cristian Toledo

 Santo André – Ao chegar no hotel que abriga a delegação do Coritiba em Santo André, na região metropolitana de São Paulo, Márcio Araújo já sabia qual escalação iria colocar em campo na partida contra o São Caetano.

Após avaliar dois sistemas de jogos durante a semana, o treinador alviverde decidiu usar a que, no pensamento dele, dá maior equilíbrio entre defesa e ataque. E, além disso, a que permite mudanças táticas no decorrer da partida.

Pode-se dizer que o Coxa não tem, a rigor, uma formação ??oficial?? para o confronto decisivo desta tarde. ?Nós vamos ter alguns sistemas que podem ser utilizados durante o jogo, sem prejuízo para a equipe?, explica Márcio Araújo, que escala Reginaldo Nascimento como um terceiro zagueiro – da mesma forma que o capitão foi escalado por Paulo Bonamigo em 2003.

A um aviso do técnico, Nascimento será zagueiro. Com outro recado, o capitão passa a ser volante. ?É muito bom ter esta variação. E outras coisas foram trabalhadas?, lembra Márcio, que espera ver um Coritiba com extrema movimentação no Anacleto Campanella. Daí a opção inicial pelo 3-5-2, que permite maior troca de posições entre os jogadores.

E também marca uma presença defensiva mais forte, com Flávio e Anderson ao lado de Nascimento. ?A equipe está entrosada, e isto facilita muito. Cada troca de função é feita com mais rapidez?, resume Flávio, que volta após dois jogos fora da equipe – um por suspensão e outro por opção de Márcio Araújo. ?Este sistema funciona bem desde que o Márcio chegou?, concorda Anderson. ?Posso dizer que o time melhorou muito nas últimas rodadas?, completa o meia Luís Carlos Capixaba.

Outra preocupação do técnico é com a marcação – o São Caetano é uma equipe que reduz os espaços dos adversários. Por isso a realização de vários treinos em campo reduzido, pensando na melhora do passe e na troca rápida de jogadas. ?A característica do jogo deve ser esta, de forte marcação e de pouco espaço para jogar. Estamos preparados para isto, assim como estamos prontos para qualquer coisa?, avisa o meia Jackson, que volta à ala-direita, com James ficando como opção para o segundo tempo, assim como Rubens Júnior, que sentiu dores musculares e não treinou durante a semana. Ricardinho permanece como titular na esquerda.

Além de toda a tática – e as formações ??variáveis?? -, Márcio Araújo sabe que o Coritiba precisará de bem mais para vencer o São Caetano. ?Acho que a tática ajuda, a estratégia que será montada para o jogo também ajuda. Mas a vitória começa em cada jogador, no conhecimento do que tem que ser feito durante o jogo, e na vontade que cada um precisa demonstrar nos noventa minutos. Com um grupo aguerrido, agressivo e confiante, daremos um grande passo para um resultado positivo?, finaliza o treinador. (CT)

Conta simples. Vencer é a solução para hoje à tarde

Santo André – O planejamento do técnico Márcio Araújo para o elenco do Coritiba evita a formulação de contas para fugir do rebaixamento. Mas ele sabe o que o time precisa para estar, ainda hoje, fora da zona perigosa. Uma vitória simples sobre o São Caetano (que seria a primeira do clube no Anacleto Campanella) faz com que o Coxa termine a rodada pelo menos na 18.ª colocação, podendo subir mais caso o Figueirense não vença o Brasiliense na Boca do Jacaré.

Mas Márcio quer mais. ?Acho que seria muito bom vencer com uma diferença de dois gols ou mais?, confessa. Isto porque o 1×0 (ou qualquer vitória com um gol de vantagem) faz com que Coxa e Azulão fiquem empatados em todos os critérios. O Cori ficaria na frente pelo confronto direto – houve empate em 2×2 no primeiro turno -, o que para o técnico seria uma vantagem muito remota com apenas uma rodada para o final do campeonato brasileiro. Mesmo assim, o Coritiba teria pelo menos o apelo moral de sair da zona de rebaixamento.

Para uma ??folga?? maior, seria necessário um triunfo do Brasiliense sobre o Figueira – se houver empate neste jogo, e vitória alviverde, o Coxa também passa os catarinenses. Com esta combinação de resultados, a equipe só dependeria de si para escapar da Série B. Mas há a situação contrária – se o time de Edmundo vencer em Taguatinga e o Cori perder em São Caetano, o Alviverde já estará rebaixado. (CT)

Cuca está otimista para enfrentar o ex-clube

São Caetano do Sul (AE) – Com a missão de se livrar da inesperada ameaça do rebaixamento, o São Caetano enfrenta o Coritiba no Anacleto Campanella. Quem está otimista é o técnico Cuca, que curiosamente, já dirigiu o próprio Cori durante a competição. Mas garante que se concentra apenas em motivar seus jogadores para buscar esta ?vitória fundamental?, tendo em vista que não há a mínima disposição de deixar a definição para a última rodada, contra o Cruzeiro, no Mineirão. ?Este é o jogo das nossas vidas, onde vamos brigar como nunca pela vitória?, completa.

Cuca garantiu que não vê este confronto como uma vingança pessoal, pois uma vitória do São Caetano pode ser determinante em relação ao rebaixamento do time do Paraná. ?O Coritiba começou bem o campeonato, ficando entre os primeiros colocados. Mas depois caiu muito com as saídas de alguns jogadores (Rafinha Miranda, Fernando) e as contusões de outros (Marquinhos e Flávio). Eu perdi três jogos seguidos e a diretoria resolveu mudar para motivar o grupo, tudo natural dentro do futebol?.

Cuca, porém, fez questão de esconder suas armas para vencer o seu ex-time. No meio de campo, na vaga do volante Júlio César, suspenso com três amarelos, podem entrar o meia Pingo ou mesmo o atacante Jean. No ataque, Edilson e Dimba cumpriram suspensão no empate de 2×2 com o Atlético, e devem retornar. Mas existe a possibilidade de Dimba perder a vaga para Somália que, segundo o técnico, ?é uma opção a mais em bolas paradas e no jogo aéreo?.

Para Edilson, arma ofensiva do São Caetano, ?o melhor mesmo é afastar o rebaixamento agora?. Ele acha que só é preciso mostrar o mesmo futebol visto nos últimos dois jogos, quando o time venceu o líder Corinthians, por 1×0, em casa, e empatou com o Atlético.

A torcida atendeu o apelo da diretoria e deve comparecer ao estádio para apoiar o time, aproveitando a promoção de uma multinacional que trocou ingressos por produtos. Mais de sete mil bilhetes foram adquiridos pelos torcedores, sendo 1.700 enviados para a torcida do Coritiba.

CAMPEONATO BRASILEIRO
SÃO CAETANO X CORITIBA

São Caetano: Silvio Luís; Alessandro, Gustavo, Thiago e Triguinho; Paulo Miranda, Zé Luís, Pingo e Márcio Richards; Edilson e Somália (Dimba). Técnico: Cuca

Coritiba: Douglas; Jackson, Anderson, Flávio e Ricardinho; Reginaldo Nascimento, Peruíbe, Luís Carlos Capixaba e Caio; Alcimar e Renaldo. Técnico: Márcio Araújo

Súmula
Local: Anacleto Campanella (São Caetano do Sul-SP)
Horário: 16h
Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (FIFA-RS)
Assistentes: José Otávio Dias Bittencourt (RS) e José Antônio Chaves Franco Filho (RS)