Já estava combinado desde segunda-feira (5), incluído até na pauta. O assunto da opinião de hoje seria a decisão (acertada) de liberar o gramado artificial da Arena da Baixada e a decisão (errada) de não implantar o sistema de árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro. Já tinha até um título: “Passinho pra frente, passinho pra trás”, lembrando daquele quadro do Paulo Silvino e do Orlando Drummond. Mas mudei de ideia quando, por volta das 11h desta terça-feira (6), o jornalista Guilherme Moreira relatou a agressão que sofreu por integrantes da torcida organizada Império Alviverde após o Atletiba do último domingo (4).

O clássico foi um gigantesco salto para trás. Retomou-se a triste rotina das confusões matinais bem longe do local do jogo (neste caso, o Couto Pereira). Como sempre, ônibus quebrados – chegou-se ao disparate de uns idiotas destruírem um coletivo porque queriam descer pra brigar. Só que voltaram as confusões no entorno do estádio. Revivemos as deploráveis cenas de bombas sendo atiradas entre as “torcidas”. Tivemos até uns caras querendo romper as divisórias entre coxas e atleticanos para sair na mão.

Depois da partida, de novo patrimônio público e privado depredado – atacaram uma academia de ginástica porque tinha um cara com camisa de time fazendo exercício por lá. E, por fim, um covarde ataque a um jornalista. Seis (SEIS) integrantes da facção Império Alviverde agrediram Guilherme Moreira. Ele recebeu chutes enquanto estava caído. Perdeu um dente. Seu “erro”? Ser jornalista. Seu “mal”? Buscar a verdade.

E passado tudo isso, chegamos sempre nas mesmas conclusões: “são a minoria das torcidas organizadas”, “são situações difíceis de controlar”, “não representam a torcida”. Isso sem contar o fato ridículo de os torcedores defenderem o seu lado – “ah, mas eles fizeram mais”, “eles jogaram mais bombas”, “ah, quem agrediu foi a torcida deles”. Há quem vá falar até da foto escolhida pra esse texto, “porque tem um lado, e eles também fizeram isso e aquilo”. Seja quem for, seja qual cor, É VIOLÊNCIA. Violência não tem lado. Violência não tem atenuante. Violência não tem justificativa.

Se os órgãos de segurança seguem incompetentes para se organizar (não conseguem sequer monitorar as redes sociais, onde 99,99999% das brigas são marcadas), passou da hora da gente fazer nossa parte. A denúncia tem que ser constante, não podemos parar de apontar quem usa o futebol como desculpa para agredir e depredar, temos que acabar com essa história de “o futebol é um mundo à parte”, onde a violência é consentida se ela tem lado, precisamos lutar contra quem quer vencer pela força. Não podemos ter medo da reação desses caras. Eles não vão vencer.

Ao Guilherme, que tantas vezes escreveu aqui na Tribuna do Paraná, o abraço de todos da redação. Siga fazendo seu trabalho, vamos em frente porque é só o começo dessa luta.