Estamos convivendo com a incômoda situação de ver nossos principais representantes no futebol brasileiro em um momento muito ruim. Coritiba e Atlético são atualmente os “porteiros da zona” de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, e o Furacão precisa de um milagre para se classificar na Copa do Brasil e de um resultado heroico para seguir na Copa Libertadores. Sair dessa draga exige algo que é difícil de acreditar neste momento – bom futebol, algo raro de ver tanto nos lados do Couto Pereira quanto pelos lados da Baixada.

Então, o torcedor está mais irritado que confiante, e com razão. E resta apenas poder sacanear o adversário – triste consolo, como se isso fosse divertido. É essa a nossa realidade? Vamos conviver sempre festejando o fracasso alheio e achando isso legal?

Eu ainda acredito em Atlético e Coritiba nesta temporada. E, sim, acredito também em Paraná Clube e Londrina na Série B. Mas quero tratar da dupla Atletiba com mais atenção.

Não é fácil confiar na dupla, eu admito. Os torcedores sofrem ao ver tanto fiasco em campo. O que mais incomoda é ver discursos fiados que morrem apenas no discurso. Os presidentes Rogério Portugal Bacellar e Luiz Sallim Emed adoram falar, mas falam demais. Grafite era o Michael Jordan, o elenco do Coxa era melhor que o do Flamengo, e por aí vai. Um pouco de realismo não faz mal pra ninguém.

E qual é o realismo dos dois no Brasileirão? É lutar por uma vaga no G6. Ficar ali no meio da briga e, com regularidade, disputar uma vaga na Libertadores – mais provavelmente na fase preliminar, indo pros mata-matas iniciais. E quem pode dizer que isso é pouco? É uma colocação excelente. É ficar à frente de pelo menos sete times que ganham mais dinheiro que nossos representantes na primeira divisão. E é algo palpável, nada maluco.

Para isso, no entanto, não basta apenas eu acreditar. É preciso que Furacão e Coxa trabalhem. No Atlético, Mário Celso Petraglia se afastou do dia-a-dia do clube – desde que não se meta mais no futebol, já vai ajudar. Fabiano Soares até agora não mostrou ser do ramo, e se realmente não for o departamento de futebol tem que ser rápido em agir. Paulo Autuori agora não tem mais esse papo de “tenho um discurso e uma filosofia”, ele é funcionário do Atlético e tem que pensar no melhor do clube.

Em campo, tá na hora de os melhores jogarem. Os reforços estão vindo – e pelo menos Lucas Fernandes e Fabrício chegam pra jogar. Otávio tem que ir na dele, Ederson tem que ser titular, Nikão e Felipe Gedoz também, tem Guilherme como uma ótima opção, e quando você vê forma uma equipe capaz de melhorar bastante na temporada. É só querer fazer o certo que o Atlético melhora. Resta saber se dentro do clube querem fazer o certo ou se querem fazer o que interessa.

Confira a classificação do Campeonato Brasileiro!

No Coritiba, a terrível falta de convicção da diretoria já acabou com o trabalho de vários técnicos. O último foi Pachequinho. Elogiado e levado aos céus depois de ser campeão paranaense, após ser demitido se viu o que a diretoria realmente pensava dele – Ernesto Pedroso admitiu que se pensava em treinadores bem antes da demissão e Rogério Bacellar disse que o time não estava bem porque faltava quem colocasse os “jogadores nos lugares certos”. Se eles tivessem a mesma postura em outros setores, talvez Kléber estivesse até jogando, ao contrário da histórica trapalhada que o Coxa protagonizou no STJD.

Pelo menos eles não vão se meter no trabalho de Marcelo Oliveira. Mas o treinador precisará contar com todo o grupo, e ainda transformar em certeza algumas dúvidas, como Baumjohann e Keirrison. Recuperar Léo, Alecsandro, Henrique Almeida, Tiago Real e Matheus Galdezani também é uma tarefa para o novo treinador, que chegou com status de “salvador da pátria”. Milagre ele não vai fazer, mas um bom trabalho ele tem condições de fazer sim.

É certo que se não cometessem tantos erros, Atlético e Coritiba estariam em uma situação bem mais confortável neste momento da temporada. Mas ainda há tempo para arrumar a casa. E para conquistar boas coisas no final do ano. Eu acredito.