Capaz de encher os olhos de seu torcedor jogando na Vila Capanema, o Paraná Clube segue dando vexame na condição de visitante. O “time de pijama” fica a cada rodada mais distante do G4, num indicativo que a volta para a elite do futebol brasileiro nada mais é do que um sonho.

E com pouquíssimas chances de se tornar realidade. Como esperar um aproveitamento superior a 68% de uma equipe instável e presa fácil para clubes que nada aspiram senão a fuga do rebaixamento?

Esta, aliás, deve ser mesmo a única missão do Tricolor no returno da Série B. Para seguir no segundo escalão do futebol brasileiro, o time de Sérgio Soares precisa ao menos repetir o que foi feito na primeira metade da competição.

A classificação mostra o Paraná numa posição intermediária (11.º lugar), mas apenas dois pontos acima da ZR. Um quadro no mínimo preocupante. Afinal, é difícil precisar (ou seria acreditar?) se o “Duas Caras” seguirá mortal atuando em seus domínios. Mais uma prova de fogo está marcada para amanhã, contra o Bahia.

Dentro de casa, o Paraná conquistou 17 pontos. Desde a chegada de Sérgio Soares, o time teve apenas um deslize, a derrota por 3×1 para o ABC-RN, e ostenta um aproveitamento “campeão”: 80%.

Fora, no entanto, foi sob a direção de SS que o Tricolor passou os maiores micos, nas goleadas para Atlético-GO (5×0) e, agora, Fortaleza-CE (4×0). Com somente 7 pontos conquistados longe da Vila, apresenta o quinto pior desempenho como visitante, superior apenas a Campinense (3), ABC (4), Vila Nova (5) e Bahia (5).

Números que determinam o abismo de 9 pontos que separa o Paraná do G4. Nem jogadores nem comissão técnica encontram justificativa para a letargia que toma conta do time fora de casa.

Foi assim em praticamente todos os jogos desta “era” Sérgio Soares, que tem como grande e único feito a surpreendente vitória sobre o Guarani, em Campinas. Um jogo de exceção nessa triste trajetória do Tricolor longe de Curitiba. É viajar para o clube voltar com a sacola cheia.

“A responsabilidade é toda nossa, dos jogadores”, se apressa em afirmar Dedimar. “O Sérgio nos passa tudo o que deve ser feito, mas em campo tem dado um branco no time. Quando abrimos os olhos, já estamos perdendo”, completou o líbero tricolor.

Numa primeira impressão, o Paraná “visitante” deixa transparecer certa soberba. Em Fortaleza foi irritante a lentidão do time, que parecia querer administrar o zero a zero.

Com cansativos toques laterais, parecia querer deixar o tempo passar. Letargia explorada pelo adversário, que só precisou colocar dois centroavantes na área paranista para “correr pro abraço”.

Mais uma vez num clima de desconfiança, o Paraná encara o Bahia. O jogo será amanhã, às 19h30 no Durival Britto. É esperar que ao menos em casa o time continue impondo a qualidade técnica que já demonstrou possuir.