A pouco mais de um mês do início do Brasileirão, o Paraná Clube convive com sérias dificuldades financeiras e um elenco extramamente reduzido. O técnico Otacílio Gonçalves assume hoje o comando da equipe sem poder sequer realizar um trabalho coletivo com profissionais. Terá que recorrer às categorias de base. Pior: alguns titulares já estão de malas prontas e a qualquer momento podem partir para outros clubes. São os casos de Hélcio e Adriano Chuva. Tudo bem que as negociações resultariam na vinda imediata de substitutos. Porém, o Tricolor corre o risco de entrar na principal competição do país pentacampeão mundial com um grupo relativamente inexperiente.

Após um primeiro semestre relativamente “equilibrado” – o Paraná teve uma boa participação na Copa do Brasil e ficou em segundo no supercampeonato paranaense -, há um inegável temor da torcida paranista em relação ao segundo semestre. O Tricolor conta com apenas 18 jogadores nesta fase de pré-temporada. A eles, irão se somar os três atletas emprestados ao Iraty (Luís Paulo, Márcio e Alexandre) e mais o meia Thiago, contratado por empréstimo junto ao Azulão paranaense. Mesmo assim, o grupo chegaria aos 22 atletas, faltando ainda os reforços considerados imprescindíveis: um lateral-direito, dois zagueiros e um volante.

De “mãos atadas”, os dirigentes esperam uma negociação envolvendo Lúcio Flávio, que passou a principal “moeda de troca” do Paraná Clube. Se o destino do meia for algum clube brasileiro – três já teriam manifestado interesse – a solução viria na forma de reforços, como já aconteceu no primeiro semestre, quando Lúcio Flávio foi para o São Paulo. Este tipo de transação, no entanto, esbarra em dificuldades claras: ou os valores oferecidos não agradam ao atleta, ou o clube em questão não dispõe de jogadores de nível para suprir as carências do Tricolor. “Está difícil encontrar uma proposta que agrade aos dois lados”, reconhece o ex-jogador Ney Santos, tio e procurador do atleta.

Neste rumo, o destino de Lúcio Flávio pode ser o exterior. O impasse, seria, então, o valor da transação. “Estamos conversando diariamente para encontrar um caminho interessante para o Lúcio Flávio, mas que também traga recursos ao clube, que, todos sabem, está precisando”, comentou Ney. Sem receitas, o Paraná já convive com salários atrasados – que chegariam a dois meses – e o conseqüente descontentamento dos jogadores. O zagueiro André partiu para uma ação na Justiça do Trabalho, com base também no suposto atraso do depósito do FGTS, e disse que não joga mais no Tricolor. Porém, a legislação pode derrubar as pretensões do atleta, já que somente a partir do terceiro mês de atraso salarial ele teria direito a romper contrato e partir para outro destino livremente. E o FGTS, segundo os dirigentes, está em dia.

Paralelamente a isso, a diretoria tenta saldar dívidas, mas esbarra no não pagamento dos valores devidos pela televisão. O clube só recebeu, por exemplo, 40% do que lhe é devido em relação à Copa do Brasil. Na teoria, já deveria ter recebido parte de sua cota relativa ao Campeonato Brasileiro. Os integrantes do Clube dos Treze, por exemplo, já recebeu parte destas cotas em novembro do ano passado. Resta saber se somente estes valores serão suficientes para suprir as necessidades do Tricolor ao longo de todo o semestre, que começa oficialmente no dia 10 de agosto, um sábado, quando o Paraná recebe o São Caetano, na Vila Capanema.