Foto: Allan Costa Pinto

Técnico orienta equipe no treino de ontem: na nova carreira, ele só ganhou na Arena pelo Rio Branco.

O jogo de amanhã é uma prova de fogo para o Paraná Clube. Ainda com um grupo em formação, a comissão técnica conseguiu superar a pressão pela ausência de vitórias. Agora, o desafio é maior. O Tricolor entra em campo tentado provar para torcedores e críticos e, por que não, para si mesmo, que não está no Campeonato Paranaense como um mero figurante. A garotada de Saulo de Freitas entra em campo disposta a somar pontos para afastar de vez as nuvens negras que pairavam sobre Vila Capanema.

O jogo também marca um desafio pessoal para o treinador: obter a primeira vitória sobre o rival rubro-negro. Como atleta, o Tigre sempre foi um carrasco em clássicos. Autor de gols decisivos, que marcaram a sua carreira vitoriosa vestindo a camisa azul, vermelha e branca. Agora à margem do gramado, Saulo tenta pregar uma peça no adversário, como fez no ano passado, dirigindo o Rio Branco. Com o time parnanguara, o técnico fez 1 a 0 sobre o Atlético, em pleno Joaquim Américo.

Este não será o primeiro duelo de Saulo com o Atlético. Nas suas passagens anteriores como técnico do Paraná a primeira delas como interino, em 2001 o ex-goleador não conseguiu sucesso. Foram três jogos entre os clubes, com o Tigre no banco paranista. E, em todos eles, deu Rubro-Negro. Curiosamente, esses clássicos foram disputados no campo do adversário, onde somente no ano passado o Tricolor conseguiu quebrar o tabu, eliminando o Atlético das finais do Paranaense com uma vitória por 3 a 1, sob o comando de Zetti.

Em 2001, Saulo de Freitas comandou o Paraná num período de transição, entre a demissão de Carbone e a contratação de Paulo Bonamigo. Frente ao Atlético perdeu por 2 a 1, mas foi a única derrota da equipe sob sua direção no estadual. Quase dois anos e meio depois, aí como treinador ?titular?, a derrota foi por 1 a 0, no Brasileirão de 2003. Resultado que não afetou o desempenho do clube, que findaria a competição no 10.º lugar. Campanha que determinou a permanência de Saulo como treinador do Tricolor para a temporada seguinte.

Só que o Paraná desmontou o time, não repôs peças e com um grupo inexperiente e de qualidade duvidosa a campanha no Paranaense foi pífia. Saulo ficou apenas oito jogos e perdeu o cargo. Antes disso, enfrentou o Atlético na Baixada e sofreu a sua pior derrota à frente do Tricolor: 3 a 0 para o rival. ?Esse é um jogo para esquecer. O Paraná não se preparou adequadamente para o estadual e deu no que deu?, recordou Saulo. Naquele ano, o time de Vila Capanema ficou relegado ao ?torneio da morte?, onde decidiu sua permanência na 1.ª divisão do Estado.

Opções deixam Tricolor indefinido

Foto: Anderson Tozato

Vandinho pode ser mantido na ala direita ou jogar na armação: escalação só sai domingo.

O técnico Saulo de Freitas decidiu não oficializar a escalação do Paraná para o jogo de amanhã às 17h, no Joaquim Américo diante do Atlético. Nada que se assemelhe ao mistério que normalmente cerca os jogos deste porte. No treino tático de ontem à tarde, fez algumas variações e até poupou o meia Cristian de parte da atividade. Mas, na sua essência, o Tricolor está pronto para o jogo, num 3-5-2 e com o time completo.

Nas entrelinhas, fica a expectativa para a possível utilização de Giuliano como o novo titular do meio-de-campo. O desempenho do jogador agradou e é certo ue Massaro não será titular. Porém, Saulo deixou no ar uma outra possibilidade: o deslocamento de Vandinho para o setor de criação-ataque e a volta de André Luiz à ala-direita. Só que o lateral, que se lesionou no jogo contra o Toledo, trabalhou muito pouco com bola nas últimas semanas.

?É uma questão que ainda tenho que analisar?, admitiu o treinador. Saulo elogiou o desempenho de Giuliano nas últimas partidas, mas lembrou que trata-se ainda de um jogador jovem, que terá oscilações naturais. ?Eu e a comissão técnica sabemos bem onde e quando ele rende?, declarou o Tigre. Talvez num indicativo de que Giuliano seja mantido no banco, como uma espécie de ?arma secreta?. Afinal, contra Toledo e Paranavaí, foi assim. Diante do Cianorte, quando começou como titular, o meia teve dificuldades até achar o seu espaço em campo.

Independentemente da escalação, Saulo de Freitas acredita num grande jogo, decidido nos detalhes. Sabe que para obter sucesso, terá que anular as bolas paradas do Atlético. ?Não é fácil conseguir isso. É preciso muita atenção para evitar a antecipação do adversário. É preciso marcar sempre o jogador e não a bola?, frisou. Apesar do respeito ao líder, o treinador assegurou que seu time não se limitará à marcação e nem adotará bloqueios individualizados.

?Vamos marcar por setor. É preciso atenção com o conjunto do Atlético e não com esse ou aquele atleta?, afirmou. ?Não vou para lá com medo de jogar. Acredito que os dois times irão se respeitar?, finalizou o treinador paranista.