O Paraná Clube começou a disputa da Série B de forma convincente. Líder isolado da competição, com 10 pontos, o Tricolor acumula, em quatro rodadas, um empate e três vitórias. O aproveitamento de 83,3% confirma o melhor início de Segundona desde 2008 e coloca o time a postulante a uma vaga na Série A de 2021.

Mas qual o segredo do time paranista para este bom início? Listamos seis motivos que podem explicar esta arrancada na Segundona 2020:

Manutenção do trabalho do técnico Allan Aal:

Allan Aal teve respaldo da diretoria após a eliminação no Paranaense e vem mostrando resultado. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

Ex-auxiliar-técnico de Matheus Costa, em 2019, Allan Aal conseguiu se fixar na Vila Capanema. Após ganhar o cargo em janeiro deste ano, o treinador entrou para a lista de poucos comandantes do Paraná que permaneceram durante todo o Campeonato Paranaense e seguiram à frente do time no Brasileiro.

Para se ter uma ideia da rotatividade, em 2018 Wagner Lopes deu lugar a Rogério Micale no decorrer do Estadual e, em 2019, Dado Cavalcanti foi demitido após a desclassificação do time no Paranaense, passando o bastão para Matheus Costa.

Aal soma 19 jogos no Tricolor, com nove vitórias, quatro empates e sete derrotas. O conhecimento do elenco pode explicar, também, as alterações precisas que o treinador fez nos últimos dois jogos. O Paraná perdia por 1×0 e conseguiu, após substituições, a virada por 3×1 em cima do Juventude e por 2×1 diante do Guarani, respectivamente.

Aposta em contratações que chegaram pra jogar:

Higor Meritão mal chegou e já se firmou entre os titulares do Paraná. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

O Paraná foi ao mercado buscando assertividade. Foram oito reforços para a Série B, quase todos pontuais. Exemplo disso são o lateral-esquerdo Jean Victor e o volante Higor Meritão, que se apresentaram e já vestiram a camisa titular.

O atacante Bruno Gomes também ganhou espaço e vem se fixando na titularidade. Ele marcou dois gols nos últimos dois jogos.

Os demais contratados já tiveram, ao menos, uma oportunidade ao longo das partidas, com exceção do volante Karl, anunciado recentemente apenas.

Bom trabalho do setor defensivo:

Fabrício é um dos líderes do elenco e decisivo, na defesa e no ataque. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

No que diz respeito ao setor defensivo, o Paraná tem uma base consolidada. O goleiro Alisson, o lateral-direito Paulo Henrique, os zagueiros Thales e Fabrício e o lateral-esquerdo Jean Victor – um dos últimos a chegar ao clube – estão se entendendo bem.

Xerifões da zaga, Thales e Fabrício se consagraram ao marcar os gols do Tricolor na icônica virada sobre o Bahia de Feira nos acréscimos, na Copa do Brasil. Os dois são titulares absolutos desde o início da temporada, assim como o goleiro paranista.

Paulo Henrique retornou ao time após ser afastado por conta do exame positivo para Covid-19 e não deve sair da vaga, já que vem de excelentes atuações. Jean Victor também mostra consistência do lado esquerdo e divide a função de cobrar escanteios e faltas com Renan Bressan. Na vitória por 2×1 sobre o Guarani, os gols tiveram, justamente, assistência de ambos os laterais.

Liberação de jogadores pouco aproveitados e negociações importantes:

Raphael Alemão era um dos maiores salários do elenco. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

Em meio à pandemia do coronavírus, o Tricolor aproveitou para enxugar o elenco. Foram dispensados o lateral-direito Rafael França, os zagueiros Fernando Timbó e Facundo Falcón, e os atacantes Rafael Furtado e Warley. Nenhum deles era titular.

Já no retorno ao calendário, mais jogadores deixaram a equipe, como foi o caso do volante Carlos Dias, que tinha perdido a vaga para o recém-chegado Higor Meritão.

Jogador da base, o camisa 5 foi negociado com uma equipe do Chipre, o que rendeu dinheiro ao Paraná. O atacante Raphael Alemão também foi negociado com um time do Azerbaijão e aliviou a folha de pagamento do clube, já que ele era o terceiro maior salário do elenco.  

Medalhão que veio pra vestir a camisa 10

Renan Bressan é quem dita o ritmo do Paraná. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

A mítica camisa 10, em qualquer time, sempre remete à figura de um importante jogador no elenco. O Paraná não contava com um 10 “figurão” há muito tempo. Talvez, o último mais expressivo dono da posição tenha sido Lucio Flavio, hoje auxiliar técnico de Allan Aal.

Renan Bressan chegou ao Tricolor trazendo bagagem internacional, com gol contra a seleção brasileira no currículo quando defendia Belaris. Aqueles que acharam que o atleta de 31 anos viria apenas para compor elenco se enganaram.

O meia mostrou que ainda tem categoria, foi decisivo com um gol de falta contra o Bahia de Feira e chama a responsabilidade quando necessário.

Verba, até o momento, sob controle

Leonardo Oliveira vem deixando a casa em ordem no Paraná. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

Sabendo das próprias limitações financeiras, o Paraná apostou em um elenco barato. O acerto com um patrocinador máster tem garantido uma verba importante.

As vendas de atletas como o volante Carlos Dias já faziam parte do planejamento inicial do clube para reforçar o caixa e tentar evitar o drama dos salários atrasados que há anos atrapalha o time nas retas finais de temporadas.

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