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Paulo Campos pode igualar
melhor marca do Tricolor.

Livre da pressão, não da responsabilidade. O Paraná Clube enfrenta o Fluminense hoje – às 18h10, no Pinheirão -em busca de mais uma vitória no Brasileirão. Sem risco de rebaixamento, o Tricolor quer se despedir de sua torcida mostrando que a reação não foi obra do acaso. Embalado por três vitórias consecutivas, o time de Paulo Campos pode igualar a melhor marca da equipe em campeonatos nacionais, com quatro vitórias em seqüência. Este número só foi obtido, até hoje, por duas vezes, em 1997 (com Sebastião Lazaroni) e 2001 (Paulo Bonamigo).

"Vamos tentar melhorar ainda mais a nossa posição. Podemos subir mais uma ou duas colocações e esse deve ser o objetivo", comentou o zagueiro Émerson. O meia Cristian concorda. "Conseguimos sair do inferno. Agora é terminar o ano numa posição intermediária e jogando um bom futebol", disse. Cristian acha que agora, sem a pressão gerada pelo risco de degola, o time deve crescer ainda mais. "Se em verdadeiras decisões houve espaço para jogadas de habilidade, agora dá para arriscar um pouco mais", avisou, numa referência ao gol marcado por Edinho em Criciúma, quando Cristian deu um "chapéu" no seu marcador, antes do tocar para o lateral.

Dribles à parte, Paulo Campos já avisou: quer seriedade. Com um rendimento superior a 60% nas últimas dezessete rodadas, o técnico paranista pretende fechar o ano em alta. "A última impressão é a que fica. Se o time foi bem até agora, é só manter o ritmo, não relaxar". O Tricolor, depois de muito tempo, entra em campo podendo jogar no erro do adversário. "Em jogos recentes, tínhamos que partir para cima dos adversários. Agora, o Fluminense é quem deve sair pro jogo", lembrou o volante Beto. O clube carioca precisa do resultado para se garantir na Copa Sul-Americana.

Paulo Campos conta hoje com todos os titulares. "Fato raro, pois até em Criciúma tivemos um imprevisto de última hora, com o Axel ficando de fora", lembrou. A volta de Axel é, aliás, a única mudança em relação à última rodada. O capitão entra na vaga de Messias. "O astral sempre foi bom. Agora, é ainda melhor. Sem a pressão do rebaixamento, acredito num grande jogo, decidido na técnica", frisou. Do time que hoje entra em campo, todos estão nos planos para 2005. A permanência ou não desses jogadores, porém, será discutida com os empresários que detêm seus direitos federativos.

Entrevista

Restando duas rodadas para o término do Campeonato Brasileiro o Paraná Clube respira aliviado. Ninguém discorda que boa parte deste "oxigênio" deve ser creditada ao comando preciso do técnico Paulo Campos. Ao dar identidade ao time, tirou o Tricolor da lanterna e o conduziu a uma campanha sólida. Os números comprovam a ascensão: 20.º colocado no primeiro turno, o Paraná virou o jogo e ocupa a 5.ª posição no returno. Reação comparável à do Goiás, no ano passado. É sobre isso que o técnico conversou com o Paraná-Online.

Paraná-Online – Como é ser apontado como o grande responsável pela redenção do Paraná?
Paulo Campos: Não sou o grande responsável. Houve uma união de forças. Cada um tem sua parcela de colaboração. Meu mérito talvez tenha sido juntar um pouco de cada um pelo bem da equipe. Coordenei o grupo na busca de um objetivo. E deu certo.

Paraná-Online – Houve algum momento de frustração?
Paulo Campos: Não. Talvez tenha havido incerteza no momento da minha contratação, porque ninguém me conhecia. Cheguei do Iraty tendo como credencial apenas os resultados obtidos no Paranaense, frente aos times da capital. A ida para casa foi triste, depois de onze rodadas. Fiquei triste, mas não desapontado. E voltei feliz, pelo reconhecimento do trabalho, e muito mais feliz estou agora, vendo que os objetivos foram alcançados.

Paraná-Online – Na sua demissão, houve "bronca" com os dirigentes?
Paulo Campos: Nunca. Não sou disso. Dou bronca nos jogadores quando eles erram. Mas, a diretoria tem todo o direito de tomar as decisões que bem entender. Não foi uma decisão unânime, mas algumas cabeças achavam que eu deveria sair. E está certo. Foi uma tentativa. Mas, é bom que se diga, nunca houve falsidade, mágoa ou discussão. Não sou novo nesta área e por isso aceitei com naturalidade.

Paraná-Online – Pelo seu jeito de ser, vende-se a imagem de um técnico "paizão". Como você se define?
Paulo Campos: Sou, acima de tudo, um disciplinador. Só que não sou disciplinador na porrada, mas na inteligência. Minhas equipes são disciplinadas dentro e fora de campo. Não admito essa história de jogador ir prá balada. Quem faz, paga pelo erro. Você não vai me ver na bagunça, pois tento passar o exemplo. Não tem essa história de paizão. Sou pai de uma filha só. Não gosto dessa história de "família". Sabe o quê, não gosto de folclore, de blá-blá-blá. Família, só a minha, que está no Rio de Janeiro. Jogador que não gosta de disciplina, de organização, que peça prá sair, porque comigo não joga.

Paraná-Online – Até onde vai o limite para a balada?
Paulo Campos: Ir a um bar, moderadamente, não tem problema. Tomar uma cerveja, moderadamente, não tem problema. Mas, é preciso ser profissional. Há o dia certo para se comemorar uma vitória. Há dia certo para namorar. O que não gosto é de palhaçada. Não gosto de sujeito largado.

Paraná-Online – Com tanta experiência no exterior, como você avalia a atual estrutura do Paraná Clube?
Paulo Campos: Fraca. Conheço clubes da Europa, dos Estados Unidos…sou um cara viajado. No Brasil, já vi bons exemplos, como Atlético Paranaense, Coritiba, Cruzeiro…O Paraná, fraco. Por que fraco? Diversas sedes, mas mal-aproveitadas para o mais importante, que é o futebol. Com as seguidas fusões, esqueceram-se, no passado, de transformar estas sedes naquilo que realmente importa: o futebol de alto nível. Há pessoas maravilhosas aqui no Paraná. De grande coração. E gostaria de ajudar na montagem de uma estrutura de bom nível para o futebol profissional.