O Operário de Ponta Grossa está a apenas dois jogos de uma grande conquista: uma vaga na Série B do Campeonato Brasileiro. O Fantasma vem voando no cenário nacional e empolgando sua torcida, já que até dois anos atrás, não disputava nenhuma divisão nacional. Assim que, em 2017, conseguiu disputar a Série D, tratou de ‘escalar‘ e já garantir seu lugar na Série C. E a subida tende a continuar, já que se vencer o duelo de 180 minutos contra o Santa Cruz, estará entre os 40 melhores times do futebol do país. E toda essa arrancada da equipe nos últimos anos tem a mão de um comandante que tem um grande diferencial: o técnico Gerson Gusmão, que soma 2 anos e 4 meses à frente da equipe, com números que chamam a atenção. São 81 jogos, 55 vitórias, 16 empates e apenas 10 derrotas.

“É fundamental ter esse longo tempo de trabalho. Já sei como cada atleta pode render. Quando tem muita mudança, não se tem certeza de nada. Estando na função a longo período, é possível saber o que se pode ’tirar’ do elenco e dá uma tranquilidade”, comentou o treinador, de 44 anos, que afirmou que no início da temporada o propósito do elenco era mais singelo.

“O nosso primeiro objetivo era nos mantermos na Série C, porque sabíamos da dificuldade da disputa. Quando atingimos uma pontuação considerável, focamos em uma competição totalmente diferente que é conseguir o acesso à Série B”, contou o comandante que em seu histórico no Fantasma conta com o Campeonatos Paranaense de 2016 (comandou na última rodada), Copa do Brasil 2016, Taça FPF Sub-23 2016, Paranaense Segundona 2017, Brasileiro Série D 2017, Paranaense Segundona 2018 e Brasileiro Série C 2018.

O Operário, só esteve na Primeira Divisão do futebol Brasileiro em 1979, mas na ocasião, a disputa contava com 96 times. Na Série B, o time esteve em 1980, 1989, 1990 e 1991, porém, o formato da competição era bem diferente e a escolha dos times para cada divisão era feita de forma contestável. Portanto, caso confirme a classificação, será a primeira grande participação do time na elite.

Mas para garantir sua entrada na Série B em 2019, o Operário precisará bater o Santa Cruz, um gigante do Nordeste. O primeiro duelo entre os times acontecerá neste domingo (19), às 17h no estádio do Arruda, em Recife e o segundo no dia 26, às 15h, no Germano Krüger em Ponta Grossa.

“A gente está com uma expectativa grande. Estamos nos preparando muito para isso, sabemos que é um time de tradição, mas temos totais condições”, disse Gusmão, que se descreve como um técnico da escola gaúcha de futebol.

“Sou gaúcho, fui atleta profissional. Priorizo muito a força, a marcação, a compactação da defesa. Também gosto de propor o jogo e que meu time se imponha na partida em relação aos adversários”, detalhou Gusmão, que conhece de longa data outro treinador que vem chamando a atenção por seu trabalho no Paraná.

“Conheço o Tiago Nunes. Fomos adversários em muitos momentos lá no Rio Grande do Sul. Respeito e admiro muito o trabalho dele e acredito que ele ainda vai crescer muito. No Campeonato Paranaense chegamos a conversar, trocar algumas ideias, mas agora ambos estão imersos no trabalho, acabamos não nos falando mais”, contou.

Operário precisa passar pelo Santa Cruz pra garantir o acesso. Foto: Arquivo.
Operário precisa passar pelo Santa Cruz pra garantir o acesso. Foto: José Tramontina/OFEC.

Para o primeiro confronto da decisão contra os nordestinos, um cenário quase de guerra. A expectativa o Arruda esteja ‘abarrotado‘ com 60 mil pessoas apoiando o Santinha, no primeiro duelo da história entre as equipes. Ainda assim, Gusmão diz que seus comandados estão preparados para isso.

“Nosso grupo é maduro. Vale ressaltar que muitos atletas estavam na equipe na fase decisiva da série D. Foram cinco mata-matas. Sabemos da tradição do Santa Cruz e como eles contam com o apoio do torcedor, mas dentro de campo são 11 contra 11. Precisamos ter tranquilidade e inteligência”, falou, lembrando que alguns atletas de seu grupo já vivenciaram jogos parecidos com o que virá na casa do adversário.

“O Léo esteve na final do Campeonato Gaúcho contra o Inter ano passado, o Xuxa, no Mirassol, já disputou contra todos os grandes do Paulista, o Chicão Sosa Peixoto estava na final do Paranaense de 2015 contra o Coritiba no Couto Pereira e o Cleyton já jogou a Copa do Nordeste”, exemplificou o técnico que lembrou que Ponta Grossa respira o futebol neste momento, assim como em 2015, quando o time consagrou-se, pela primeira vez em 100 anos de história, Campeão Paranaense.

“Foi um momento fantástico, de muita felicidade e euforia em toda a cidade. Agora falta pouco para estarmos entre os 40 melhores do Brasil, é mais ainda do que uma conquista regional. O torcedor está confiante e o clima é o melhor possível. Onde quer que se vá em Ponta Grossa podemos ver o apoio ao time”, finalizou o técnico.

Estádio Germano Kruger receberá a partida que definirá o futuro do Operário. Foto: Albari Rosa.
Estádio Germano Kruger receberá a partida que definirá o futuro do Operário. Foto: Albari Rosa.