Foto: Átila Alberti

Lori chega fazendo contas. ?Acho que precisamos de uns 45 pontos para não correr risco de cair.?

A bola está com Lori Sandri. Ele é o novo técnico do Paraná Clube e assume hoje a árdua missão de reconduzir a equipe a uma colocação de destaque no Brasileirão. A saída ?caseira? foi alinhavada no início da noite de ontem, assim que Gilson Kleina oficializou o seu pedido de demissão. A pressão dos números – um desempenho idêntico ao que lhe custou o emprego há três anos (20,83%) – fez com que o treinador entregasse o cargo.

Gilson Kleina fez questão de destacar todo apoio que recebeu da diretoria tricolor, mesmo sem ter conseguido completar um mês à frente do clube. Ele assumiu o time no dia 21 de julho e desde então atuou em oito jogos, com uma vitória, dois empates e cinco derrotas. ?O tempo acabou sendo, mais uma vez, cruel?, desabafou o ex-técnico paranista. O acúmulo de jogos impediu-o de treinar a equipe e, paralelamente a isso, deparou-se com o mau momento técnico de alguns jogadores.

?Estou saindo porque quero o bem do Paraná. Sinto que é hora de mudar, para que a pressão não recaia sobre alguns jogadores jovens do elenco?, justificou Kleina. A exemplo das recentes transferências de cargo, Gilson estará hoje na Vila Capanema, passando a bola para Lori Sandri. O novo treinador disse que está voltando para retomar o trabalho interrompido em 2005. Naquele ano, Lori levou o Tricolor às primeiras posições do Brasileiro, mas deixou o clube ao término do primeiro turno, diante de uma suposta oferta do futebol turco, que acabou não se confirmando.

?Tenho uma grande identificação com o Paraná, desde o seu passado, quando joguei no Água Verde?, lembrou o treinador, que ontem mesmo já deu entrevistas como novo comandante do azul, vermelho e branco. ?O primeiro passo é baixar a poeira?, disse Sandri. Em 2005, o técnico foi criticado por bater insistentemente na necessidade de o Paraná atingir os ?48 pontos? para escapar do rebaixamento. Naquele momento, muitos o consideravam pessimista, diante do bom futebol que o clube apresentou, fechando o turno na 4.ª posição.

?Agora, a postura será a mesma. Só que ao invés de 48, acho que precisamos de menos pontos, algo em torno de 45. Depois dessa marca, pensaremos em vôos mais altos?, analisou Lori, sempre com sua política ?pés no chão?. Lori Sandri assume o Paraná sem trazer outros componentes para a comissão técnica. Além de Gilson Kleina, deixam o clube o seu auxiliar-técnico Tato e o preparador físico Afonso Moura. ?O clube tem uma política de utilizar seus profissionais?, comentou Lori.

O novo treinador só pediu um auxiliar-técnico, muito provavelmente Ary Marques, hoje coordenador das categorias de base do Tricolor. Lori Sandri irá trabalhar com os preparadores físicos Marcos Walczak e Lori Sandri Júnior, seu filho. Lori Sandri acompanhou jogos recentes do Paraná e busca, a partir de hoje, uma transição sem traumas. ?Sei que precisamos corrigir essa dificuldade do time em marcar gols. Mas, com muita tranqüilidade?, afirmou. Apesar da serenidade, Lori sabe que o Paraná precisa de uma resposta imediata, para evitar que a síndrome do rebaixamento se instale no clube.